Antecipando-me ao relato que a Patrícia certamente fará do acontecimento, não resisto a deixar os meus comentários à reunião que tivemos esta manhã com a professora do Diogo.
Quando recebemos a nota da professora a convocar-nos para uma conversa sobre o Diogo, a minha reacção foi péssima. Normalmente chamo o campeão para lhe perguntar o que se passa, mas neste caso a minha irritação foi tal que, quase sem pousar as coisas que trazia nas mãos , peguei no caderno e escrevi uma resposta bastante enfática, diria mesmo a roçar a agressividade.
Isto porque a Patrícia vem tentando, sem qualquer resultado, convencer esta mesma professora a ter reuniões periódicas para falar sobre o Diogo. Aliás, houve notas escritas enviadas por nós às quais ela nem se dignou responder. Isto porque, segundo ela, nada havia a falar: o Diogo tem boas notas, aprende bem e não vale a pena reunir-se para falar sobre nada.
Mas eis que de repente já vale a pena, só porque supostamente o puto fala demais nas aulas. Continua a ter notas excelentes a tudo, domina 3 línguas e está a caminho da quarta, socialmente é um ás, mas fala demais e isso só por si justifica uma chamada.
Fiquei danado: ela é a professora, cabe-lhe gerir a turma e não andar a chagar os pais só porque os putos se comportam como putos. Bolas, quem é não fala nas aulas?!?!
Para mais, este liceu tem a estranha mania de afastar os pais da escola por princípio mas recorrer aos mesmos quando convém. Percebo que ter mães desocupadas a pressionar os professores e ter na escola a sua actividade principal comprometa a independência e a eficiência do sistema, mas também não está certo atirarem os putos para as mãos dos pais cada vez que têm uma reunião de equipa ou algo do género.
Mas adiante...
Com isto tudo, fui esta manhã para o encontro com um espírito combativo, pronto a lembrar-lhe (entre outras coisas) que nós não interferimos na vida da escola e que cabe aos professores gerir os alunos, sobretudo em coisas tão comezinhas como a tagarelice.
Mas fiquei desarmado quando ela nos disse que tinha reorganizado a sala toda porque havia vários outros alunos a tagarelar. E que a preocupação dela em relação ao Diogo era não só a conversa mas também a distracção permanente: ele passa as aulas a olhar pela janela, a mexer no radiador, a brincar com as canetas e a falar. E ela receia que isso possa ter um impacto na sua aprendizagem.
Isto soou muito familiar, tanto no Diogo como em mim. Recuei 25 anos no tempo e lembrei-me das horas que passava a olhar pela janela, a desenhar nos cadernos e nas mesas e a falar com os colegas do lado. E de repente tudo aquilo me pareceu mesmo despropositado.
Sobretudo quando ela se contradisse e largou um chorrilho de elogios ao puto. De tal forma que até se emocionou enquanto falava. Percebi na sua expressão uma quase admiração pelo nosso campeão. E acabou a dizer algo como: quem me dera que todos os alunos fossem como o Diogo, nem precisava de ir de licença de parto (está grávida de 6 meses).
E foi mais longe, referindo-se repetidamente ao Diogo como brilhante (daí o título deste post). Nós sabemos mas é tão bom ouvi-lo da boca desta professora, que é tão contida.
O problema, como eu venho dizendo ao Diogo desde que ele teve idade para perceber, é a sua motivação: ele só não faz aquilo que não quiser mas ele nem sempre quer. Assim que a conquista está feita, parte para outra.
E esta distracção nas aulas é para mim sinal de uma só coisa só: tédio. Filhote, vai por mim, isso vai acontecer-te toda a vida.
Nuno