11.11.09

Sint Maarten

11 de Novembro, dia de São Martinho. Em Portugal, nesta data, comem-se castanhas e bebe-se água pé (ou pelo menos assim era no meu tempo, ou melhor, antes da ASAE...).

Na Holanda, celebra-se o Sint Marteen de forma totalmente diferente.

Uns dias antes as crianças começam a preparar os seus lampiões na escola. Os nossos pequenotes fizeram os seus no after school e, o Campeão, também na escola.

O da Miminha:

O do Campeão (da escola):

Dentro destas obras põem-se pequenas lanternas (como a Miminha destruíu a dela, segui o conselho do amigo Pedro e, usei a luz de presença para bicicleta no dela) e, claro que toda a açcão se desenrola ao cair da noite, quando escurece.

Este ano a escola não organizou nada e, assim, juntámo-nos a uns amigos em Amstelveen.

Juntado o grupinho lá foram os meninos empunhando numa mão o lampião e na outra um saco, de porta em porta, a cantar as canções do Sint Maarten.

As pessoas estão em casa preparadas e, quando lhes tocam à campaínha a tradição é serem brindadas com as canções e darem doces (mais comum nos dias que correm) e bolos caseiros secos ou fruta (antigamente).




O bairro onde fomos, por ter muitas crianças, tinha um ambiente muito engraçado. Assim, para além de se colectarem imensos doces (como agora fazer desaparecer parte daquele açucar?) ainda teve uma banda local que percorreu cerca de 30 minutos as ruas (claro que à holandesa, com a polícia a parar o trânsito) e uma longa comitiva de miúdos e seus pais a segui-la.




E finalmente, para não pensarem que estou a exagerar, aqui fica uma imagem dos despojos da guerra

fartaram-se de cantar, divertiram-se bastante e estão agora no sono dos justos provavelmente a sonhar com o banquete de gomas, chocolates, e sei lá que mais!

E assim se abre a época das festividades de Inverno: segue-se o Sinterklass e o Natal.

Patrícia

8.11.09

Foto da equipa

Mais um treino de futebol sob um sol radiante mas desta feita em calções e a uma temperatura de (nem mais nem menos) 3 graus centigrados.
Até doi. Mas ele (e os outros bravos) divertiu-se e marcou bons golos.

Patrícia

Finalmente tem cabelo para rabo de cavalo!



Ainda assim só com a ajuda de 4 ganchos... Lá chegaremos porque cabelo comprido é algo que a Miminha realmente aprecia.

Patrícia

31.10.09

Job hopping

Mudanças frequentes de emprego fazem manter a curva de aprendizagem elevada e os desafios sempre frescos. Claro que as empresas, em especial os recursos humanos, não gostam desta característica de algumas pessoas, mesmo porque muitas vezes procuram pessoas que nao sejam ambiciosas (em sentido lato e não apenas financeiro) que venham propor mudança ou desestabilizar os processos.

Porque conhecido pelo teu job hopping e por saber quanto alguns dias te custam, importa notar que estás há precisamente dois anos na mesma empresa.

Diria que é tempo de pensar em mudar, não vás perder estatuto que ao longo dos anos tens construído.

Patrícia

Cahier de liaison - Miminha

No caderno de ligação entre escola e pais colocam-se desenhos, canções, imagens feitas na escola e, durante as férias, os pais fazem com os filhos algo para depois ser compartilhado na sala de aula.
Nas férias de Toussaint esta foi a produção da Miminha.



Patrícia

Brincar com abóboras

Hoje é noite de halloween. Nunca o celebrámos (ou temos intenção de o passar a celebrar) mas uma vez que tínhamos que comprar abóbora para a sopa, decidimos brincar um bocadinho com ela. Não se julgue que é pêra doce tirar o interior sem danificar o exterior – não fosse a contribuição do Grandalhão e a sopa ficava com muito pouca abóbora… Mas lá terminámos o que nos propusémos e ficou engraçado.

A nossa produção sob o efeito das velas:

Os pequenotes a explorar o interior:

Foi giro! E a vela ainda arde.

Patrícia

Em fato de surf

para não passar frio nas suas actividades aquáticas.

Começa com aquecimento:

Depois treina os movimentos na água e os mergulhos:

Como a Miminha fica tão querida encharcada!

Patrícia

30.10.09

Lisboa

Reproduzo aqui a minha intervenção numa discussão sobre Lisboa no Linkedin.

"Devo discordar do pressuposto de que Roma e Helsínquia são menos periféricos.

Roma é a capital de um país de 60 milhões de habitantes (mais do que o total da Península Ibérica e mais do que a França) cuja economia, embora estagnada há várias décadas, gera suficiente riqueza para justificar a inserção do país nos grupos das economias mais desenvolvidas do mundo. Ainda assim, Milão acaba frequentemente por atrair mais atenção do que Roma, justamente pelo seu posicionamento geográfico (perto de Alemanha, França, Suíça e Áustria) e estratégico – na mente das pessoas é a capital da moda e do design;

Quanto a Helsínquia (na verdade à Finlândia como um todo), é tão ‘vítima’ da perspectiva regional quanto Portugal – vista de fora, a Escandinávia é uma região homogénea com idiossincracias genericamente irrelevantes. A diferença está na capacidade da Finlândia em descobrir nichos: incapaz de competir directamente com as grandes cidades, tem sabido concentrar-se em capacidades distintivas transmitidas com consistência.

