5.1.11

natal

Escrever natal com éne pequeno, ou deus com dê minúsculo, é um direito que me assiste. Não o exerço por desplante ou desafio, antes por desconsolo. Com o deus de dê minúsculo (ínfimo) em permanência, com o natal de éne menor aos tremeliques: proclamo resoluto e logo me arrependo, como sempre acontece a quem questiona o sagrado.

Tenho pena de não acreditar mais. Em seja o que for, nomeadamente num qualquer deus. Viver sem fé esvazia. Não foi por medo ou solidão que o homem inventou os deuses. Fê-lo na busca de propósito para a existência. Para acreditar que à volta e no fim há mais do que o grande mistério do nada.

Por isso me esforço tanto para acreditar no Natal. Não na manipulação de natal da igreja ou no mercado de natal dos comerciantes, nos quais tudo se compra e se vende (até a alma) mas nada se sente. E certamente não no natal pagão das ofertas, tradição perdida num tempo em que a sobrevivência se impunha solene sobre os temas da alma e em que o homem mantinha uma relação puramente mercantilista com os deuses.

Talvez porque acredito pouco, busco no Natal o sentido do espiritual. Um tempo de aceitação mútua, de renúncia à cobrança, de paz de espírito. Aspiro ao bem-estar colectivo, à serenidade despreocupada, ao pensamento no outro. Neste meu Natal um riso de criança chega para encher a noite e um abraço sentido completa a reunião.

E assim, ano após ano, me desiludo com o natal. Mas também assim, ano após ano, continuo a iludir-me. Vivo cada dia na expectativa do meu Natal. Tomo-lhe o gosto nos últimos momentos antes e sorvo sofregamente os restinhos nos dias imediatamente a seguir, quando a tempestade amainou e é de novo possível acreditar.

Julgo agora partilhar a angústia nem sempre compreendida do meu pai em relação ao natal: o divinal prazer de dar banalizado pela sofreguidão e a surpresa esfumada na organização.

Procuro então alternativas, confronto tradições, desmancho tabús. Mas esbarro na vontade dos outros, justamente daqueles que tento atrair para a minha visão. E desiludo-me, fecho-me em mim, aguardo os dias seguintes. Até ter força para tentar outra vez.

Nuno

Desenhos da Kiki

Feitos na escola entre Setembro e Dezembro de 2010.





Patrícia

3.1.11

Nossos presentes de Natal

As primeiras semanas de Dezembro foram especialmente complicadas. Porque o Grandalhão viajou e não esteve duas semanas (intercaladas, mas ainda assim) em casa. Porque eu tinha muito trabalho (nada de novo mas Dezembro é sempre complicado para mim e tínhamos 3 fechos de negócios a correr para além do normal que me ocupa já demasiado). Porque havia festas e festinhas, prendas e prendinhas. Porque havia as férias do Natal para preparar. Enfim, andei realmente (mais do que o costume, sim) stressada.

Para além do mais tínhamos decidido que este havia de ser um Natal menos de consumo e mais de afectos. Prendas só para as crianças. Então decidi(mos) fazer algo para dar no Natal aos pais e manos. Ora isto implicou um investimento de tempo ainda maior (para me ajudar). Cada uma das prendas teve bastantes horas de trabalho nosso. Dias e dias (aos fins de semana e quartas), noites e noites (todas as da semana) a fazê-los e com a participação, e em respectiva medida, dos da casa. Tudo feito á mão por nós, nada comprado. A intenção era também que fosse algo feito com material reciclado e que fizesse companhia ao longo de 2011.

Fizémos, para o meu mano, cunhada e sobrinhos, um calendário para o planeamento familiar. Não tenho foto mas foi a primeira prenda e achei que ficou uma delícia (mano, vê se tiras e me envias para ficar aqui registada).

Para os pais e sogros, um pote com afectos (feito de dois potes de vidro de ervilhas). Com uma mensagem, memória, desejo (geralmente dos meninos) e sempre com uma foto especial para abrir em cada semana do ano.
Finalmente, para a mana emprestada, um calendário com notas pessoais.


