26.9.09

Actividades extra-escolares

Setembro é o regresso à escola e às actividades extra-escolares.

Não sou adepta de grandes ocupações porque os miúdos têm de ter tempo e espaço para fazerem o que quizerem (e nos espaço para respirar). Acho que o peso sobre os ombros dos nossos é, aliás, bastante elevado por causa da vida que levamos. Felizmente eles tiram de letra e por isso, merecem ter actividades por eles escolhidas. E são muito clássicas.

A Miminha iniciou-se no ballet. Volta e meia dançava com ela em casa e, como pediu teve, esta semana, a sua primeira aula. Estava absolutamente deliciada. O seu equipamento:

Já o Campeão quer futebolada, pelo que adquirimos as suas primeiras chuteiras para estrear amanhã.
Patrícia

20.9.09

sonho de Verão

E eis que, a modos de cereja no topo do bolo, o melhor Verão desde que chegámos a Holanda se completa com um Setembro a todos os títulos fantástico. Temos passado boa parte do tempo ao ar livre, a gozar as esplanadas e a rara luz desta bela cidade.

Com o mês quase a chegar ao fim ainda praticamente não vimos a chuva e a temperatura média tem rondado os 20 graus. Uma surpresa absoluta para quem se habituou a ver Agosto terminar com ares de Outono avançado. Uma verdadeira verrassing!!!

Nuno

17.9.09

Duas cabeças, duas visões - 2

O que se pode fazer com um queque:


Não é difícil adivinhar qual foi feito pelo Campeão e qual nasceu das mãos da Miminha.

Patrícia

o regresso

Depois de alertado várias vezes pela Patrícia para a minha ausência prolongada deste nosso espaço, fui hoje consultar os posts passados e confirmei que já passaram 2 meses desde que aqui deixei qualquer nota.

Claro que uma boa parte deste tempo foi passada em férias, durante as quais nunca visitamos o blog, mas ainda assim é chocante. Soa a falta de interesse, a alheamento. E no fundo talvez seja, não por achar que deixou de ser importante, mas porque deixou de cumprir uma das suas funções mais importantes: a de muro das lamentações.

Desde a sua criação eu tenho usado o blog como espelho das minhas angústias enquanto expatriado, dissertando sobre temas tão animados como a saudade, os males das sociedades holandesa e portuguesa ou as disputas familiares. Tenho ao mesmo tempo deixado para a Patrícia a componente de reportagem, que tanto interessa a família e os amigos.

Ela tem sido na verdade a alma deste espaço, alimentando-o com relatos do dia-a-dia e fotografias, sem contudo deixar de contribuir com a sua opinião sobre os mais variados temas. E eu tenho resumido as minhas intervenções aos tais considerandos esporádicos, escritos ao sabor da disposição do momento.

Ora acontece que, à medida que progredimos para a aceitação completa da nossa vida aqui, vou tendo cada vez menos pensamentos dignos de nota. Aos poucos deixei de reflectir sobre as diferenças, de questionar as nossas decisões e de sentir saudade. Estou confortável com a nossa posição, já não quereria mudar mesmo que pudesse e encaro com tranquilidade o futuro como vier, sabendo que felizmente está nas nossas mãos.

Por outras palavras, deixei de ter assunto para escrever aqui, pois tudo o resto está deliciosamente coberto pelos posts da Patrícia. E sem querer acabei por me posicionar mais como leitor do que como autor.

Não está certo, este projecto é comum e no futuro vou querer reler os textos e deliciar-me com os pequenos episódios da nossa vida. Por isso vou aplicar-me e voltar a escrever. Tenho apenas que reencontrar o meu espaço.

Nuno

16.9.09

Uma princesa moderna

Quando estive em Lisboa reuni-me com um grupinho simpático de amigos para beber um copo.

Porque tenho a posição de que não quero a minha filha a crescer com algumas histórias completamente ultrapassadas de princesas da Disney, em especial a da bela adormecida, disseram-me que sou “radical” e que devia “deixar a criança sonhar com esse mundo de fantasia”. Escusado será dizer que não me parece que crescer a pensar que “nasci sob um feitiço de uma fada má, me vou picar e adormecer (juntamente com todo o meu reino) e que passado um século um principe me encontrará, apaixonar-se-á por mim e ao me beijar interromperá o feitiço” possa ter algo de positivo.

O Campeão anda a ler agora uma história encantadora e feita para os dias que correm.
Não se perde a ideia de realeza e fadas do mundo fantástico mas a princesa tem um papel activo no seu sucesso. Faz muito mais sentido (mais actual) e é muito mais educativo.

Recomendo. É com estas histórias que vou educar a minha princesa!

Patrícia

Arroz doce

Nunca tive grande gosto pelas tarefas domésticas e lembro-me da minha avó me dizer que iria ser uma péssima esposa exactamente porque não cosia, cozinhava, sabia fazer uma cama “a sério” ou passava a ferro. Dizia-lhe, irritada, que havia de ter dinheiro para pagar a alguém que o fizesse por mim (e continuo a achar que, entre outros, foi e é, uma boa motivação para estudar e ter o meu sustento).

Em Portugal, e depois do Campeão nascer, pus em prática o meu plano de criança: era daquelas privilegiadas que tinha a sorte de ter uma empregada em casa o dia todo. Não tinha de me preocupar com nada (ou muito pouco) da lida da casa.

Mas a vida tem destas coisas e viémos para a Holanda. Durante os primeiros meses fomos acompanhados pela nossa Narcisa que nos assegurava tudo como em Portugal. Cá passou a ser empregada interna. Mas a combinação era por um período determinado de tempo, e a verdade é que ter uma interna significa não ter privacidade…

Acabámos por ficar na Holanda e sem Narcisa ou algo que se lhe pareça porque o conceito tal como o há em Portugal não existe aqui.

Ontem estive a coser uma mochila da Miminha que, logo no primeiro dia de uso, rebentou os elásticos. E agora acabei de cozinhar, pela primeira vez na vida, caldeirada e arroz doce – receita da minha prima – para o jantar. Tudo feito a gosto.

Se estiver tão bom como cheira, fico contente. Por agora contento-me com a reflexão sobre a minha vivencia de diferentes momentos, diferentes atitudes.

Patrícia

12.9.09

Festa de aniversário do Diogo na Holanda

Passado quase um mês sobre o seu aniversário, lá comemorámos com os amigos da Holanda, o sétimo aniversário do Campeão. De recordar que teve uma festa no dia de aniversário, no Algarve; uma segunda festa de aniversário no Magoito, o que fez desta a terceira festa.

Mas está certo. Fazer anos em Agosto não era uma benesse até termos descoberto esta solução. Convidar gente em Agosto para festas era sempre um fiasco. Agora tem os festejos em Portugal e depois, na abertura da escola, uma festa com os colegas, o que já começou a criar tradição: a festa do Campeão a abrir as actividades sociais escolares. Tanto mais que o Campeão convida toda a turma.

Este ano apareceram, para além da mana que foi a primeira convidada e com direito a convite, os amigos: Max; Callum; Maxime; Adrian; Marin; Sylvain; António; Lola; Elena; Julliete; Tara (e seu irmão Elliot que também se juntou à festa); Léa; Elly e; Alix.

Todos pareceram divertidos nas actividades do Little Gym:

- Atirar "a parede" ao chão é um must para o Campeão

- Saltar e dar cambalhotas no insuflável


- Andar na "roleta"



- Abanar o paraquedas

- Soprar as velas e cantar os parabéns em várias línguas

- E ter um verdadeiro ataque de prendas...

Uma festa em cheio!

Patrícia

As dunas de Ijmuiden

Descobrimos um novo passatempo que esperamos vir a fazer bastante em família nos anos vindouros: passear na natureza. Estando na Holanda, há que aproveitar o que o país tem para oferecer, de modo que fomos caminhar pelas dunas de Ijmuiden.

Os pequenotes adoraram. É verdade que tinham companhia, o que torna a aventura mais apetecivel, mas aguentaram-se bem para primeiro passeio. Exploraram a paisagem e fizeram tocas para os coelhos...


E não foram só eles que se divertiram. Para nós também foi muito agradável, ou seja, um passatempo que se pode vir a tornar frutífero para pequenos e graúdos.
A repetir.

Patrícia

5.9.09

Planos

Antes de mais o que é planear? É preparar uma série de acções que nos levarão a um predeterminado objectivo.

Ter planos de vida sempre foi algo que me fez alguma confusão. Acho que sobretudo porque a noção de se pretender saber o que se vai querer a médio/longo prazo contradiz, em si, toda a essência de dinâmica, de devir, que a vida representa. Depois acredito que a vida é, felizmente, bastante mais rica do que a nossa imaginação. Finalmente, os planos nunca correm exactamente como queríamos pelo que novamente estou em crer que o esforço que se coloca no absoluto e detalhado plano é, no minimo, inglório.

Ou então, ainda mais simples, nunca planeei a minha vida por provavelmente nunca saber bem o que queria (pese embora sempre soubesse com clareza o que não queria). Confesso que as pessoas que me diziam o seu sonho ser X e contarem atingi-lo na idade de Y ou daí a N anos, sempre me intrigaram. E há-as, que conheço exemplos delas.

Mas atenção que não sou de todo o protótipo do não ter planos e go with the flow. Tenho programas e planos (e controlo-os da(s) forma(s) que posso) mas não são ”de vida” e são de curto prazo, que são duas enormes diferenças. Aliás, eu não sou eu sem o meu calendário familiar, a minha to do list e todas as outras listas de todo o género!