Lisboa está fisicamente distante do centro da Europa e sem dúvida a sombra de Madrid e Barcelona é muito forte. Mas não creio que isso justifique o afastamento pois tenho verificado que o país e a cidade são largamente conhecidos. Nos dias que correm a geografia já dificilmente constitui um desafio. O que me parece faltar a Lisboa é uma estratégia de marca, uma imagem coerente, uma mensagem.

O que é Lisboa? Um pouco de tudo, sendo que nada passa para fora. As pessoas vão a Lisboa e, quando regressam, vêm comentar que ficaram surpreendidas com as coisas mais banais. Algumas por evidente falta de cultura mas muitas outras, cidadãs do mundo, porque a mensagem simplesmente não lhes tinha chegado.

Talvez se pararmos de tentar imitar os outros - só nos anos mais recentes tentámos imitar a Irlanda, a Espanha e a Finlândia - e nos concentrarmos nas nossas capacidades distintivas, podemos desenvolver uma imagem consistente da cidade que sirva para a vender ao resto do mundo."

Nuno

29.10.09

Línguas

Importa nesta fase registar a evolução linguística dos pequenotes. Enquanto o campeão prossegue a sua caminhada para o domínio da quarta lingua, a minúscula debate-se com duas novas em simultâneo. Daquilo que nos é dado perceber, deixo em baixo um resumo do progresso de cada um:

DIOGO

Português – com domínio já assegurado quando chegámos à Holanda no princípio de 2007, não mais voltou a ter qualquer apoio formal e toda a sua aprendizagem tem sido feita por via oral (connosco e com a família e amigos aquando das visitas a Portugal) e através dos livros e filmes que trazemos ou lhe enviam de Portugal;

Francês – foi integrado no ensino francês aos 4 anos e meio sem qualquer preparação; entrou a meio do ano escolar para uma turma dominada por nativos ou semi-nativos; começou por utilizar a linguagem gestual para se fazer entender mas ao fim de em 2/3 meses já compreendia o suficiente para se integrar; em 8 meses já se expressava fluentemente; a partir daí tornou-se consistentemente um dos melhores da turma, apesar de nunca ouvir francês em casa;

Holandês – poucos meses depois de começar as aulas no liceu foi integrado no naschool holandês; teve de início o apoio de um colega francês, que lhe suavizou o embate, mas em relativamente pouco tempo já percebia o suficiente para se integrar; quando o colega partiu foi forçado a integrar-se mais com as restantes crianças e o domínio da língua aumentou drasticamente num curto espaço de tempo; hoje exprime-se com fluência e total conforto;

Inglês – a única exposição dá-se no liceu, durante as curtas aulas dedicadas a esta língua e no convívio com os amigos anglófonos; aos poucos o vocabulário tem enriquecido e a sua compreensão tem dados saltos significativos, embora ainda bem distante de qualquer das outras.


CATARINA

Português – quando veio para a Holanda ainda não sabia falar; a sua aprendizagem foi essencialmente feita através da comunicação connosco e com a Narcisa, complementada pela interacção com os familiares e amigos aquando das nossas idas a Portugal e as suas vindas cá; ainda assim é fluente desde muito cedo, tendo adquirido vocabulário suficiente para se expressar com conforto por volta dos 2 anos e meio;

Holandês – foi integrada no infantário holandês com um ano; aprendeu portanto a língua em simultâneo com o português e evoluíu depressa; todo o feedback que recebemos das educadoras foi sempre positivo, tendo também nesta língua adquirido rapidamente uma descontracção atípica para a idade (isto comparando com as crianças nativas, expostas apenas a uma língua); neste momento continua a demonstrar total conforto, embora o vocabulário seja limitado pela idade e pela quantidade restrita de ambientes a que tem sido sujeita;

Francês e Inglês – aqui englobo as duas no mesmo parágrafo pois a evolução é em paralelo e não estamos bem conscientes do seu nível nesta fase; parece estar mais confortável com o inglês, mas isso pode dever-se apenas ao facto de gostar mais da professora respectiva; foi convocada para as aulas de acompanhamento em francês mas não para as de inglês; sem qualquer fundamento ocorre-me que tal possa dever-se ao facto do inglês ser mais parecido com o holandês.

Nuno

24.10.09

As novas aquisições da minha joie de vivre

Para captar a sua visão do mundo:


Ainda no caixote (vejam como está contente a desembrulhá-lo), o computador que servirá para tratar e divulgar as imagens captadas com o "bicho"de cima:


Que te divirtas muito com ambos!!

Patrícia

19.10.09

A eleição

O Campeão foi, esta semana, chamado a, democraticamente, eleger um representante de turma. A função do eleito será representar a turma perante a escola, na pessoa do Director, imagino.

Na primeira ronda o Campeão empatou com a Alix. Foram novamente a votos, e ele ganhou 10 votos contra 8. Sempre soubémos ter um animal politico em casa mas nunca pensei que começasse a sua carreira aos 7 anos de idade.