Todos feitos com muito carinho. Espero que vos acompanhem com muita doçura ao longo de 2011.

Patrícia

Pequenos nadas para 2011

Chegou-me este texto por e-mail. Acho muito relevante e por isso, com alguns ajustamentos, passo para aqui na expectativa de alertar para pequenos nadas do dia a dia que, em conjunto, podem significar alguma mudança para melhor.

- economize água – a escassez da água atinge biliões de pessoas no mundo. Em 2011, consuma água de forma consciente desligando a água quando escova os dentes e lava a loiça, tomando duches curtos, armazenando num balde a água do duche que pode usar para descarregar a sanita, bebendo água da torneira em vez de comprar água engarrafada;

- seja consciente no consumo de carne e peixe – o consumo de carne provoca o abate de florestas, desequilibrio ambiental, poluição e desigualdade social. O consumo de alguns tipos de peixe está a provocar incontornáveis desequilibrios no ecossistema marinho;

- apague a luz – todos desejamos um futuro brilhante e isso passa por utilizar a luz de forma consciente no presente. Apague a luz quando não precisa dela (faça jantares á luz de velas), use conscientemente o ar condicionado/aquecimento central, encha as máquinas de lavar antes de as pôr a trabalhar e em temperaturas baixas;

- deixe o carro em casa sempre que possível (que é muito mais do que pensa) – ao fazê-lo contribui para a sua forma física e saúde, redução da emissão de CO2, redução do consumo de petróleo e efeito de estufa na atmosfera e trânsito mais agradável;

- consuma produtos orgânicos – estes produtos respeitam os ciclos das plantas, insectos e passáros essenciais para a manutenção do ecossistema sustentável. Não têm pesticidas pelo que são mais saudáveis;

- use menos papel – apesar de se precisar menos de papel cada ano a procura aumenta consumindo florestas inteiras. Reflorestar é positivo mas não traz de volta ecossistemas nativos e extintos pelo que mais vale apostar na proteção do que existe (e na sua beleza). Use folhas usadas como rascuhno, não imprima o que não é necessário e recicle se tiver de usar papel;

- não utilize sacos de plástico – os convenientes sacos plástico matam milhares de animais por anos e geram resíduos que demoram centenas de anos a reciclar. Ande sempre com um (ou se precisar mais) saco á mão, recorra ás cestas e sempre que possível recuse os sacos de plástico;

- seja voluntário – informe-se de instituições que precisam de voluntários ou que precisam de coisas que possa enviar – não deite roupa, sapatos, brinquedos, livros, electrodomésticos fora. Guardar tudo no sótão também não é útil porque sabe que não volta a usar – se ainda estão em condições dêː podem melhorar a condição de vida de muitos e não fazem mais lixo;

- seja educado e eduque pelo exemplo – queremos um mundo melhor para os nossos filhos e uns filhos melhores para o nosso mundo;

- mude o mundo – pequenas acções individuais são a maior força transformadora que se conhece – por isso faça a sua parte ajudando a construir um futuro melhor para todos.

Não é preciso ser radical, apenas consciente. Se fizermos duas ou três coisas já contribuímos. Se fizermos vinte ou trinta tornamo-nos heróis do quotidiano.

Patrícia

2.1.11

de regresso

Estamos de volta!!!

Um grande obrigado e muitos beijos aos pais, avós, irmãos, cunhados, sobrinhos e amigos que mais uma vez encheram a nossa estada de momentos inesquecíveis.

E um pensamento especial para a espectacular avó Alice, com quem partilhámos o fim do ano 2010 ao som e imagem do deslumbrante fogo de artifício Madeirense.

Mas é tão bom estar de volta no nosso recato...

Nuno

22.12.10

devaneio dialéctico

Dizem que a vida é feita de pequenos momentos, de ínfimas espreitadelas de autenticidade por entre as malhas cerradas do infinito cobertor de ilusão com que escolhemos proteger-nos da rudeza da existência.