Como já dizia o filosofo, nada em excesso. Por vezes é bom tê-los (os planos, apesar de os excessos também). Há também quem defenda o sloggan you don't need a plan, you need skills and a problem, que faz algum sentido.

Esta conversa toda para justificar os planos (de curto prazo) que ultimamente temos vindo a fazer. O objectivo sendo sentirmo-nos bem com a nossa vida e tirarmos proveito do facto de estarmos onde e como estamos. As acções são as próprias etapas ou datas.

Talvez isto seja próprio da fase de regresso e recomeço em que estamos. Ou talvez seja um sinal de mudança. Serão afinal só os burros não mudam? A ver vamos.

Patrícia

4.9.09

Primeiro dia de escola - 2009/2010

Quase dois meses de férias esteve o Campeão em Portugal. A Minúscula (que na realidade não honra de todo esta alcunha) esteve em Portugal 5 semanas.

Um parentesis a este post que na realidade é muito mais que um parentesis – MUITO OBRIGADA AOS NOSSOS PAIS – que enquanto avós mais uma vez tornaram memoráveis estas férias para os nossos tesouros. Cada um à sua maneira mas todos contribuindo para que as recordações sejam um enorme sucesso. E são estes momentos que fazem a nossa identidade e que ficam para sempre, sem que, aconteça o que acontecer, nos possam tirar. Nada melhor que momentos felizes em vez de prendas e prendinhas, quero dizer…

Os pequenos vieram, naturalmente, desformatados das férias. Mas, mais pega menos pega, tudo está a ir por onde deve.

Chegamos ao que na realidade quero contar. Dois dias de after school. Um dia da mamã. E o primeiro dia de escola!

Esteve um dia de inverno absolutamente horripilante. Mas não há chuva que os abale: saíram alegres, confiantes e contentes.

Para o Campeão foi o reencontro, sempre muito entusiasta, com os colegas e amigos. Imediatamente se pôs a brincar com este(a) e aquele(a), da sua idade e sexo, mais velho, mais novo. Pouco lhe importa. É, em estado puro, um animal social.

A Minúscula uma nova escola! Surpreendentemente, lá ficou com os seus novos professores (uma fala-lhe em inglês outra em francês) e com os seus novos colegas. Parece-me que é a única na situação de não saber nenhuma das línguas ali faladas. E, no entanto, honrosamente fez parte da minoria que não cedeu chorando com a separação dos pais.

Um luxo.

Patrícia

27.8.09

Flores

Hoje recebi este bouquet de flores do escritório.

É a forma muito holandesa de agradecer. E um agradecimento foi, por ter assumido durante 3 meses uma tarefa que não era minha (cumulativamente com a que é, claro).

Recebi as flores com prazer. E guardarei o gesto e o seu perfume na memória.

Patrícia

20.8.09

Férias de Verão

A primeira semana foi marcada pelo aniversários dos homens da casa: primeiro o Grandalhão, depois o Campeão. Passámo-los no Algarve, no local que visitamos juntos desde 2001.

Sempre que, no Verão, visitamos o Algarve vem-me à cabeça a imagem criada por Saramago, no seu livro A Jangada de Pedra, de que o território de Portugal continental é uma jangada de terra que se destaca do continente e passa a andar à deriva. COmo quem conta um conto acrescenta um ponto, imagino a tal jangada, no Verão, a virar tal é o peso das pessoas que para lá se deslocam, e ir ao fundo a pique. Estranho encontrar os cafés e restaurantes completamente cheios, quando a crise anda na boca de toda a gente.

Estou convencida que a praia faz bem a toda a gente mas para mim, que sempre adorei a praia e o mar, voltar a pôr os pés na areia soube-me especialmente bem.

Sob um calor abrasador, visitámos com muito agrado o castelo de Castro Marim, onde o Campeão sonhava com cavaleiros em tempos de guerra e a Minúscula com as princesas. Resolvemos atravessar a fronteira (que é dela?) com Espanha e fomos dar um mergulho às praias de nuestros hermanos à Isla Cristina. O Campeão dizia que não queria ir a Espanha porque lá "é muito quente". Ficou surpreendido pela positiva porque adorou o parque (com o característico e maravilhoso cheiro a pinheiros no Verão) à entrada da praia e, a temperatura da água do mar mediterrâneo. Já a Minúscula deliciou-se com o banho e deslumbrou-se com as conchas brilhantes que apanhava à beira-mar, na praia.

Voltando atrás à ideia de fronteira e, portanto da linha que delimita e separa os dois países, de referir que se vê os terrenos em Portugal ao abandono, enquanto os espanhóies tratados e a produzir. Em Portugal terra serve apenas para construir, a ideia de que terra também serve para produzir parece ser um conceito obsoleto por aquelas bandas.

Ainda de referir os gostinhos todos com que nos deliciámos, porque na Holanda não se encontram os nossos petiscos.

Bons momentos, para carregar a bateria da alma e mais tarde recordar.

Patrícia

3.8.09

Gozar um pouco de liberdade

Com os filhotes em Portugal a disfrutar da companhia dos avós, tios e primos, parece que o tempo não acaba. Posso esticar as horas que acordo, despachar-me na maior das pazes e, ainda assim, sou a primeira a chegar ao escritório. Posso ser a última a sair, vir para casa, ler um pouco um livro, ver a net, escrever. Chega o Nuno, decidimos se fazemos jantar ou vamos fora. Há tempo para tudo! Seja lá o que fôr... E descanso.

Há também um enorme buraco pela ausência deles. Silêncio.

Mas sabe tão bem ter este tempo. E no fim de semana o tempo parece não ter fim.
Este fim de semana, em Amsterdão, estivémos numa festa fantástica. Amsterdão tem a reputação da cidade liberal. Eu não tenho nada essa opinião. Este foi o fim de semana da gay parade, uma das festas emblemáticas desta cidade. Um dos canais da cidade estava cheio de barcos com gente bem disposta, a beber, a dançar, a cantar. Ao longo do canal, e sobre as pontes, uma moldura humana apinhava-se para ver os barcos.

E à noite a música levou-nos a uma festa de rua. Regulierswarstraat, no Centro. É uma rua de restaurantes, alguns bastante bons. A música estava a bombar, havia várias colunas (com gente a dançar em cima delas, claro) e montes (mesmo montes) de gente bonita e divertida, a dançar. Nos estamos habituados ao Bairro Alto, onde as pessoas gozam o bom tempo enquanto conversam, bebem um copo e ouvem alguma música. Havia isso, boa temperatura, bebida, boa disposição, gente na rua. Só que era muita, muita gente. Música alta, todos a dançar.

A ideia era divertir-se, beber, dançar . E assim fizémos. Soube-me tão bem!

Patrícia

27.7.09

Encontro no feminino

Sempre achei que os meus amigos eram sobretudo do sexo masculino. Tive Amigos. Não que possa dizer que perdi a sua amizade mas perdi-lhes o contacto. Parece que mulher casada se deve relacionar apenas com a mulher do amigo – não questiono que se deva acolher a mulher que o meu amigo escolheu (gostando dela claro, não sou hipócrita para dizer que gosto de todas) mas não faz sentido perder o contacto com o amigo. Isso entristece-me. Não percebo porque tem de ser assim, sempre me recusei a acreditar na teoria de que homens e mulheres não podem ser amigos.

Mais facilmente achava que mulheres não poderiam ser amigas. Eram rivais. Como não compreendia muito bem a maior parte das interações entre raparigas (estilo vamos todas à casa de banho juntas e coisas que o valham) e me dava melhor com rapazes cresci, a achar que era com sexo masculino que me relacionava melhor. Detestava, e detesto, a ideia da referências das meninas: cinderela e bela adormecida. Não dá para fazerem personagens femininas que inspirem valor?

A vida tem destas coisas. Aprendemos que nos enganamos, ou que estavámos enganadas, ou que ainda era cedo para perceber isto ou aquilo, ou que ela nos faz mudar.

Este fim de semana passei-o com a minha amiga Marta (o meu mais que tudo e pequenotes estavam fora) que veio ter comigo à Holanda. Passeámos pela cidade sem stress ou destino. Simplesmente a conversar e disfrutar da companhia, discutir ideias, receitas, ir às compras, falar de experiências, medos, vontades, vidas. E soube tão bem.

Lembrou-me que, na verdade, tenho tido tantas raparigas e mulheres importantes na minha vida: a minha mãe, avó(s) (apesar da lembranca mais forte que tenho é do desgosto da minha mãe quando a dela partiu), tias, prima (tive mais que uma mas que foi embora cedo como os anjos), as minhas amigas Rita e Marta de Magoito, a Inês do meu liceu, a Sara e a Raquel na univerdade, a Manu no Porto, a Marta que esteve comigo este fim de semana e me tem acompanhado desde os tempos do meu primeiro emprego, a minha sogra, as minhas cunhadas (sendo ambas tão diferentes de mim), a Narcisa, a Xanana, a Cice, a Cris, e, mais recentes, a Elizabeth, a Cristina, a Azumi, a Dietlind e, perdoem-me, as que possam ter ficado esquecidas.