Tenho tanto orgulho em ti filhote!

Um exemplo de como a política e as eleições não têm de ser uma vergonha... Para não me fazer perder a fé.

Patrícia

Segunda visita a Nova Iorque

Passaram nove meses desde a primeira vez que visitei NY. Naquela altura estava muito frio e nevava. Desta vez, cheguei também domingo, um sol radiante, calor, muitas pessoas na rua. O trânsito em NY é intenso não apenas nas estradas da cidade – com os impaciente taxistas a guiar como se o mundo fosse acabar pouco depois da corrida e ainda quizessem ir fazer algo - mas também nos passeios. O tempo de distância de um sítio a outro é medido consoante o “trânsito pedrestre” esperado para dada hora do dia.

Naquela altura Obama tinha sido recentemente eleito presidente dos Estados Unidos da América. Curiosamente, desta vez, Obama foi recentemente nomeado prémio Nobel da Paz. As minhas visitas parecem seguir-se sempre a um momento interessante da vida do Presidente.

Desta vez vi a estátua da liberdade duas vezes: à chegada, da janela do avião; e, duma sala de reuniao, no trigésimo andar do prédio número 5 da Times Square. Melhor que nada. Parece pequena, no entanto.

Mais uma vez pouco vi da cidade. Circulei apenas entre a quarta e a nona avenida, entre os quarteirões 40 e 57. Mais geométrico seria impossível, perfeito para quem tem um sentido de orientação medíocre como o meu. Aqui não me perco.

Gosto, claro, da quinta avenida. Também gosto do ambiente na Rockefeller Plaza, onde a empresa tem o escritório. Convidaram-me para vir assistir ao “tree lightning” que é um marco de NY e, em especial, da empresa para a qual actualmente trabalho. Poucos dias depois do dia de acção de graças (terceira quinta-feira de Novembro), é colocada nesta praça uma das maiores árvores do país. A árvore é então decorada com as luzes de Natal e é um grande acontecimento quando a iluminam. A área fica restrita, celebridades presenciam o momento, e na empresa comemora-se convidando pessoas para assistir, da janela, ao grande momento. Deve ter a sua graça a julgar pelo entusiasmo com que se fala do evento. A Times Square faz-me sorrir com todos os painéis de neon a enviar-nos flashes luminosos para a cara. Na Broadway anunciam-se todos os espectáculos.

Nos media discute-se com muito afinco o sistema de saúde. Também a epidemia da gripe suína e se se deve ou não vacinar as crianças. Sente-se ainda a crise financeira, não tanto nas lojas, restaurantes ou hotéis mas no que se vê de regulamentação e controlo à actuação das empresas. Obama quer muita reforma. Reforma que está associada à obrigação do Estado de proteger as pessoas, pelo que lhe chamo uma reforma humanista (e que acabara por ser mais cosmética porque demasiada). Mas não há dinheiro para tudo. Acredito (talvez por deformação profissional) que uma medida para obter dinheiro será a introdução do Imposto sobre o Valor Acrescentado nos Estados Unidos da América. Outra consequência inevitável da crise será o controlo de custos, ou melhor, da ajuda financeira que agora os EUA dá a países em dificuldades pelo mundo fora. Veremos.

Outra previsão (provavelmente não muito original) é sobre a língua nos EUA: acredito que em poucos anos o castelhano se tornará língua oficial. O mundo está, claramente, a mudar. Os negros consagraram-se com a eleição de Obama, não me espantaria que um futuro presidente dos EUA fosse de origem hispânica, já que é uma comunidade em franca expansão de influência.

Ainda tenho de mencionar a importância dada ao Halloween. Tudo está presentemente decorado para esse acontecimento: abóboras, bruxas, aranhas... É o sinistro Carnaval deles. Ou seja, até ao Natal são só festas: Halloween, dia de acção de graças, o dia em que a árvore de Natal é iluminada.

Profissionalmente tem a sua graça trabalhar para esta empresa: os almoços e jantares em restaurantes magnificos, reuniões em escritórios de advogados (que seguem o estereótipo dos advogados de NY, exemplo, acordam a meio da noite para verificar o blackberry); a impressionante conferência a que fui organizada pela E&Y; reuniões com big 4 nas quais estou eu e a minha chefe rodeadas por 8 partners, cada um responsável por diferentes países. Impressiona, claro, o poderio e cultura americana do “posso, quero e mando, já”. Mas faz-me questionar até onde posso, acima de tudo quero, ir. Imagino estas pessoas, hoje absolutas escravas de trabalho, daqui a 5 anos “encostadas à box”, com os neurónios queimados, porque o ritmo de trabalho (e ausência de vida) é impossível de manter. Pelo menos assim creio.

E agora vou embarcar, de volta para os meus Tesouros.

Patrícia

17.10.09

Um grande luxo

Uma semana em trabalho em NY. Tal como a cidade, num ritmo frenetico e alucinante de reunioes atras de reunioes, projectos, eventos.