Absortos, abjectos, deixamo-nos embalar pela expectativa de glórias futuras e pela memória de humilhações passadas. Pulamos sem rumo de atracção em atracção, na esperança conscientemente vã de encontrar pelo caminho um propósito, uma razão.

Mas no fundo sabemos que não interessa porquê, que há muitos porquês, que há tantos porquês quantos aqueles que quisermos criar. No fim só fica o facto. Melhor dito, a série de factos que constitui uma vida.

Alguns desses factos são magníficos, atraentes, captivam a imaginação e a inveja. Incitam-nos à espera, traem-nos na memória e absolvem-nos da ausência de tempo e atenção para com tudo o resto.

Outros são fugazes, etéreos. Não sabemos descrevê-los ou quantificá-los. Muito menos perante terceiros. E esquecemo-nos deles para nos concentrarmos naqueles que nos trazem um retorno mais imediato.

Mas na verdade são estes, os aparentemente insignificantes, que nos tocam. Em surdina, apanham-nos distraídos pelas luzes e infiltram-se pelos poros da couraça. Devagar, sobem pela corrente sanguínea, corroem o sistema imunitário e infectam o coração.

De visão deturpada e sentidos trocados, ficamos indefesos. Esvai-se o gosto pelo efémero e a ansiedade dos grandes momentos. Desorientados, julgamos perder o prazer de viver e fechamo-nos em nós.

Mas eis que surge um prazer inusitado por algo ridículo, inominável, desprezível. Um dia que se esfuma sem nada para contar mas repleto de contentamento. Um vazio de conversas de circunstäncia que enche a alma de significado. Uma alegria esfuseante por um momento banal. Um orgulho desmesurado por uma conquista trivial.

Esse é o momento da viragem. A vida de pernas para o ar traz consigo a serenidade.

Nuno

21.12.10

lar doce lar

Há quase 5 anos atrás preparava-me psicologicamente para a perspectiva de ter que trocar a minha terna Lisboa pela dureza de uma terra arrancada ao mar e fustigada continuamente pela espuma do oceano amargo e vingativo.

Com razão me angustiava pois a transição foi custosa. Já instalado, já quebradas as barreiras iniciais e dúvidas me assaltavam ainda. Algo não estava certo, as contas estavam furadas, logo eu que sempre recusei tal ideia. E agora, que cheiro é este, que língua agreste me assalta os tímpanos, que gente bruta me empurra e ignora.

No fim segurou-me sempre o impávido pragmatismo da minha realidade de redundante originário. O país, o meu país, não mais me quis. Mas era ainda o meu país. Exilado ou não, a certeza era absoluta.

Algo mudou contudo. Algo fundamental. Esfumou-se o sentimento de exílio. Não reconheço o peso da distância, que agora me parece pouca. E o lar mudou de sítio, juntou-se finalmente à casa.

No sábado regressei de longe. Furei a tormenta branca para voltar para casa. Para a minha terna Amesterdão, que agora defendo com unhas e dentes da mais leve insinuação. Como antes fazia por Lisboa.

Nuno

12.12.10

Jantar em tom feminino

Éramos seis, vindas de diversos cantos do mundoː eu, uma americana a viver há vinte anos na Europa (Berlim, Paris e agora Amesterdão), uma Inglesa criada na Austrália, uma Japonesa também há vinte anos na Europa (Irlanda e Amesterdão), uma americana chegada o ano passado a Amesterdão e uma Uruguaia que viveu já no México, EUA, Coreia e agora Amesterdão.

O meu caso é, de longe, o mais simples porque o Grandalhão é do mesmo continente, país, cidade que eu. Nos outros casos, e respectivamente, as senhoras são casadas com um Americano de outra cidade e que conheceu na Europa, um Franco-Canadiano, um Irlandês, um Servo-Croata e um Francês.

Conhecemo-nos porque os nossos filhos andam na mesma escola. Mais uma vez, os meus filhos não têm grandes angústias porque são, e sabem-se, portugueses. Já (alguns) dos seus amigos têm diversos passaportes e um deles perguntou a mãe "quando me perguntam de onde venho o que devo responder?" - isto porque sendo filho duma Uruguaia e de um Francês, nasceu no México e veio da Coreia para Amesterdão.