E mais que tudo, claro, e evidentemente não esquecida, a minha Miminha. A minha cereja no topo do bolo. Talvez seja ela que me tem feito assumir mais do que é feita a essência do sexo feminino. Gostaria que ela, e todas as elas por esse mundo fora, crescessem felizes por serem mulheres. Há tanta magia e encanto na condição de mulher. Temos tanta sorte por viver nesta época em que sabedoria não é sinónimo de bruxaria, em que somos respeitadas e não ultrajadas, em que podemos aprender e ensinar, em que podemos ter um sustento honesto, capacidade de escolha, em que podemos ser líderes sem ter o coração endurecido. Tempo em que podemos ser guerreiras, sacerdotisas, profetisas, condescendentes, verdadeiras.

Espero que para o ano possa fazer um fim de semana destes e que mais destas maravilhosas mulheres, se juntem. Não interessa a idade. Só a vontade de, divertindo-se, prestar tributo a essas que me são especiais.

Obrigada Marta, não apenas pela companhia no fim de semana mas por teres aceite o desafio e contigo começado esta ideia. Para o ano seremos mais!

Patrícia

25.7.09

Chegada a Portugal

E porque o dia acabando só assim não seria em cheio, ao fim da tarde partiu a Miminha com o papá quido para Lisboa. Radiante porque ía para Portugal ter com o mano e avós. Portou-se muito bem ao que parece mas isso terá de ser o papá a contar, se assim o entender.

Á chegada à Portela, contida, acenou para os avós maternos e tia e, ao pé deles terá dito algo como: há muito tempo que não vos via. Feliz, contente e deliciada por estar em Portugal.

O Campeão, entretanto, apanhava com os avós paternos o avião para regressar das formidáveis férias dos banhos de água morninha do Porto Santo para Lisboa - tanto avião para um só dia!

E o resto não posso eu contar que fiquei em Amsterdão, com a minha amiga Marta, num fim de semana de mulheres...

Patrícia

Dag kikkers!

Em jeito de boa tradição holandesa, quando os meninos partem para um nova escola fazem uma festinha, com direito a bolo e um presentinho para os seus amiguinhos. No fim de semana fomos às compras e lá nos dedicamos a fazer os embrulhos com as prendinhas para os 23 pequenotes que fazem, juntamente com a Cata, parte da sala dos Kikkers.

Como não somos apologistas da quantidade e qualidade dos doces com que os miúdos são bombardeados nestas alturas, fizémos um pacotinho com: um lápis e borracha de um animal no mesmo; autocolantes de madeira; balões; e um boneco para brincar no banho. E assim preparámos as prendinhas para os seguintes meninos: Aurèlie; Bo; Bode; Ella; Famke; Gloria (com quem a Cata sempre acenava de manhã para se despedir de nós e filha de italianos); Ids (este era o grande amiguinho da Cata desde os 2 anos); Jakira (fala espanhol); Keĵe; Loek; Lucas; Max; Midas; Murilo; Romon; Scout; Stjn L; Stjn H; Týn; Victor; Vincent; e Wayne.


Chegado o dia, a Cata quis ir com o seu vestido de princesa trazido pelo papá especialmente de Nova Iorque. De manhã, quando íamos a caminho do infantário ía toda contente pelas ruas com as pessoas a meterem-se com ela "wat mooie princess" diziam.

Lá ficou, e às 15h, já com a minha amiga Marta que entretanto chegou de Lisboa para passar o fim de semana comigo, fomos para o infantário para a festinha da Miminha. Os meninos ainda se estavam a vestir da sesta.

As professoras fizeram-lhe uma linda coroa:

que por lhe estar um pouco larga lhe caía da cabeça.

Prepararam o lanchinho enquanto cantavam canções de despedida à Cata.

Depois comecou a sessão de troca de prendas da Cata para os seus amigos e das educadoras e do Idsje para a Cata. Contaram as educadoras que a mãe do Ids lhes contou que ele lhe terá dito que, se a Cata ía embora tinham de lhe comprar uma prenda (ofereceram-lhe uma fada lindíssima) e fazer um desenho.

As educadoras prepararam um livro com todos os desenhos que a Cata fez enquanto lá esteve, deram-lhe prendas, beijinhos (o Ids em especial estava triste com a despedida da sua grande amiguinha, mas também por outras muito tristes razões), e eles despediram-se múltiplas vezes e com muito carinho


E assim foi a despedida da Cata da sala dos kikkers. Final de uma feliz e sucedida etapa.

Adeus Kikkers obrigada e que o sol brilhe com felicidade para todos vocês.

Patrícia

22.7.09

Cata - conversa de saída do infantário

Sexta-feira a Miminha parte com o pai para Portugal para as suas ansiadas férias de Verão. Também sexta-feira, terá a sua festa de despedida do infantário onde anda desde o ano de idade.

Normalmente, a sua saída para o ensino Holandês seria apenas na altura em que completasse 4 anos (aqui eles funcionam por idade dos miúdos e não por anos civís ou escolares o que faz muito sentido mas exige grande capacidade de gestão - algo que infelizmente não parece ser uma capacidade básica do sistema de ensino português tal como se encontra actualmente) mas, como vai para o ensino francês, começa a nova escola em Setembro (altura em que terá 3 anos e 5 meses).

Ora bem, como vai sair convocaram-me para uma entrevista de saída para me reportarem as suas observações sobre a “Cata” (diz-se Cótá) como lhe chamam no infantário e, que passo a transcrever, traduzir e relatar:

1 – Desenvolvimento motor

A desenvoltura física da Cata é muito boa: anda, corre, pula e salta, trepa e sobe e desce as escadas com total autonomia e usando dois pés alternadamente. Anda em cima de um muro baixinho sem se desequilibrar, brinca em estruturas de escalar, usa com desembaraço o escorrega e anda de bicicleta (embora com rodinhas).

A motricidade fina da Cata é muito desenvolvida: ela serve-se de lápis/canetas para desenhar, pinta dentro dos traços, corta com a tesoura seguindo uma linha; molda, cola, fixa e aplica materiais sem embaraço; tem uma grande capacidade com os puzzles; veste-se, despe-se, calça-se e descalça-se totalmente sozinha; gosta de ajudar os outros miúdos com as suas tarefas, nomeadamente, a vestir-se ou despir-se.

2 – Desenvolvimento socio-emocional

A Cata é alegre, querida, social e divertida. Tem uma boa relação com as professoras e gosta de volta e meia ir ter com elas para lhes falar ou abraçar sem que seja dependende delas. Tem também um bom contacto com os miúdos do grupo e brinca em conjunto com eles. O Ids e a Aya (que saíu há cerca de um mês para a escola por ter atingido os 4 anos) são os seus companheiros de brincadeira preferidos. No entanto, consegue-se distrair sozinha sem que alguem a entretenha, tendo preferência por puzzles e por brincadeiras livres (normalmente que sejam criativas).

A separação dos pais quando a deixamos de manhã é um momento difícil para ela.

Quando briga com outros meninos consegue resolver sozinha a situação. Todavia, gosta de contar à educadora e que ela, se necessário confirme que a Cata está a proceder da melhor maneira: por exemplo, se alguém a incomoda ela diz “niet doen! Afpakken mag niet”.

A Cata tem muita autoconfiança, sabe o que quer e como se impôr. Nao e influenciável resistindo e mantendo a sua posição.

3 – Desenvolvimento da linguagem

A Cata entende todas as perguntas ou instruções que lhe são dadas. O seu vocabulário da língua holandesa é bastante extenso e expressa com clareza o que quer e o que não quer. Fala holandês com pronúncia e por vezes troca as palavras, deram-me o exemplo de ela dizer “eu sou duas pernas” em vez de “eu tenho duas pernas” mas que pensam que isso terá a haver com a influência do português, a sua língua materna. Todos a entendem e parecem não se aperceber destas suas trocas. Ela é a experiência mais surpreendemte que tiveram com miúdos bilingues porque a linguagem se desenvolveu muito cedo (normalmente atrasa-se quando a criança está exposta a mais de uma língua), há uma clara opção por uma língua ou simplesmente não se as entende nesta fase. Falou de dois casos que tem na sala: a Jakira (mais velha que a Cata) que fala perfeitamente espanhol mas o seu holandês é de muito difícil compreensão, e; da Gloria (mais nova de que a Cata) que parece entender o que lhe é dito em italiano e em holandês mas cuja expressão é muito atrapalhada e difícil.

4 – Outras observações

A Cata gosta muito de actividades livres e criativas mas também gosta das actividades de grupo (como jogos e canções, que sabe todas). É muito popular entre o grupo e, sempre entusiasta, “contagia” ou influencia muito positivamente o grupo.

A Cata sabe as regras do ambiente onde se encontra, respeita-as e ajuda o grupo a respeitá-las. A sua única dificuldade é (já não querendo dormir a sesta) ficar sossegada e em silêncio na sua cama deixando que os outros durmam.

A educadora acha que será positivo para a Cata ir para a escola nesta fase, antes que se comece a aborrecer no infantário por falta de desafios. A escola trar-lhe-á novos desafios que ela procura.

E assim foi a conversa.

Patrícia

Porto Santo

Foi ontem, na sombra de um telefonema do meu pai, que o Porto Santo me tocou pela primeira vez. Em consciência pelo menos.

Só ontem veio à superfície o carinho escondido pela ilha da minha mãe, o niquinho de terra dos cheiros e sabores estranhos, o minúsculo paraíso perdido em que me entediava pela falta de agitação a que, menino de cidade grande, desde sempre me habituei.

Ontem, embalado pela voz do meu pai, revivi nos passos do meu filho os meus próprios, criança de poucos anos a passear com os meus pais ao longo do paredão junto à praia. As mulheres a vender uvas acabadas de colher das videiras plantadas a beira-mar, o clima terno, a água límpida e morna, o sotaque profeta, carros contados pelos dedos das mãos, a vida pautada pelas idas e vindas do barco de ligação à Madeira.