A minha cabeca pode estar aqui comigo porque em casa os meus pequenotes estao acompanhados pelo papa e com os meus pais. Nao fossem eles e estaria, provavelmente aqui, mas com a cabeca do outro lado do Atlantico.

Sempre a ampararem os golpes. Um verdadeiro luxo. Obrigada.

Patricia

5.10.09

Ela insiste


E a meu ver com muito gosto.

Patrícia

4.10.09

Três anos e meio

A Panquica faz, precisamente hoje, três anos e meio. O que ela consegue na sua idade é notável e tem que ser descrito para que mais tarde não façamos confusão.

Fraldas deixou-as há já um bom tempo.

Fala português com perfeita clareza para quem a conheça ou não. Aliás consegue falar ao telefone e ser totalmente compreendida pelo receptor. Holandês não falo mas vejo como ela fala, sem qualquer problema com as educadoras, vizinhos, pessoas na rua, o que fôr. Isto não é de agora. Contrariamente ao mito de que crianças bilingues desenvolvem a linguagem tardiamente, cá está a Miminha para mostrar que não é necessariamente verdade.

Não fosse suficiente para demonstrar a capacidade da Miminha, nas 4 semanas de aulas que passaram aprendeu os nomes dos professores e dos colegas da escola nova. Sabe dizer as cores vermelho, verde, azul, amarelo, laranja, cor de rosa em francês e inglês. Sabe cantar uma canção/jogo em inglês. Sabe dizer (pelo menos) pintura, sapatos, como te chamas, chamo-me, chichi, cocó, jogo, dormir em francês.

Durante o fim de semana cruzámo-nos, nas compras, com uma família que falava francês e ela, sem qualquer comentário da minha parte, resolveu dizer-me que eles estavam a falar francês.

Denota agora uma grande sede pelas regras de boas maneiras. Quer que se lhe leia um livro que temos sobre o tema. Mas a regra só não lhe chega: quer perceber porque é assim.

Esta tarde pediu ao irmão para lhe pôr um jogo de meninas no computador. E jogou, tendo-a ouvido dizer ao irmão que a tentava ensinar, “eu sei como é, eu faço”.

Fez hoje três anos e meio. É formidável.

Patrícia

Mazelas de brincadeiras de irmãos

Estávamos na cozinha a tratar das nossas coisas. Os pequenotes brincavam no escritório. Ouvimos um tremendo PUM, seguido do choro da Panquica e o Campeão, muito aflito, aos berros: "a Mana bateu com a cabeça!". Pois, foi de testa ao chão, fruto da brincadeira dos dois.

Ficou o susto e estes valentes galos na testa.

E eu lembrei-me que, também a brincar com o meu irmão, parti a cabeça.

Patrícia

3.10.09

O menestrel

"Um dia você aprende que...

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo. •.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você é na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida
são tomadas de você muito depressa,
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos
com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós,
mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que você mesmo pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,
e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
mas se você não sabe para onde está indo,
qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência
que se teve e o que você aprendeu com elas
do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia
se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer
que ame, não significa que esse alguém não o ama,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar...
que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."

William Shakespeare

Patricia

27.9.09

Parada do elefante asiático

No Musemplein, encontrámos um museu ao ar livre. Chama-se Elephant Parade e visa sensibilizar as pessoas para o risco de extinção do elefante asiático (umas das características que o distingue do elefante africano é o facto das orelhas serem mais pequenas).

Foram pintados vários elefantes, das mais diversas formas e cores e, algures em Novembro, as obras de arte vão ser leiloadas revertendo os fundos a favor da preservação do dito animal.

A Miminha andou a explorar alguns deles tendo clara preferência por flores e corações...




Gostei do conceito: arte para todos usufruírem ligada a proteção dos animais.

Patrícia

Primeiro treino de futebol

Foi hoje. Às 8.45m de domingo estavámos, Campeão e eu (por clara concessão do Nuno que há-de ser o mais frequente acompanhante aos treinos), no balneário número 10 preparados para começar o treino.

O Nuno pode discorrer mais sobre a organização por detrás disto já que foi ele que a encontrou e tem mantido contacto. Sei que procura novos e talentosos futebolistas e treina miúdos a partir dos 7 anos.

No grupo do Campeão são 11 e, pelo que pude saber muitos deles jogam em clubes e treinam outros dias da semana, há cerca de 3 anos. É um investimento levado muito a sério por alguns pais... Para o Campeão hoje foi a primeira vez que teve um treino de futebol estruturado. Joga, na escola. Joga, no relvado de Magoito com o pai e o tio. Dá, quando em vez, toques na bola.

Os miúdos têm equipamento - patrocinado pela Nike – nós ainda estamos à espera. O treinador é profissional e, no treino que durou cerca de hora e meia, não houve um momento de descanso. Treinam, sobretudo, o controlo da bola nos pés. Correm com ela de um lado para o outro, driblam, levam a bola controlada em percursos predefinidos e chutam, e defendem. No fim do treino jogaram um pequeno jogo.