Estava portanto lançado o mote. Em comumː género, mães, expatriadas, escola, o constante dilema para onde depois de Amesterdão? Diferençasː as de origem e percurso que são, é evidente, muitas.

Discutiu-se, claro, a escola. O que é, o que gostaríamos que fosse, o que se seguirá depois desta escola. As opiniões eram sempre diferentes – trabalhar ou dedicar-se em exclusivo aos filhos, deixá-los crescer ou atrasar-lhes infância, discipliná-los para a vida em sociedade ou incitá-los a manterem a sua individualidade intacta, mantê-los perto ou mandá-los para um colégio interno – todas questões que geraram muito e animado debate. Regado a um belo vinho branco.

Soube-me bem. Tive pena que depois do jantar ninguém tivesse pronto para continuar a noite porque eu estava! Deitei-me às duas da manhã. O dia seguinte começou com a Kiki às seis. Estive um trapo o dia quase todo, que foi dedicado a preparar o jantar para convidados em nossa casa. Também interessante, mas esse deixo para o Grandalhão contar.

Patrícia

5.12.10

Noite de magia - Sinterklaas

O Sinterklaas chegou no dia 14 de Novembro a Amesterdão e, desde então, tem sido um crescendo de festa, para acabar a ser celebrado hoje.

Preparámos tudo para a vinda do Sinterklaasː

- os chapéus

- a vela do Piet que nos alumiou a noite

- o desenho do Di sobre o Sinterklaas

- o barco da Kiki

- a mesa

E foi uma noite muito especial. Não sei como transmitir o cuidado, o afecto, a dedicação, o pormenor e vontade de todos cá em casa para que tivesse sido tão bonito.

Enquanto preparávamos uma gostosa refeição reparámos que o Sinterklaas tinha passado cá por casa. Deixou, a cada um dos meninos, um poema e um presentinho. E para todos um jogo de famíliaː o Scrabble.

O jantar foi aquilo que se espera dum jantar especial de familiaː harmonia e alegria.


E depois jogámos Scrabble.

Foi realmente especial. Como diz o Grandalhão dank je wel Sint voor een geweldige dag!!

Patrícia

3.12.10

o pesadelo das viagens

Depois de uma hora de interrogatórios, inspecções, controlos, desconfiança, acusações implícitas, abusos de poder e discriminação estou finalmente sentado à espera do avião de retorno a casa. São 4 da manhã. Não há pachorra.

E qual o motivo de tanta angústia? Estou em Tel Aviv e tenho o carimbo da alfândega da Tunísia...onde fomos pelas férias. Passámos uma semana no club med. Pode haver coisa mais boçal e inocente? Sim, o país é muçulmano mas notoriamente ocidentalizado a todos os níveis. Para além do que, há uma forte comunidade Tunisina em Israel e muitos Israelitas escolhem a Tunísia como destino de férias.

Nada disto interessa ou está sequer para discussão. Bem posso trazer cartas da minha empresa, pedir-lhes para ligar antecipadamente ou mesmo recorrer a guias especializados em facilitar o processo dentro do aeroporto. Nada funciona. Assim que vêm o maldito carimbo começa o massacre.

Perguntas iniciais, todas as malas passadas por detector, todas as malas abertas e revistadas, acompanhamento ao balcão do check-in, controlo de passaporte, malas de cabine novamente passadas por detector, abertas e revistadas, controlo de passaporte, controlo de fronteira, controlo de passaporte. Quase 1 hora com o aeroporto às moscas, da outra vez foi 1,5 horas.

E isto sem que encontrem em qualquer momento algo minimamente suspeito ou que tenham motivo algum para desconfiar do meu comportamento. Senão seria imediatemente encaminhado para uma sala à parte e revistado `minuciosamente´.

Eu percebo o interesse da segurança mas o facto incontornável é que uma viagem de avião é hoje, apesar de toda a sua reconhecida comodidade tempestiva, uma experiência para esquecer. Não só aqui, é mais uma realidade global.