Voltei a subir a ladeira para casa da D. Gumberta, aonde fui buscar o bolo do caco acabado de cozer. E voltei a correr para podermos comê-lo quentinho, com manteiga a escorrer, ainda impressionado pelos cheiros marcantes que sempre dominavam aquela casa.

Sofri a angústia da televisão com os 2 únicos canais disponíveis, ambos públicos, em programação de Verão, e revi os campeonatos mundiais de hóquei em patins em que as mesmas 3 equipas dominavam ano após ano e Portugal era sempre um dos favoritos ao título.

Bebi Brisa de maracujá, comi queijadas frescas, passei horas a fio na praia e regressei a casa da minha avó para um duche com cheiro a pátio e um almoço de peixe-espada grelhado, milho frito, feijão verde, aconchegado pelo bolo do caco e regado a água da fonte.

Até ontem não sabia que o Porto Santo me tinha marcado. Talvez seja apenas delírio de emigrante saudosista mas de repente angustiou-me saber que este lugar não existe mais.

Nuno

21.7.09

O encanto de Magoito meu

A noite passada adormeci muito tarde. Estive a acabar o segundo volume do livro “As brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley. Desde que o Diogo foi para Portugal voltei a pegar nos livros e a gozar do prazer da leitura do qual me afastei pela exigência e falta de tempo e energia no dia-a-dia. É uma parvoíce porque desde muito pequena que gosto de ler.

E talvez porque no livro a autora relembra a infância das personagens e um mundo de magia e de pertença, fiquei depois, sem conseguir adormecer, a viver algumas das minhas memórias de infância. E claro, não posso pensar nela sem pensar no Magoito.

Primeiro, sobretudo com os meus avós paternos: dos fins de semana a brincar no campo; da construção da casa dos meus avós; das tardes a caiar os muros e a pintar o portão; a semear arbustos, árvores e plantas; a fazer os murinhos que separavam os canteiros com pedras apanhadas no chão do terreno ou da estrada de cabra e que depois caiava com o meu avô; a brincar com a laica, enorme serra da estrela que era tão grande quanto meiga e me carregava as costas como se fosse um burro. Dela vi nascer uma enorme ninhada de cachoros. Adorava ir para o terreno no fundo da casa onde se avistava nada mais que campo e, ao longe, a torre da igreja de São João das Lampas. Lembro-me de aí correr sempre uma brisa que parecia trazer toda a força e imaginação do mundo. E lembro-me de comer com muito gosto pão de lenha acabado de fazer e tão quente que a manteiga se derretia completamente ao seu contacto. A maior aventura de todas era quando íamos ao “rio da mata”, por caminhos pouco ou nada frequentados e onde, uma vez, por ir a desbravar caminho, quebrei na passagem o fio de uma aranha e fiquei com ela na minha barriga – apanhei um susto tão grande que ainda me lembro perfeitamente que tinha o tamanho de uma avelã, de corpo gordo e um desenho amarelo nas costas.

E é claro, a praia onde o mar muito raramente é manso e muitas vezes, nas marés vivas, vinha embrulhada nas ondas até junto da areia. Sempre em mutação – ora com alguma areia ora com nenhuma. A praia que conheço desde sempre e da qual até os nomes das rochas sei. E antes da praia os diferentes caminhos que percorria para lhe chegar. Na infância, quando ia a pé com a minha mãe, irmão (e às vezes primos), lembro-me sempre de irmos a cantar os três soldados malucos que agora canto com os meus filhos. E, já na adolescência, tantas e tantas vezes acompanhada, pela minha prima.

No início da minha adolescência os meus pais compraram aquela que viria a ser a nossa casa de fins de semana e de férias. No ano em que a compraram (e lembro-me da primeira vez que a visitaram), não passava de uma barracão ao fundo do terreno completamente coberto de capim, onde o Fritz, meu cachorro de, na altura apenas uns mesitos, saltava feliz como uma lebre: só se via as orelhas da bola de pêlo preta aos saltos no meio da erva alta e meio seca.

Ainda hoje confesso que a casa em si não é o meu lar. Apesar dos momentos inesquecíveis à lareira ou dos fins de tarde a ler um livro no meu quarto onde entra(va) um sol gostoso e, claro, as inúmeras festas (com pais e/ou sem pais) e reuniões que ali sempre se viveram.

Mas o terreno, ou jardim e horta, seja o que lhe queiram chamar, estão indelevelmente ligados a mim. Estão porque acompanhei ali muito (claro que menos nos últimos anos). Porque sei a história por trás das coisas: porque a relva não é totalmente direita? Porque o Fritz(oquinha) adorava brincar com pedras, sobretudo na parte mais chegada ao piso de mármore e onde mais estávamos depois dos banhos de piscina e deixava, no momento em que a relva foi plantada e cresceu, pequenas covas por escavar as suas pedras. Dizíamos que noutra vida devia ter sido arqueólogo, tal era o seu prazer com as pedras! E lembro-me dos eucaliptos pequenos (pois não impressiona porque crescem muito rápido) mas impressiona se falar nos pinheiros (um bravo, um que eu chamo de nórdico e que no Natal os meus pais sempre enfeitam e, dois mansos) que ali foram plantados por nós e não tinham mais de um palmo de altura e que, agora, a sua sombra se tornou tão grande que todos os anos têm de ser podados para não tirar sol à casa e à piscina.

Os arbustos que percorrem o caminho que leva do portão a casa e onde sempre esfreguei as mãos para nelas ficar o seu aroma. As árvores de fruto, algumas das quais compravámos nas feiras ou nas lojas de plantas e que eram sempre a minha primeira ronda de cada vez que chegava, as batatas que plantámos e colhemos, e as cebolas, alhos, cenouras, feijão verde, tomate, abóboras, melâncias, melões, meloas, morangos, favas, ervilhas, alfaces, couves, e sei láo que mais que eram a produção da casa, e assim soube sempre que não, as coisas não vêm do supermercado ou estufa. E as flores, em especial as rosas com o aroma absolutamente maravilhoso. E finalmente, a buganvília, naquele tom intenso de rosa cerise, que hoje borda o alpendre e que está sempre tão carregada de flores e dá um encanto incomparável ao alpendre casa.

Quando me perguntam de onde sou digo sempre que sou Lisboeta ou “alfacinha de gema” mas, na verdade, a minha terra, aquela de que fala a Scarlet O’Hara no filme “E tudo o vento levou” é Magoito. Estão, em cada cantinho, tantas e tantas deste cheirinho das memórias do meu Magoito (que há-de ser diferente do de todos os outros) que ontem, com muito carinho, recordei.

Patrícia

18.7.09

Em busca de explicação genética (ou outra) na parecença por género

Aos olhos da família (nuclear e alargada) o Campeão e a Minúscula têm sido vistos como réplicas nossas. O Campeão em parecença e em feitio é muito semelhante ao Grandalhão, toda a gente o diz. E o Nuno consegue ler os comportamentos e sentimentos do Campeão fazendo analogias com o seu modo de estar na vida. A Minúscula chamo, por vezes, mini me. Os meus pais dizem que, para além da semelhança física (e há fotos minhas na sua idade que comprovam que de facto somos iguazinhas na mesma idade), os comportamentos da Quiducha são, em tanto, semelhantes à sua experiência comigo.

Estas supostas semelhanças têm-me intrigado imenso. Será que, de facto, cada um dos pequenotes é uma fiel cópia de cada um de nós? Faz sentido que as semelhanças físicas sejam com o progenitor do seu género, mas porquê as formas de encarar a vida? Se procurar semelhanças do Campeão comigo não as encontro. Dizem que tem a minha expressão, o mesmo modo de olhar, a cor dos olhos. Acaba aqui a evidência de que é meu filho. E as da Minúscula com o Nuno? Consigo enumerar o facto de ser alta e ter as pestanas longas, isso vem do lado do pai... E sim, bem que lhe podem fazer os testes de ADN, ela é filha dele.

Quanto a semelhanças com outros membros da família, eu associo alguns comportamentos do pequenote ao meu irmão ao passo que o Nuno associa os comportamentos da pequenota à sua irmã... Normal, acho, porque é a nossa maior experiência do ser pequeno noutro sexo...

Talvez seja sempre assim, apesar de estar convencida que os filhos são normalmente um espelho do cruzamento de génes com maior influência de um deles. Mas não me lembro de ouvir os meus pais dizerem que eu ou o meu irmão éramos os seus retratos fiéis. Gostaria de entender melhor. Espero que os meus filhos sejam muito felizes mas não sou de opinião que eu estou acabada e que eles (neste caso ela) poderá alcançar aquilo que não fiz, pelo que não olho para ela como a minha tábua de salvação, como estou em crer que alguns pais fazem, ela é muito, só e toda ela. Tenho a certeza que o Nuno comunga esta minha opinião.

O que será então que nos faz aparentemente tão semelhantes? Onde estão os meus génes no Campeão? E o que fica no Campeão da convivência comigo? Os valores e regras? A cultura? As percepções? O grande Amor que nos une? Nao é pouco, bem sei.

E, no entanto, consigo ver algumas semelhanças entre o Campeão e a Minúscula.

Talvez um dia alguém me explique este grande mistério.

Por agora fica a imagem de um adulto e um pequenote, um do sexo masculino e um do sexo feminino. Porque, seja como for e nas possíveis combinações a quatro, é de mão dada que andamos pelos caminhos da vida.