O Campeão esteve bem. Não, não é nosso desejo que seja o próximo Ronaldo. Gosta do desporto e achámos que faz sentido: é um jogo colectivo (individual já tem a natação) e popular, e o Campeão realmente mostra interesse. Está claramente motivado e quer aprender. Energia não lhe falta. Nunca "encostou" continuando sempre a treinar apesar de no fim do treino me ter dito que tinha sido "cansativo". No
caminho para casa vinha a treinar e já fez o pai prometer que à tarde vão treinar os dois.

Ficam algumas fotos. O Campeão está com o seu equipamento à Benfica que, pelo que sei, se tem portado bem neste início de época. Que seja um bom sinal!



Patrícia

26.9.09

A mais graciosa bailarina



Patricia

Actividades extra-escolares

Setembro é o regresso à escola e às actividades extra-escolares.

Não sou adepta de grandes ocupações porque os miúdos têm de ter tempo e espaço para fazerem o que quizerem (e nos espaço para respirar). Acho que o peso sobre os ombros dos nossos é, aliás, bastante elevado por causa da vida que levamos. Felizmente eles tiram de letra e por isso, merecem ter actividades por eles escolhidas. E são muito clássicas.

A Miminha iniciou-se no ballet. Volta e meia dançava com ela em casa e, como pediu teve, esta semana, a sua primeira aula. Estava absolutamente deliciada. O seu equipamento:

Já o Campeão quer futebolada, pelo que adquirimos as suas primeiras chuteiras para estrear amanhã.
Patrícia

20.9.09

sonho de Verão

E eis que, a modos de cereja no topo do bolo, o melhor Verão desde que chegámos a Holanda se completa com um Setembro a todos os títulos fantástico. Temos passado boa parte do tempo ao ar livre, a gozar as esplanadas e a rara luz desta bela cidade.

Com o mês quase a chegar ao fim ainda praticamente não vimos a chuva e a temperatura média tem rondado os 20 graus. Uma surpresa absoluta para quem se habituou a ver Agosto terminar com ares de Outono avançado. Uma verdadeira verrassing!!!

Nuno

17.9.09

Duas cabeças, duas visões - 2

O que se pode fazer com um queque:


Não é difícil adivinhar qual foi feito pelo Campeão e qual nasceu das mãos da Miminha.

Patrícia

o regresso

Depois de alertado várias vezes pela Patrícia para a minha ausência prolongada deste nosso espaço, fui hoje consultar os posts passados e confirmei que já passaram 2 meses desde que aqui deixei qualquer nota.

Claro que uma boa parte deste tempo foi passada em férias, durante as quais nunca visitamos o blog, mas ainda assim é chocante. Soa a falta de interesse, a alheamento. E no fundo talvez seja, não por achar que deixou de ser importante, mas porque deixou de cumprir uma das suas funções mais importantes: a de muro das lamentações.

Desde a sua criação eu tenho usado o blog como espelho das minhas angústias enquanto expatriado, dissertando sobre temas tão animados como a saudade, os males das sociedades holandesa e portuguesa ou as disputas familiares. Tenho ao mesmo tempo deixado para a Patrícia a componente de reportagem, que tanto interessa a família e os amigos.

Ela tem sido na verdade a alma deste espaço, alimentando-o com relatos do dia-a-dia e fotografias, sem contudo deixar de contribuir com a sua opinião sobre os mais variados temas. E eu tenho resumido as minhas intervenções aos tais considerandos esporádicos, escritos ao sabor da disposição do momento.

Ora acontece que, à medida que progredimos para a aceitação completa da nossa vida aqui, vou tendo cada vez menos pensamentos dignos de nota. Aos poucos deixei de reflectir sobre as diferenças, de questionar as nossas decisões e de sentir saudade. Estou confortável com a nossa posição, já não quereria mudar mesmo que pudesse e encaro com tranquilidade o futuro como vier, sabendo que felizmente está nas nossas mãos.

Por outras palavras, deixei de ter assunto para escrever aqui, pois tudo o resto está deliciosamente coberto pelos posts da Patrícia. E sem querer acabei por me posicionar mais como leitor do que como autor.

Não está certo, este projecto é comum e no futuro vou querer reler os textos e deliciar-me com os pequenos episódios da nossa vida. Por isso vou aplicar-me e voltar a escrever. Tenho apenas que reencontrar o meu espaço.

Nuno

16.9.09

Uma princesa moderna

Quando estive em Lisboa reuni-me com um grupinho simpático de amigos para beber um copo.

Porque tenho a posição de que não quero a minha filha a crescer com algumas histórias completamente ultrapassadas de princesas da Disney, em especial a da bela adormecida, disseram-me que sou “radical” e que devia “deixar a criança sonhar com esse mundo de fantasia”. Escusado será dizer que não me parece que crescer a pensar que “nasci sob um feitiço de uma fada má, me vou picar e adormecer (juntamente com todo o meu reino) e que passado um século um principe me encontrará, apaixonar-se-á por mim e ao me beijar interromperá o feitiço” possa ter algo de positivo.

O Campeão anda a ler agora uma história encantadora e feita para os dias que correm.
Não se perde a ideia de realeza e fadas do mundo fantástico mas a princesa tem um papel activo no seu sucesso. Faz muito mais sentido (mais actual) e é muito mais educativo.