Para quando o tele-transporte? Ou algum tipo de experiência virtual que substitua a presença física? Ou, num tom milimetricamente mais realista, quando é que eu posso viajar em jacto particular?

Nuno

2.12.10

eis como o mundo se torna pequeno

A breves dias do Natal páro por segundos e penso nos tempos que me esperam.

Estou em Israel há 3 dias, tendo no espaço de 5 horas passado de temperaturas negativas e neve para 28C e céu azul e preparando-me para fazer o caminho inverso dentro de algumas horas.

Ainda em Dezembro vou passar 4 dias na China, 4 em Lisboa, 4 na Madeira. Tudo isto com intervalos mínimos em casa e preenchido por contactos com as pessoas mais diversas aos níveis de origem, personalidade e situação.

Sou um Português a trabalhar para uma empresa Israelita na Holanda e responsável por activos espalhados por todo o mundo. E o mais incrível é que tudo isto já me parece natural. Eu, que nem queria ouvir falar em sair de Portugal.

Entre outras coisas, pergunto-me se ainda sou Português. Porque continuo a definir-me como tal? Tenho nacionalidade Portuguesa mas é bem possível que já não seja Português. Isto assumindo que o Portuguesismo tem qualquer tipo de substância, que há uma homogeneidade cultural intra fronteiras, que o termo tem mais significado do que a simples constatação de nacionalidade, algo que por defeito contesto vivamente.

Mas se não sou Português o que sou? Holandês não certamente, até porque tal termo padece dos mesmos defeitos que o Portuguesismo. E cidadão do mundo muito menos, mais por incapacidade do que por objecção de consciência. O que me deixa num limbo originário, numa orfandade cultural que em muito me esvazia.

Mas não há como voltar atrás, passei a ser isto onde quer que esteja.

Nuno

24.11.10

Nossos preparativos para o Natal

Já é altura para nós. O Grandalhão abriu a época com as músicas natalícias. Depois foi buscar a caixa onde guardamos as decorações desta altura e começou a enfeitar a casa.

Este ano haverá menos pressão com as prendas porque se acordou que as prendas são para as crianças (e apenas uma). O importante é realmente o convívio, os pormenores, o afecto.

Andava há uns tempos dividida entre encomendar o belíssimo pinheiro de natal (como temos feito nos anos anteriores) ou inventar algo com material reciclado – para não andarmos a apregoar uma coisa e fazer outra... Já nos chegam tantas outras incoerências que não conseguimos escapar!

E assim pusémos mãos à obraː

O Nuno arranjou uma solução para a estrutura
Eu, com a ajuda dos meninos, arranjei a cobertura colando papel usado e pintando-o


Depois de instalado na estrutura fizémos mais uns ajustes decorativos

E eis o resultado final – uma reluzente árvore de natal feita por Nós!
Não tem o charme de uma verdadeira. Mas tem o nosso cuidado com o mundo, os nossos princípios e valores, o trabalho e o imenso carinho que temos por esta festa de família. E os meninos estão muito orgulhosos por serem amigos do planeta.

Patrícia

21.11.10

Visita de dois (longos) dias a Londres

Chegada a Heathrow (ás 7.15 da manhã), correr para uma reunião no escritório da empresa para que trabalho em Londres (onde se coordena a aquisição), apanhar o belo táxi Londrino para os escritórios da Deloitte. Almoço muito bom (e com horário á portuguesa) no Lutyens e depois para o hotel (Park Plaza Riverbank), para o que me levou a Londresː a conferência de imobiliário da PwC. PwC sempre em grande.

Antes da cerimónia de arranque da conferência tive tempo para dar um passeio junto ao Thames com a Elsa, a quem reportava na PwC Lisboa. Muito agradável e bom pôr a conversa em dia (em português)!