Patrícia

15.7.09

Mulheres às compras

Hoje foi mais um dia da mamã (quartas-feiras fico em casa com os pequenotes – privilégios de viver na Holanda) mas, desta vez, sem Diogão.

Para prevenir crises, o Grandalhão sugeriu esta manhã que fosse com a Miminha para uma sessão de shopping terapy, vulgo, compras. Num aparte, sim é verdade que o meu Amorzão me incentiva para ir às compras, ao contrário da regra geral dos maridos que gostariam que as suas mulheres se contivessem um bocadinho mais. E assim foi, propus-lhe umas compritas. Ela imediatamente aceitou - e assim começa a nossa história, que alegremente antecipo longa, de sessões de compras a duas. Promete!

Esta foi a minha primeira aquisição a conselho da Miminha. Na escolha de um bikini, ela ajudou-me a decidir por este: rosa às florezinhas.


Patrícia

Historias das férias de Verão - I

1 - Recado

Os meus pais pediram hoje ao Campeão para fazer um recado que consistia em ir comprar 3 ou 4 bolinhas de pão à padaria, ou melhor, ao pão quentinho. Inicialmente relutante, lá foi enquanto o esperavam no carro à porta da loja. Saiu contente, com a encomenda e o jornal A Bola para o avô, que decidiu trazer de sua iniciativa.
Viva o luxo!

2 - Mousse de chocolate

A bisavó Carlota faz a reputada mousse de chocolate da família. Como o Campeão gabou a mousse do fim de semana, carinhosamente a avó se pôs na cozinha, e lá lhe fez mais uma mousse. Acontece que o Campeão vai agora para o cuidado dos avós paternos e por isso disse à avó Carlota »não há problema. Sabes onde a minha avó paterna mora? Então podes lá ir levar a mousse». Valha-lhe a resolução sempre pronta!

3 – Courgette

Uma das actividades da escola para as férias do Verão é plantar uma courgette. Assim, foram distribuídos a todos os meninos sementes de courgette para as plantarem durante as férias. O menino(a) que tiver a maior courgette (pois começam cedo as medições... já sei a piada que aí vem), ganha um prémio para toda a classe. O Campeão plantou a sua em Mag8 e parece que a courgette já despontou da terra. Vamos ver o que vale o solo português...

Patrícia

cor-de-rosa

Pela boca morre o peixe. Um dizer bem português e muito usado lá em casa.

Pois bem, o peixe desta vez somos nós. Que tanto criticámos o cor-de-rosa e nos vemos agora espectadores impotentes da captura da nossa filha por uma aberrante mistura de vermelho e branco, que invade os cérebros de criancinhas desprevenidas (na grande maioria do sexo feminino) e as transforma em seres desprovidos do mais elementar senso comum.

Traduzindo, a Catarina tornou-se numa cor-de-rosa-ólica. Seja o que for, tem que ser cor-de-rosa. E nós, que sempre rejeitámos sujeitar-nos à tirania social, vemos sistematicamente rejeitadas as tentativas de introduzir variedade cromática no dia-a-dia da nossa filha.

Escusado será dizer que isto dá azo às histórias mais engraçadas. E a melhor deu-se recentemente com um pacote de M&M que eu trouxe de uma das minhas viagens: a Catarina seleccionou meticulosamente os cor-de-rosa, comeu apenas esses e deixou os outros na caixa sem mais ter voltado a perguntar por eles.

Nuno

11.7.09

Obama no Gana

Estes são tempos inspiradores e excitantes que vivemos. Hoje, o Presidente dos Estados Unidos da América visitou a Republica do Gana onde, novamente, deixou um discurso em registo positivo e de confiança.

"Here in Ghana, you show us a face of Africa that is too often overlooked by a world that sees only tragedy or the need for charity" Obama disse. "That is the change that can unlock Africa's potential. And that is a responsibility that can only be met by Africans." Outras frases ou expressoes notaveis:
- Fighting among faiths and tribes" must end for progress to begin
- Africa needs "opportunity for more people"
- Africa's diversity should be a source of strength, not a cause for division"

Quantas vezes ouvi isto nos ultimos dois anos, nas conferencias e eventos em que participei quando trabalhei no grupo do continente africano e quanto nisto acredito.

Gosto. Gosto do registo, da imagem e, acima de tudo da mensagem.

Que África possa beneficiar da inspiração e construir paises em que as pessoas vivam com dignidade. E que eu possa assistir a essa mudança.

Patrícia

10.7.09

Dorme bem



Meu princípe do mundo, meu cavaleiro de luz.

Patrícia

Absolutamente reconhecível

Não estou lindíssima? A Miminha desenhou-me. Obra inteiramente dela. Os pormenores, para a pequenota de 3 anos e 3 meses não estão nada maus, até me favorece.
Adorei o desenho!

Patrícia

8.7.09

Intensa

É a palavra que melhor caracteriza a Miminha. Ela é intensidade em forma de pessoa e põe-na em tudo o que faz.

Patrícia

Triângulo conjugal

Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe (e o pai mas vou escrever isto em nome da mãe que é o que sou) e a(s) avó(s) representam, em relação ao pequenote, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante. A mãe tem todas as vantagens da presença constante. Dorme perto dele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Aconchega-o de noite. Tenta sempre passar a informação do que vai acontecer a seguir, para o preparar. Contra si tem o cansaço da rotina, a obrigação de educar e o ónus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora noutra casa com regras tão diferentes e sempre flexiveis porque "é uma ocasião especial". Traz, em todos os momentos, presentes. Faz coisas não rotineiras e programadas. A avó leva a passear, "nunca ralha". Deixa lambuzar de gelados. Não tem a pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

Umas férias passadas em sua(s) casa(s) é uma deliciosa fuga à rotina e disciplina materna, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido...

E o misterioso entendimento que há entre avó(s) e neto, na hora em que a mãe perde a paciência e o castiga, e ele olha para a avó, sabendo que, se não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade e apoio... Além é claro das compensações....

Numa coisa imagino-nos iguais: o olhar das outras mães e avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do meu maravilhoso filho.

Todos os papéis tem a sua importância e singular peso na harmonia e sensação e certeza de que o filhote é muito amado. Estou certa de que daí vem parte da sua contagiante alegria. De modo que tenho de engolir o sapo e agradecer à(s) "amante(s)".

Patrícia

7.7.09

Educar uma mulher é educar uma nação

Se tivesse de escolher uma causa, escolheria a igualdade, entre géneros, pelo direito à educação. Diz o ditado que quem educa uma mulher educa uma nação. Isto pode parecer feminismo empolado mas não o é.

Dizem os estudos e estatísticas que o contributo das mulheres educadas é crítico na prevenção de mortes prematuras e doenças e, no desenvolvimento da economia. Por cada 3 anos de estudos, a probabilidade de ter uma família menos numerosa mas mais saudável, a aposta na correcta nutrição e educação, aumenta exponencialmente.

Por isso tenho de louvar esta iniciativa das Nações Unidas a favor da educação das meninas e raparigas em www.ungei.org.

Não que tenha muito que me queixar, apesar de saber que teria mais hipóteses de progressão na carreira se fosse homem, e que sobre isto não restem dúvidas, mas aceito a progressão que tenho porque é compensada com qualidade de vida e tempo para a minha família.

Que os meus filhos cresçam educados e com a noção de igualdade de géneros no que respeita à educação. Que entendam também que os géneros são naturalmente diferentes e aportam diversas vantagens e desvantagens em diferentes ocasiões. Assim é a vida.

Patrícia

Agarrada ou crackberry


É a única expressão que me vem à cabeça. E que me têm já dito algumas vezes, seja o Nuno ou os miúdos "agora não podes largar isso?".

Agarrada às novas tecnologias. Agarrada ao e-mail e ao Blackberry. Como se deles viesse a sensação de controlo e domínio da situação em cada minuto e, como sou uma control freak, nada mais apropriado, como é fácil cair na tentação de ir ver o que se passa quando a luz vermelha pisca.

Estou algo ansiosa para ver como vai ser nas férias porque deveria afastar-me pela necessidade de pausa em prol da sanidade mental... mas por outro lado vai estar à mão de semear.

É um vício. E grande. E como tal não pode ser bom.

Patrícia

5.7.09

E lá foi o Campeão

para 2 maravilhosos meses de férias em Portugal continental e ilhas. Novamente sózinho e desenvolto.

Tudo correu bem e à chegada lá tinha os avós e provavelmente tios e primos (?). Mais ainda não sei, apenas que nestes dias sinto sempre alguma tensão entre o tempo em que o deixamos no aeroporto e o tempo em que o ouvimos à chegada a Lisboa.

Não choro, como lá estava uma mãe hoje. Coitado do filho dela, só pode ficar mais nervoso se parte com a imagem da mãe a chorar... Mas fico com o coração do tamanho de um passarinho e a bater na versão assustada. Mais um cabelo branco, para a colecção de "medalhas de mãe".

Patrícia

2.7.09

Dor de cotovelo

O Diogo prepara-se para 2 meses de férias em Portugal. E eu a roer-me de inveja. Neste caso nem é Portugal que me atrai, invejo apenas os 2 meses de descanso mental: nem um "tenho que" pela frente!

Eu lido bem com o envelhecimento mas este aspecto faz-me voltar a querer ser criança. Como eu adorava as férias...