Recomendo. É com estas histórias que vou educar a minha princesa!

Patrícia

Arroz doce

Nunca tive grande gosto pelas tarefas domésticas e lembro-me da minha avó me dizer que iria ser uma péssima esposa exactamente porque não cosia, cozinhava, sabia fazer uma cama “a sério” ou passava a ferro. Dizia-lhe, irritada, que havia de ter dinheiro para pagar a alguém que o fizesse por mim (e continuo a achar que, entre outros, foi e é, uma boa motivação para estudar e ter o meu sustento).

Em Portugal, e depois do Campeão nascer, pus em prática o meu plano de criança: era daquelas privilegiadas que tinha a sorte de ter uma empregada em casa o dia todo. Não tinha de me preocupar com nada (ou muito pouco) da lida da casa.

Mas a vida tem destas coisas e viémos para a Holanda. Durante os primeiros meses fomos acompanhados pela nossa Narcisa que nos assegurava tudo como em Portugal. Cá passou a ser empregada interna. Mas a combinação era por um período determinado de tempo, e a verdade é que ter uma interna significa não ter privacidade…

Acabámos por ficar na Holanda e sem Narcisa ou algo que se lhe pareça porque o conceito tal como o há em Portugal não existe aqui.

Ontem estive a coser uma mochila da Miminha que, logo no primeiro dia de uso, rebentou os elásticos. E agora acabei de cozinhar, pela primeira vez na vida, caldeirada e arroz doce – receita da minha prima – para o jantar. Tudo feito a gosto.

Se estiver tão bom como cheira, fico contente. Por agora contento-me com a reflexão sobre a minha vivencia de diferentes momentos, diferentes atitudes.

Patrícia

12.9.09

Festa de aniversário do Diogo na Holanda

Passado quase um mês sobre o seu aniversário, lá comemorámos com os amigos da Holanda, o sétimo aniversário do Campeão. De recordar que teve uma festa no dia de aniversário, no Algarve; uma segunda festa de aniversário no Magoito, o que fez desta a terceira festa.

Mas está certo. Fazer anos em Agosto não era uma benesse até termos descoberto esta solução. Convidar gente em Agosto para festas era sempre um fiasco. Agora tem os festejos em Portugal e depois, na abertura da escola, uma festa com os colegas, o que já começou a criar tradição: a festa do Campeão a abrir as actividades sociais escolares. Tanto mais que o Campeão convida toda a turma.

Este ano apareceram, para além da mana que foi a primeira convidada e com direito a convite, os amigos: Max; Callum; Maxime; Adrian; Marin; Sylvain; António; Lola; Elena; Julliete; Tara (e seu irmão Elliot que também se juntou à festa); Léa; Elly e; Alix.

Todos pareceram divertidos nas actividades do Little Gym:

- Atirar "a parede" ao chão é um must para o Campeão

- Saltar e dar cambalhotas no insuflável


- Andar na "roleta"



- Abanar o paraquedas

- Soprar as velas e cantar os parabéns em várias línguas

- E ter um verdadeiro ataque de prendas...

Uma festa em cheio!

Patrícia

As dunas de Ijmuiden

Descobrimos um novo passatempo que esperamos vir a fazer bastante em família nos anos vindouros: passear na natureza. Estando na Holanda, há que aproveitar o que o país tem para oferecer, de modo que fomos caminhar pelas dunas de Ijmuiden.

Os pequenotes adoraram. É verdade que tinham companhia, o que torna a aventura mais apetecivel, mas aguentaram-se bem para primeiro passeio. Exploraram a paisagem e fizeram tocas para os coelhos...


E não foram só eles que se divertiram. Para nós também foi muito agradável, ou seja, um passatempo que se pode vir a tornar frutífero para pequenos e graúdos.
A repetir.

Patrícia

5.9.09

Planos

Antes de mais o que é planear? É preparar uma série de acções que nos levarão a um predeterminado objectivo.

Ter planos de vida sempre foi algo que me fez alguma confusão. Acho que sobretudo porque a noção de se pretender saber o que se vai querer a médio/longo prazo contradiz, em si, toda a essência de dinâmica, de devir, que a vida representa. Depois acredito que a vida é, felizmente, bastante mais rica do que a nossa imaginação. Finalmente, os planos nunca correm exactamente como queríamos pelo que novamente estou em crer que o esforço que se coloca no absoluto e detalhado plano é, no minimo, inglório.

Ou então, ainda mais simples, nunca planeei a minha vida por provavelmente nunca saber bem o que queria (pese embora sempre soubesse com clareza o que não queria). Confesso que as pessoas que me diziam o seu sonho ser X e contarem atingi-lo na idade de Y ou daí a N anos, sempre me intrigaram. E há-as, que conheço exemplos delas.

Mas atenção que não sou de todo o protótipo do não ter planos e go with the flow. Tenho programas e planos (e controlo-os da(s) forma(s) que posso) mas não são ”de vida” e são de curto prazo, que são duas enormes diferenças. Aliás, eu não sou eu sem o meu calendário familiar, a minha to do list e todas as outras listas de todo o género!