Depois, o cocktail de abertura com o necessário networking. Dormir. Acordar cedo e ir dar novamente um passeio refrescante junto ao Thames onde estava uma luz fabulosa para ordenar ideias. Parar uma personagem que corria para me tirar esta foto. Ir para a conferência. Aprender algumas novas ideias, responder a e-mails, correr para o aeroporto, esperar pelo avião (atrasado), chegar a casa depois da meia noite. Cansada, com uma nódoa negra dum mega espalhanço em Schipool, mas satisfeita com o resultado.

Patrícia

Chegada do Sinterklaas

No fim de semana a seguir ao St. Maarten chega o Sinterklaas a Amesterdão. A cidade pára para o receber, chegado de Espanha, no seu cavalo Americo e com muitos Zwarte Piet que o ajudarão a entregar os bolinhos (pepernotten) e as prendas. Daqui até ao dia da celebração (5 de Dezembro) o Sinterklaas vai andar a visitar as escolas e ver se os meninos se portam bem.

Juntámo-nos, como já vem sendo tradição, á chegada do Sinterklaas. O dia esteve mau e choveu bastante mas ainda assim vimos o cortejo passar e eu gritei para o Sinterklaas que o Campeão e a Kiki se portam muito bem e são muito bons meninos.
Espero que tenha ouvido.

Patrícia

20.11.10

Diploma B

O Diogão passou, esta semana, o segundo nível de natação do sistema de ensino holandês.

Patrícia

19.11.10

Joelhos esfolados

Para mim é a imagem de vontade, de tentativa, de esforço. É também uma história que fica para se contar e portanto uma magia, uma saudade.

Os meus joelhos andavam sempre esfolados porque tentava imitar as peripécias que o meu mano conseguia e eu não. Sempre foi melhor do que eu a fazer tanta coisaː aventureiro, estouvado, corajoso, destemido e forte. E eu tentava imitar acabando muitas vezes com os joelhos esfolados.

O Campeão segue o mesmo caminho.

Patrícia

Presidência


O Tomás desconfia.

Já a Mariana está a tentar convencê-lo de algo com o seu doce sorriso. O que será?

Patrícia

14.11.10

Consulta de pediatria

O sistema de saúde holandês é bastante diferente do português.

Até aos 4 anos, os meninos são devidamente controlados pelo Consultatiebureau, onde, apesar de não ser por médicos, o desenvolvimento e vacinas, é devidamente acompanhado por enfermeiras especializadas. Depois dessa idade, toda a consulta passa pelo médico de familia que é, por natureza, um médico generalista, não especializado nesta ou naquela área da medicina. O médico de família, achando que há necessidade para outro tipo de conhecimento/exames/acção, manda para a especialidade.

Na escola, uma vez por ano, há uma inspeccção de saúde. Pesam e medem os meninos e fazem testes de visão e de audição.

Assim, na Holanda,vai-se ao médico quando se precisa porque se está (ou se sente) doente. A medicina preventiva não é mote na Holanda. Quando vamos a Portugal tentamos sempre fazer um ou outro controlo – dentistas, oftalmologia, otorino. Mas é complicado porque o tempo é escasso e, sobretudo, vamos na época das nossas férias que coincide com as férias dos médicos.

Nós temos sorte. Muita. Primeiro porque felizmente os meninos têm sido muito saudáveis. Depois porque tivémos a sorte de ter um amigo, pediatra, que nos visitou a semana passada e fez uma consulta aos meninos.

Foi uma consulta muito interessante. Os meninos conhecem o Ricardo há vários anos. Estavam muito confortáveis com o Ricardo e no seu espaço. A Kiki estava deliciada a fazer a consulta. O Ricardo, pacientemente, explicava o que ía fazer e deixava-a verificar os instrumentos médicos. Depois foi a vez do Di. Também muito confortável e bem disposto.

Está tudo bem.

Patrícia

Sint Maarten

Abriu a época das festas. Daqui até à passagem de ano andaremos em modo permanente de festa.

Quinta feira passada, 11 de Novembro, celebrámos o Saint Martin/Sint Maarten. Os meninos fizeram os seus lampiões na escola para andarem depois a tocar de porta em porta a cantarː

11 november is de dag
Dat mijn lichtje, dat mijn lichtje
11 november is de dag
Dat mijn lichtje branden mag.