Nuno

A minha praia


Eu sei que há melhores, mais bonitas, mais limpas, com melhores acessos, com mais serviços e mais bem frequentadas. Admito também que devemos manter a mente aberta para novas experiências, com ou sem praia, e que no fundo até gosto de vivê-las.
Mas esta é a única praia que alguma vez será minha. Mesmo que seja de muitos outros. Porque eu, nem de longe um grande adepto de praia, sonho com esta todos os dias do ano.
Ao som deste mar a bater nesta areia vivi momentos fantásticos. Cada vez que, depois de um ano sem aqui vir, sou preenchido pelos cheiros e sons que emanam da beira-mar e das rochas, sou inteiramente feliz e lembro-me da importância de ter sítios aos quais criemos laços emocionais eternos.
Nuno

1.7.09

Lola

Hoje, último dia de aulas do Campeão, o "play date" foi diferente: não foram meninos mas meninas que vieram brincar. A Lola foi da turma do Campeão durante o ano, e a sua irmã, mais nova veio por acrescento.

Para mais tarde recordar, note-se que os cadernos deste ano da Lola tinham "Diogo écrit partout", segundo os pais dela. Quer dizer que a Lola tem excelente gosto está visto!

As brincadeiras foram, claro, diferentes. Jogos, vestir e despir os fatos de princesa da Miminha, quiseram pôr os brincos de colar que dei à Miminha, e apesar de serem mais contidas no espaço, as meninas também requerem muita atenção. Também cansativo.

Fica uma foto de mais uma actividade do "dia da mamã": as pinturas de pokémon nas mãos da "trupe".



Patrícia

24.6.09

Preparativos para as férias

Ainda há mais uns diazitos de aulas se bem que acho que será a preparação para a festa do fim de ano da escola, e também de adeus ao estabelecimento. A escola vai mudar de localização. Por isso os próximos dias serão ensaios dos espectáculos que prepararam para os pais, e arrumação das salas e materiais.

A avaliação está feita (ver post anterior).

Assim, é dia de começar a preparar as férias. A burocracia (documentos, papelada, bilhetes) está toda tratada. De modo que vamos tirar a mala do fundo do armário, limpar-lhe o pó e começar a preparar a bagagem (e o seu portador) para as férias de Verão em Portugal.

Está ansioso, tal como a Miminha, mas ela irá um pouco mais tarde. Por hora fica a beneficiar dos privilégios, mimos e atenção de filha única.

Patrícia

Final do ano lectivo 2008/209

Este foi o primeiro ano de alfabetização do Diogo. Como sumário, regra geral, o Campeão confirmou as competências que devia ter adquirido este ano/nível na CP. Tem alguns pontos a reforçar mas está preparado para passar ao nível seguinte: CE1.

Vou colocar todos os items estudados, e as avaliações que teve durante o ano.
Domínio da linguagem verbal
Comunicação
O aluno sabe ou é capaz de:
- Exprimir-se de forma compreensível – A;
- comunicar em diálogo e em grupo - A;
- dizer de memória um texto - A;

Domínio da linguagem de evocação
- Reportar uma história ou acontecimento - A;
- Resumir, explicar, comentar e descrever - B;
- Ditar um texto ao professor - A;

Leitura e escrita
- Localizar a leitura numa frase - A (avaliado no 1.º trimestre);
- Distinguir fonemas – A (avaliado nos 1.º e 2.º trimestres);
- Distinguir palavras, silabas, letras - A (avaliado no 1.º trimestre);
- Decifrar palavras novas - A (avaliado no 2.º trimestre);
- Ler em voz alta um texto preparado (respeitando a pontuação e a entoação) - B+;

Interpretação
- Identificar diferentes suportes escritos, diferentes tipos de texto - B;
- Localizar o índice (título, autor) e localizar-se no livro - A (avaliado no 1.º trimestre);
- Compreender um texto lido pelo professor - A (avaliado no 1.º trimestre);
- fazer um sumário das ideias essenciais de um texto lido pelo próprio - B+;
- utilizar a biblioteca – não avaliado;

Vocabulário
- Distinguir, de acordo com o contexto, o sentido particular duma frase ou expressão - não avaliado;
- Reconhecer a família das palavras pela sua forma - não avaliado;

Ortografia
- Copiar uma frase, um texto sem erros - A (avaliado no 1.º trimestre);
- Escrever o que lhe é ditado respeitando a fono/grafia - B (avaliado no 2.º trimestre);
- Escrever sem erros as palavras de uso corrente - A;

Gramática
- Identificar uma frase - A;
- Distinguir os diferentes tipos de frase - não avaliado;

Escrita
- Reconhecer as diferenças gráficas duma mesma letra e palavra - B (avaliado no 1.º trimestre);
- Escrever de forma legível e respeitando as regras da escrita – B (avaliado nos 1.º e 2.º trimestres);
- Começar a utilizar as letras maiúsculas - A (avaliado no 2.º trimestre);

Produção escrita
- reconstituir uma frase com um modelo – A (avaliado no 1.º trimestre);
- reconstituir uma frase sem modelo - A (avaliado no 1.º trimestre);
- redigir uma frase - B- (avaliado no 2.º trimestre);
- redigir um texto curto - B- (avaliado no 2.º trimestre);

Matemática
Numeraração
- Enumerar e quantificar - não avaliado;
- Contar até – 99 (em francês já testemunhei - com muita paciência - o campeão a contar até mil. Mas a lógica é que só têem de saber contar até 99 logo é o número que a professora coloca);
- Organizar objectos, classificá-los e comparar grupos - não avaliado;
- Conhecer dobros e metades - B;
- Organizar números, compará-los e classificá-los - A (avaliado nos 1.º e 2.º trimestres);
- Comparar formas diferentes de escrever o mesmo número - A-(avaliado no 2.º trimestre);
- Associar a escrita numérica e por extenso do mesmo número - A;
- Compreender o significado de diferentes maneiras de escrever um número - A;

Cálculo
- Cálculo mental - A (avaliado nos 1.º e 2.º trimestres);
- Utilizar diferentes procedimentos de cálculo e adição, subtracção e multiplicação - não avaliado;
- Dominar a técnica operatória da adição - A;

Geometria
- reproduzir um algarismo - A (avaliado no 1.º trimestre);
- utilizar uma tabela de entrada dupla – A;
- codificar e descodificar um trajecto – A (avaliado no 1.º trimestre);
- reconhecer figuras simples - A;
- se localizar e/ou se deslocar em conjunto - A (avaliado no 1.º trimestre);
- utilizar algumas técnicas e instrumentos (réguas, compassos, etc) - não avaliado mas ele utilizou a régua durante o ano;

Resolução de problemas
- procurar informações úteis - não avaliado;
- justificar escolhas e expôr os resultados - não avaliado;
- saber resolver um problema - A (avaliado no 2.º trimestre);

Medidas
- comparar e utilisar medidas de comprimento e peso - A (avaliado no 2.º trimestre);
- utilizar a moeda - A (avaliado no 2.º trimestre);
- utilizar a régua graduada - não avaliado;

Vida em conjunto
- conhecer as regras simples de vida em grupo – A;
- responsabilizar-se – A;
- compreender as noções de liberdde, igualidade e tolerância - não avaliado;
- compreender e guardar algumas regras simples de segurança rotineira - não avaliado;
- conhecer os simbolos de França e dos Países Baixos - não avaliado;

Descoberta do mundo
No domínio do tempo
- Distinguir o passado recente do passado mais distante - A;
- Situar e utilizar a localização no sentido cronológico - não avaliado;
- Comparar os modos e locais de vida de diferentes gerações - B;

No domínio do espaço
- Localizar-se e situar-se num espaço familiar. Elaborar e/ou tilizar uma planta simples - A (avaliado no 1.º trimestre);
- Saber situar França, os Países Baixos, a Europa e outros continentes sobre um mapa mundo - A (avaliado no 1.º trimestre);
- Reter alguns aspectos da diversidade da vida animal e vegetal bem como dos habitats - A (avaliado no 2.º trimestre);
- Utilizar um vocabulário preciso - não avaliado;

Matéria e tecnologia
- Identificar os estados e propriedades duma matéria - não avaliado;
- Manipular e utilizar técnicas simples - não avaliado;
- Utilisar um computador e conhecer algumas funções de base - não avaliado;

No mundo da vida
- Diferenciar o vivo do não vivo - não avaliado;
- Conhecer manifestações de vida animal e vegetal e referir-se a critérios de classificação (ex. deslocação) – A (avaliado no 2.º trimestre);
- Reconhecer as grandes funções do corpo humano (movimento, crescimento) - não avaliado;
- Conhecer as diferentes características dos 5 sentidos - não avaliado;
- Compreender e respeitar regras de higiene - B (avaliado no 2.º trimestre);

Educação artística
Educação musical
- Cantar canções simples - A (avaliado no 2.º trimestre);
- Participar em actividades com instrumentos - A (avaliado no 2.º trimestre);
- Escutar um registo sonoro - A (avaliado no 2.º trimestre);
- Localizar e memorizar alguns elementos musicais - A (avaliado no 2.º trimestre);

Educação visual
- Escolher aplicar uma técnica para fazer uma produção pessoal – A (avaliado no 1.º trimestre);
- Provar criatividade e imaginação - A (avaliado no 1.º trimestre);

Educação física e desportiva
- Exprimir-se com o corpo – B (avaliado no 2.º trimestre);
- Participar em jogos de oposição e jogos colectivos - A (avaliado no 1.º trimestre);
- Participar em actividades atléticas e ginastas – A (avaliado no 1.º trimestre);

Comportamentos e métodos de trabalho
- respeitar as regras da escola e da sala – A;
- estar atento e concentrar-se na realização de uma tarefa – A-;
- trabalhar a um ritmo satisfatório – A;
- ser cuidadoso com o seu trabalho – B;
- compreender o trabalho – A.