Como já dizia o filosofo, nada em excesso. Por vezes é bom tê-los (os planos, apesar de os excessos também). Há também quem defenda o sloggan you don't need a plan, you need skills and a problem, que faz algum sentido.

Esta conversa toda para justificar os planos (de curto prazo) que ultimamente temos vindo a fazer. O objectivo sendo sentirmo-nos bem com a nossa vida e tirarmos proveito do facto de estarmos onde e como estamos. As acções são as próprias etapas ou datas.

Talvez isto seja próprio da fase de regresso e recomeço em que estamos. Ou talvez seja um sinal de mudança. Serão afinal só os burros não mudam? A ver vamos.

Patrícia

4.9.09

Primeiro dia de escola - 2009/2010

Quase dois meses de férias esteve o Campeão em Portugal. A Minúscula (que na realidade não honra de todo esta alcunha) esteve em Portugal 5 semanas.

Um parentesis a este post que na realidade é muito mais que um parentesis – MUITO OBRIGADA AOS NOSSOS PAIS – que enquanto avós mais uma vez tornaram memoráveis estas férias para os nossos tesouros. Cada um à sua maneira mas todos contribuindo para que as recordações sejam um enorme sucesso. E são estes momentos que fazem a nossa identidade e que ficam para sempre, sem que, aconteça o que acontecer, nos possam tirar. Nada melhor que momentos felizes em vez de prendas e prendinhas, quero dizer…

Os pequenos vieram, naturalmente, desformatados das férias. Mas, mais pega menos pega, tudo está a ir por onde deve.

Chegamos ao que na realidade quero contar. Dois dias de after school. Um dia da mamã. E o primeiro dia de escola!

Esteve um dia de inverno absolutamente horripilante. Mas não há chuva que os abale: saíram alegres, confiantes e contentes.

Para o Campeão foi o reencontro, sempre muito entusiasta, com os colegas e amigos. Imediatamente se pôs a brincar com este(a) e aquele(a), da sua idade e sexo, mais velho, mais novo. Pouco lhe importa. É, em estado puro, um animal social.

A Minúscula uma nova escola! Surpreendentemente, lá ficou com os seus novos professores (uma fala-lhe em inglês outra em francês) e com os seus novos colegas. Parece-me que é a única na situação de não saber nenhuma das línguas ali faladas. E, no entanto, honrosamente fez parte da minoria que não cedeu chorando com a separação dos pais.

Um luxo.

Patrícia

27.8.09

Flores

Hoje recebi este bouquet de flores do escritório.

É a forma muito holandesa de agradecer. E um agradecimento foi, por ter assumido durante 3 meses uma tarefa que não era minha (cumulativamente com a que é, claro).

Recebi as flores com prazer. E guardarei o gesto e o seu perfume na memória.

Patrícia

20.8.09

Férias de Verão

A primeira semana foi marcada pelo aniversários dos homens da casa: primeiro o Grandalhão, depois o Campeão. Passámo-los no Algarve, no local que visitamos juntos desde 2001.

Sempre que, no Verão, visitamos o Algarve vem-me à cabeça a imagem criada por Saramago, no seu livro A Jangada de Pedra, de que o território de Portugal continental é uma jangada de terra que se destaca do continente e passa a andar à deriva. COmo quem conta um conto acrescenta um ponto, imagino a tal jangada, no Verão, a virar tal é o peso das pessoas que para lá se deslocam, e ir ao fundo a pique. Estranho encontrar os cafés e restaurantes completamente cheios, quando a crise anda na boca de toda a gente.

Estou convencida que a praia faz bem a toda a gente mas para mim, que sempre adorei a praia e o mar, voltar a pôr os pés na areia soube-me especialmente bem.

Sob um calor abrasador, visitámos com muito agrado o castelo de Castro Marim, onde o Campeão sonhava com cavaleiros em tempos de guerra e a Minúscula com as princesas. Resolvemos atravessar a fronteira (que é dela?) com Espanha e fomos dar um mergulho às praias de nuestros hermanos à Isla Cristina. O Campeão dizia que não queria ir a Espanha porque lá "é muito quente". Ficou surpreendido pela positiva porque adorou o parque (com o característico e maravilhoso cheiro a pinheiros no Verão) à entrada da praia e, a temperatura da água do mar mediterrâneo. Já a Minúscula deliciou-se com o banho e deslumbrou-se com as conchas brilhantes que apanhava à beira-mar, na praia.

Voltando atrás à ideia de fronteira e, portanto da linha que delimita e separa os dois países, de referir que se vê os terrenos em Portugal ao abandono, enquanto os espanhóies tratados e a produzir. Em Portugal terra serve apenas para construir, a ideia de que terra também serve para produzir parece ser um conceito obsoleto por aquelas bandas.

Ainda de referir os gostinhos todos com que nos deliciámos, porque na Holanda não se encontram os nossos petiscos.

Bons momentos, para carregar a bateria da alma e mais tarde recordar.