Sint Maarten, Sint Maarten,
de koeien hebben staarten
Geef me een appel of een peer,
dan kom ik volgend jaar niet weer.


Tirei a tarde de férias para os ir buscar á escola e andar com eles nesta festa. Nesse dia, por sorte, formou-se uma tempestade com ventos muito fortes e chuva abundante. Ainda assim os meninos quizeram ir, e fomos.

Ficam algumas fotos. Não tirei foto do lampião da Kiki que estava lindo, feito com um pacote de leite do AH, pintado a roxo com janelas de diversas cores. Foi distração minha porque veio directamente da escola e claro que com o estado do tempo não chegaria em bom estado a casa.


O Di, aliás, ficou muito zangado porque os lampião, feito de cartolina, logo se estragou com a chuva e vento.

Esperemos que para o ano o tempo esteja mais propicio!

Patrícia

13.11.10

Cirque du Soleil – Totem

Há anos que queria ver um espectáculo do Cirque du Soleil mas não se tinha ainda proporcionado.

Desta vez eles vieram a Amesterdão com o espectáculo Totem e não falhámos.


Achei duas das actuações realmente espectacularesː a da estrutura da carapaça da tartaruga (com trabalho de barras) e a love birds (o duo do trapézio). O ambiente, as máscaras e fatos e a música são a grande força do espectáculo.
Os meninos adoraram. A Kiki diz que quer ser artista quando fôr grande. Não sabe ela a artista que já é com esta idade!

Patrícia

7.11.10

Simples

Quem é? Diogo. Alegre, vermelho, sorridente, cómico.


A família? Também alegre e com uma bela cor de fundo.


O que mais gosta de fazer? Jogar futbebol, ou melhor ainda, marcar golos (isso é que é)!
Gostei.

Patrícia

1.11.10

Halloween

Assustadores, não? Patrícia

24.10.10

Desenho da Cácá sobre o seu nascimento

Patrícia

Museu Histórico Judaico e Sinagoga Portuguesa

Hoje os meninos descobriram um pouco sobre a religião judaica e as influências portuguesas na sociedade, economia e cultura holandesas.

No Museu Histórico Judaico vimos os alguns objectos, ritos e histórias do judaísmo na Holanda. Falámos em termos como: sabath - sábado é dia de descanso porque, acreditam os judeus, que deus terá criado o mundo em seis dias e ao sétimo descansou; a tora (ou lei), a circuncisão que é feita ao oitavo dia de vida dos meninos (comentário do Di sobre o tema, “ainda bem que não sou judeu!”), mazzel tov (saudacao judia), rabinos, sinagogas, hebraico, candelabras com nove velas, holocausto, entre outras coisas.

Começámos pela parte preparada especificamente para crianças.


Depois aprendemos que em 1492 e 1497 os judeus foram expulsos de Portugal ou obrigados a converter-se ao catolicismo. Muitos dos judeus portugueses (sefarditas) fugiram para Antuérpia e Amesterdão.

Os judeus portugueses desempenharam um papel significativo no desenvolvimento cultural e economico dos Países Baixos, onde gozavam de uma liberdade de culto, de vivência e de expressão não possível na “muy” Católica Península Ibérica. A comunidade produziu rabinos, eruditos, filósofos, artistas, banqueiros, fundadores e directores das mais importantes companhias de comércio internacional.

Sendo uma comunidade importante, construíu em 1672 a Sinagoga (Esnoga) Portuguesa em Amesterdão. Uma das maiores da Europa que fica na Waterlooplein. Sóbria. Muito fria porque continua a não ter instalação térmica ou eléctrica. Ouvimos (no audio) que durante a Segunda Guerra mundial os candelabras chegaram a gelar porque não havia qualquer vivência no espaço.

Dão-se lá concertos actualmente e acendem mais de mil velas. Fiquei cheia de vontade de voltar para uma dessas ocasiões.

Patrícia