Bom trabalho tanto em inglês no qual teve A- quanto em holandês onde teve A.

A professora dele escreveu Diogo vient de passer une très bonne année em CP. Il faudra continuer ainsi em CE1. Disse-nos que não precisava de fazer uma reunião só connosco (como está a fazer com os outros pais) pois nada mais teria a dizer que ele esteve muito bem, trabalha bem, é empenhado e aprende sem qualquer problema aquilo que lhe é transmitido.

Começou muito bem a escolarização. Não se pense que é assim tão fácil. Sabemos de pelo menos 3 casos num total de 16 alunos da turma, no qual foi sugerido aos pais a repetição do nível CP.

O Diogo tem-me feito crescer uns números de orgulhosa que me deixa.

Agora às férias de Verão, que bem merece!

Patrícia

22.6.09

o mundo matrix


Na empresa para a qual trabalho as viagens fazem parte da nossa rotina. A maioria dos meus colegas é platina, ouro ou algo equivalente em pelo menos uma companhia aérea.

Já não é reflectido, muito menos apreciado, quase nada desejado. É um hábito, pouco mais do que a deslocação diária de casa para o escritório. O aeroporto é um sítio incómodo mas familiar, como a casa de um parente distante que somos obrigados a visitar nas festas de família.

Para mim, que nunca tive especial atracção pelas viagens, tudo isto é pouco mais que irrelevante. Encaro o tema com dose razoável de indiferença e concentro-me nas tarefas. Não sou turista, sou um trabalhador momentaneamente deslocado.

Mas acontece quebrar essa regra. Há sítios aonde vou por gosto, onde é difícil separar o dever do prazer. Aconteceu no Brasil, onde me impressionei e encantei com o Rio; em parte em Nova Iorque, porque foi a minha primeira vez nos EUA; e repete-se sem excepção cada vez que vou a Lisboa.

Quando vou em trabalho a Portugal, o que só aconteceu 2 vezes, sinto-me responsável por mostrar ao mundo a nossa alma. Vejo os meus colegas ou clientes como hóspedes e crio expectativas fantásticas sobre a sua reacção, que no mínimo será de exaltação perante tais bom gosto e bem-estar.

Nada se passa assim. Eles, cidadãos do mundo, já viram bem melhor e não se impressionam com pouco. Olham para a nossa terra como olham para outra qualquer, tal como eu faço quando preparo as minhas viagens e desenho nos mapas digitais os trajectos.

E aí me apercebo que não é absoluto o charme, que apenas está nos meus olhos. Só eu sei traduzir o que vemos em pura beleza.

Só eu (e outros como eu), pois revejo em cada esquina uma história e ouço a cultura que me define escorrer pelas paredes, inundar as ruas até me molhar os sapatos e, num fluxo de intensidade crescente, transformar-se em torrente e afogar-me em memórias. Só eu, pois serei para sempre apaixonado pela minha cidade maravilhosa, pelo meu país encantado.

Nuno

21.6.09

Sensação de lar

É uma forma especial de se definir a casa ou os assuntos com ela relacionados. É um conjunto de cheiros, cores, sons, formas e, principalmente, de sentimentos e memórias. É uma compreensão e domínio do que nos rodeia. Um estado de espírito, uma sensação de intimidade, de aconchego e de protecção. O lar é também o sinónimo de uma rotina diária. Vamos a todos os tipos de lugares mas sempre nos regozijamos de retornar ao "lar, doce lar".

O Grandalhão tem estado desconfortável desde que chegámos à Holanda. Sim, em nossa casa sente-se confortável e aconchegado, mas assim que sai à rua uma nuvem cinzenta carregada de irritabilidade surge em cima da sua cabeça. Sei, há tempos, que o calor, o cheiro a terra e a comidas, o som da língua portuguesa, a brisa do mar lhe fazem falta. Muita falta.

Está cá por nós, que somos quase tudo para ele. Mas temo que se desvaneça nessa dádiva e sacrifício constantes, e de actual espectro de sobrevivência se transforme em tristeza pura.

Tudo do seu Portugal lhe parece uma amostra do paraíso.

Oxalá tivesse uma varinha de condão e lhe pudesse dar a sensação de lar que tanta falta lhe faz.

És coragem pura e o nosso lar.

Um dia retornaremos ao teu. Por amor vim para a Holanda. Por amor regressarei a Lisboa.

Patrícia

Contar histórias

Dei-me conta de que contar episódios ou histórias é tão parte da natureza humana quanto a respirar e abraçar. Sobretudo se forem dos filhotes e da minha experiência com eles.

Tem tudo a ver com reflexões sobre a vida e sobre as pessoas. Com as memórias que hão-de ficar.

Como será que a memória organiza as nossas lembranças? Ordena-as, em catálogos, e lista-as por importância? Móveis, que se arrastam de lugar conforme o sentimento do dia? Misturadas, uma levando a outra, ligadas por alguma linha que não identificamos? Soltas, livres para se apresentarem quando quiseram? Obedientes, aguardando um um cheiro, uma voz que as tire de uma gaveta sombria e lhes devolva a cor e o brilho?

Que mistérios estão escondidos em nós, esmagados por um quotidiano de rotinas e tarefas, no qual mal ousamos questionar o nosso estado de espírito? Como as fotografias que, por estarem numa moldura de uma divisão da casa, permanentemente sobre o nosso olhar quotidiano, não olhamos mais.

Contar uma história pode ser partilhar uma experiência, uma perspectiva, ou ainda compartilhar os longos diálogos silenciosos que todos mantemos consigo próprio, ou ainda falar das negociações em momentos de escolha, das perdas que das escolhas vêem e dos seus ganhos.

E por isso quando contamos as histórias deixamos um pouco de nós. Nesse desejo intenso de comunicar-nos.

Patrícia

18.6.09

A quem saem as pestes menores?

Depois de 3 dias em viagem (2 em Lisboa seguido de 1 em Manchester), diz-me a minha cara metade "é normal estares aborrecida, mas não é construtivo estares zangada". E risse.

Ai, se não me fizesses rir...

Patrícia

Carne picada & esparguete à Diogo

Ontem o Diogo disse-me que eu não fazia assim tanta coisa. Como resposta teve "então hoje vais tu fazer parte do que faço em casa."

E assim foi. Pôs a roupa na máquina de lavar roupa, os detergentes, e ligou-a. Quando acabou ajudou a estender a roupa (em abono da verdade as meias já são tarefa sua há bastante tempo).

Depois preocupou-se com o jantar. Eu já tinha planeado fazer carne picada. E assim foi. Primeira coisa: o avental (dobrado que ele está grande mas ainda não assim tanto). Num tacho colocou água, sal e um bocadinho de azeite. Descascou a cebola, e na trituradora desfez a cebola, o alho e o tomate. Nma frigideira com um pouco de azeie colocou o molho, uma colher de sal e um pouco de pimenta.

Na parte do fogão ficou afastado (às vezes é um bocadinho desastrado e ao pé de água a ferver e lume não se brinca). Se bem que quando a água fervia, partiu (lá está num jeito de quem não tem hábito) o esparguete e colocou-o na água.

Foi o primeiro prato que confeccionou. Muitas vezes ajuda-me com o bolo de iogurte, é verdade. Mas prato quente foi o primeiro.

Ficou a delícia que se vê:

Todos repetimos.

E o papá, quando perto da meia noite chegou a casa vindo de Lisboa, ainda atacou o frigorífico e se banqueteou com a carne picada do filhote.

Patrícia

13.6.09

A Minúscula e os números


Sem pestanejar conta até doze, mas depois, não sei por que raio, passa directamente para o catorze. O pai e o mano andaram hoje a treiná-la até aos vinte. Vamos ver o que memoriza.

Neste preciso momento está no sofá com o computador em cima das pernas (como eu) a perguntar ao pai quais são as letras: "pai, então e qual é este?"

Também identifica alguns dos algarismos.

Patrícia

Os primeiros livros de leitura do Campeão

e pelos quais aprendeu essa fantástica capacidade de ler foram:
1 - J'ai révê que;
2 - Quelle bazar chez Noé;
3 - Zékéyé et les pithons;
4 - Le loup et les sept cabris; e
5 - Matou Miteux (o livro sobre o qual agora trabalha).

Uma delícia vê-lo e ouvi-lo ler.

E justiça lhe seja feita que lê em francês e português. Um luxo.

Patrícia

Natacao

Hoje o Diogo foi "promovido" para a seccao superior da natacao. Isto da-lhe direito a nadar na piscina mais profunda, sem pe.

Andavamos semi-angustiados com isto havia semanas. O melhor amigo dele, que anda na natacao com ele, fez a passagem ha varias semanas mas a professora teimava em manter o Diogo no nivel abaixo. Sem que conseguissemos ver razao para isso, sobretudo quando olhavamos para os miudos da tal aula superior e nao viamos qualquer talento adicional.

Na semana passada a professora prometeu que esta seria a ultima semana neste nivel inferior. Estavamos portanto algo ansiosos pela confirmacao da promocao. E ficamos destrocados quando no final da aula ela nao veio falar connosco para anunciar a passagem.