Patrícia

3.8.09

Gozar um pouco de liberdade

Com os filhotes em Portugal a disfrutar da companhia dos avós, tios e primos, parece que o tempo não acaba. Posso esticar as horas que acordo, despachar-me na maior das pazes e, ainda assim, sou a primeira a chegar ao escritório. Posso ser a última a sair, vir para casa, ler um pouco um livro, ver a net, escrever. Chega o Nuno, decidimos se fazemos jantar ou vamos fora. Há tempo para tudo! Seja lá o que fôr... E descanso.

Há também um enorme buraco pela ausência deles. Silêncio.

Mas sabe tão bem ter este tempo. E no fim de semana o tempo parece não ter fim.
Este fim de semana, em Amsterdão, estivémos numa festa fantástica. Amsterdão tem a reputação da cidade liberal. Eu não tenho nada essa opinião. Este foi o fim de semana da gay parade, uma das festas emblemáticas desta cidade. Um dos canais da cidade estava cheio de barcos com gente bem disposta, a beber, a dançar, a cantar. Ao longo do canal, e sobre as pontes, uma moldura humana apinhava-se para ver os barcos.

E à noite a música levou-nos a uma festa de rua. Regulierswarstraat, no Centro. É uma rua de restaurantes, alguns bastante bons. A música estava a bombar, havia várias colunas (com gente a dançar em cima delas, claro) e montes (mesmo montes) de gente bonita e divertida, a dançar. Nos estamos habituados ao Bairro Alto, onde as pessoas gozam o bom tempo enquanto conversam, bebem um copo e ouvem alguma música. Havia isso, boa temperatura, bebida, boa disposição, gente na rua. Só que era muita, muita gente. Música alta, todos a dançar.

A ideia era divertir-se, beber, dançar . E assim fizémos. Soube-me tão bem!

Patrícia

27.7.09

Encontro no feminino

Sempre achei que os meus amigos eram sobretudo do sexo masculino. Tive Amigos. Não que possa dizer que perdi a sua amizade mas perdi-lhes o contacto. Parece que mulher casada se deve relacionar apenas com a mulher do amigo – não questiono que se deva acolher a mulher que o meu amigo escolheu (gostando dela claro, não sou hipócrita para dizer que gosto de todas) mas não faz sentido perder o contacto com o amigo. Isso entristece-me. Não percebo porque tem de ser assim, sempre me recusei a acreditar na teoria de que homens e mulheres não podem ser amigos.

Mais facilmente achava que mulheres não poderiam ser amigas. Eram rivais. Como não compreendia muito bem a maior parte das interações entre raparigas (estilo vamos todas à casa de banho juntas e coisas que o valham) e me dava melhor com rapazes cresci, a achar que era com sexo masculino que me relacionava melhor. Detestava, e detesto, a ideia da referências das meninas: cinderela e bela adormecida. Não dá para fazerem personagens femininas que inspirem valor?

A vida tem destas coisas. Aprendemos que nos enganamos, ou que estavámos enganadas, ou que ainda era cedo para perceber isto ou aquilo, ou que ela nos faz mudar.

Este fim de semana passei-o com a minha amiga Marta (o meu mais que tudo e pequenotes estavam fora) que veio ter comigo à Holanda. Passeámos pela cidade sem stress ou destino. Simplesmente a conversar e disfrutar da companhia, discutir ideias, receitas, ir às compras, falar de experiências, medos, vontades, vidas. E soube tão bem.

Lembrou-me que, na verdade, tenho tido tantas raparigas e mulheres importantes na minha vida: a minha mãe, avó(s) (apesar da lembranca mais forte que tenho é do desgosto da minha mãe quando a dela partiu), tias, prima (tive mais que uma mas que foi embora cedo como os anjos), as minhas amigas Rita e Marta de Magoito, a Inês do meu liceu, a Sara e a Raquel na univerdade, a Manu no Porto, a Marta que esteve comigo este fim de semana e me tem acompanhado desde os tempos do meu primeiro emprego, a minha sogra, as minhas cunhadas (sendo ambas tão diferentes de mim), a Narcisa, a Xanana, a Cice, a Cris, e, mais recentes, a Elizabeth, a Cristina, a Azumi, a Dietlind e, perdoem-me, as que possam ter ficado esquecidas.

E mais que tudo, claro, e evidentemente não esquecida, a minha Miminha. A minha cereja no topo do bolo. Talvez seja ela que me tem feito assumir mais do que é feita a essência do sexo feminino. Gostaria que ela, e todas as elas por esse mundo fora, crescessem felizes por serem mulheres. Há tanta magia e encanto na condição de mulher. Temos tanta sorte por viver nesta época em que sabedoria não é sinónimo de bruxaria, em que somos respeitadas e não ultrajadas, em que podemos aprender e ensinar, em que podemos ter um sustento honesto, capacidade de escolha, em que podemos ser líderes sem ter o coração endurecido. Tempo em que podemos ser guerreiras, sacerdotisas, profetisas, condescendentes, verdadeiras.

Espero que para o ano possa fazer um fim de semana destes e que mais destas maravilhosas mulheres, se juntem. Não interessa a idade. Só a vontade de, divertindo-se, prestar tributo a essas que me são especiais.

Obrigada Marta, não apenas pela companhia no fim de semana mas por teres aceite o desafio e contigo começado esta ideia. Para o ano seremos mais!

Patrícia