Como e habito, eu perdi-me nas minhas habituais consideracoes - sera que ele deve de facto ficar para tras mais tempo, se calhar e melhor assim e outras coisas que tais - enquanto a Patricia pegou o touro pelos cornos. Foi-se a ela e disse-lhe que os miudos da aula acima nao eram melhores que o nosso. A professora anuiu e concordou que o Diogo vai para a aula dos grandes.

E o mais engracado e que a Patricia ainda achou que tinha que me dizer que ela nao o tinha deixado passar por pressao. Que ja tinha decidido antes enviar um e-mail a anunciar isso. Como se eu me importasse com detalhes desses.

Nuno

12.6.09

O que faz de uma pessoa um bom líder?


"Será a sua integridade?
Será os seus conhecimentos?
Será a sua força interior?
Sim, algo assim. Mas, o que realmente distingue um bom líder, é ter seguidores

Se foste escolhido, é (pelo menos devia ser) porque os elementos do teu grupo estão prontos para te seguir, com entusiasmo, enquanto estiveres à altura das suas expectativas. Por isso, está nas tuas mãos.

1ª Dica: Ter uma visão para o grupo - Todos os grandes líderes da história do mundo tinham uma visão daquilo que queriam para os seus países, negócios ou organizações, mostrando entusiasmo e paixão. Assim, o líder também deverá ter uma visão para o seu grupo, aquilo que ele deseja para o grupo enquanto o liderar. A visão é como um sonho, um conjunto de objectivos e ideias para o grupo, que o líder deseja que o seu grupo atinja.

2ª Dica: Mostrar a tua visão aos elementos do grupo - Se a visão for apenas do líder, será uma visão egoísta e não terá valor nenhum. Para o sucesso, é preciso que os restantes elementos do grupo conheçam essa visão e concordem com ela. Assim, motivados para o mesmo que o líder, a probabilidade do sucesso é bem maior. Mas, é preciso convencer os elementos do grupo, e nada melhor para isso do que mostrar entusiasmo e descobrir o que entusiasma mais cada um deles.

3ª Dica: Passar das ideias à acção - Muitas pessoas sonham mas não são capazes de ir mais além que sonhar. Os grandes líderes conseguem passar das ideias à acção. Para concretizar ideias e sonhos é preciso traçar objectivos, planear o que se vai fazer e manter todos os elementos igualmente entusiasmados e motivados".

Este texto encontrei na net e achei interessante partilhar. Parece tão simples mas quando uns tem visão outros tem entusiasmo, quando uns so sonham outros so agem. Não precisamos todos de ser líderes. E esse equilíbrio é que é importante transmitir. Espero que os filhotes (e já agora nos tambem) entendam em cada momento o seu papel no mundo - tantos agem tanto acima do que na realidade valem e outros tantos duvidam muitissimo das suas capacidades.

Patrícia

3 anos e 2 meses

E em nova visita ao Consultatiebureau confirmámos que a Catarina mede exactamente 1 metro e pesa 15 kgs. Está acima da média (não sei se a referência é europeia ou holandesa) em ambas as medidas. Num ano cresceu 9 cms e aumentou de peso 2 kgs. Disse a Enfermeira que conduziu a "consulta" que ela esta optima.

Comentou o facto de as fraldas já terem sido deixadas ao qual anotei que de noite ainda não, ou seja, ainda as usa. Fazemos, é verdade, o jogo de cada manhã verificar se a fralda está seca ou molhada, mas ainda não tive coragem para lhe tirar de vez as fraldas (pampers - o Diogo usava dodot). Estou a contar com o Verão – leia-se Portugal - e as férias para esse exercício.

Falámos ainda do desenvolvimento da linguagem. Perguntava a Sra. se a Miminha é entendida por estranhos - estou a ser vaidosa (normal?) mas a Miminha não balbucia umas coisas: ela FALA com clareza (ou como se diz em bom português: com as letras todas), com várias palavras e perfeito entendimento por parte de estranhos, e já agora, para que a imagem fique completa, com absoluta determinação para que não restem dúvidas sobre o que quer. Aliás, ela fala ao telefone com pessoas em Portugal e todos a entendem.

Fez também o teste de visão e tudo óptimo.

Patrícia

10.6.09

Dia de Portugal, de Camões E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Quando vivia em Lisboa o dia de Portugal, 10 de Junho, era tão-só um belo feriado que, no meio de outros - o Santo António pelo menos - era a fase de estágio para o início de um prazenteiro Verão, no qual se viveria numa sensação de quase "dolce fare niente". As comemorações eram a seca da televisão ficar a acompanhar desfiles ou paradas e um discurso do Presidente da República que nunca tive interesse ou pachorra para ouvir, tal era o aborrecimento.

Depois de casar ganhámos a "tradição" de ir, nesta semana de feriados, ao Algarve, em jeito de abertura da época.

Hoje vivo fora do país. E sinto o dia de maneira diferente. O dia é de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas - comunidade à qual agora faço parte. Registe-se que as Comunidades Portuguesas só passaram a ser parte deste dia desde 1978 para homenagear os 5 milhões de emigrantes portugueses (ou mais) que vivem longe da pátria.
(…)
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.

(…)

Camões, Lusíadas, Canto I.

E há, entre alguns emigrantes portugueses - aqueles que fazem parte da arrogante farsa do "Star Tracker" aqui na Holanda, pelo menos, - a pretensão de que há os bons emigrantes, pessoas novas, educadas e que vieram explorar o mundo para abrir horizontes e elevar a ideia de Portugal, e a outra população, os "emigras", de outras gerações ou de outras educações. Ora os "emigras" fazem algo para celebrar o seu dia do país. Pois entendam bem, aos olhos dos que ficaram, somos todos emigras. E para mim, com muito orgulho, que não é uma vida fácil.

Estando longe de ser nacionalista, sinto em mim este apelo de "entre gente remota edificar novo reino".

Pelo que fiquei contente por receber, como aconteceu, um e-mail de um colega a dizer "Happy Portugal day!".

Patrícia

A fada dos dentes (sempre) apareceu

e deixou, na noite em que caiu o primeiro dente do Campeão, a seguinte carta debaixo da sua almofada:
- Envelope

- Página inicial

- Interior da carta

O Campeão ficou radiante com a visita da fada, estava mesmo feliz por esta lhe ter deixado uma carta, ainda por cima parecendo estar contente com ele. Por momentos suspeitou que pudesse ter sido eu, mas depois achou que não podia ser porque eu não tinha aquela caneta verde... "E é verdade, se fosse eu assinava mamã, ou Patrícia, e não fada dos dentes", disse-lhe.

Na noite seguinte a fada deixou um livrinho para que, com uma moeda, ele raspasse as páginas e daí aparecessem dinossauros. Ele adora dinossauros e a fada, como é mágica, sabia. Nesse dia caíu o segundo dente de cima. A fada lá o visitou outra vez trazendo uma caneta que é um microscópio e um telescópio ao mesmo tempo. Que sorte. Eu não me lembro de haver fadas dos dentes quando os meus dentes cairam. Ou pelo menos não levava os dentes porque os meus pais guardavam-nos (presumo que ainda os tenham) numa caixinha preta pequenina com a tampa transparente.

Está tão giro desdentado!

Patrícia

7.6.09

Das mais belas declarações de amor

recebi hoje, às 7.04 AM do meu Didi, pela ocasião do dia da mãe em França.


Estou tão babada...


E ainda vinha com uns belos e coloridos sabonetes com diferentes formas que ele andou a fazer.

Sou a mãe mais sortuda do mundo!!!!!

Patrícia

As pinturas da Catarina

Tudo obra dela. E quase, quase sem sair dos traços.


Muito bem!

Patrícia

Plasticina

Alguns dos nossos trabalhos de quarta-feira:





Patrícia

2.6.09

Portugal no seu melhor - II

Portugal, ou o que dele vem, pode ser maravilhoso.


Alimentemo-lo de positivismo, confiança e optimismo.

Patrícia

Portugal no seu melhor

Não é sarcasmo antes uma afirmação: Uma Mulher ao leme.



Patrícia

Será que hoje a fada dos dentes nos vem visitar?

Os dois dentes do maxilar superior do Campeão andam a abanar há uns tempos. Fica até estranho, com os dois dentes tortos, e a morder as maçãs que ele nunca abdica com os dentes de baixo ou do lado.

Hoje apareceu com três esfoladelas (os dois joelhos e um cotovelo), próprio de rapaz da sua idade e, sem um dente. O esquerdo.

Não deu por ele a cair. Tenho a certeza que o tinha quando o deixei na escola esta manhã. O que fará a fada dos dentes esta noite? Será que ela vem sem ter qualquer moeda, quer dizer, dente para a troca. Ou virá ainda assim.

O Campeão espera que ela venha e lhe traga dinheiro. Perguntei para quê. "Para não termos de ir ao Banco", respondeu. Até parece que ele é do tempo em que não havia internet banking, e que se passavam horas nas filas dos bancos. Lembro-me de passar algumas secas nos bancos, em pequenina.

O que acontecerá?

Patrícia

parkeervergunning

é o nome que os holandeses dão à licença de estacionamento atribuída aos residentes em cidades como Amesterdão, em que a procura é maior do que a oferta.

E a boa notícia é que, ao fim de 2 anos e meio a morar nesta cidade e depois de ter passado os últimos 19 meses a estacionar longe de casa e a pagar parque, foi-nos atribuída a tal licença. A partir de ontem passámos a poder estacionar livremente na nossa zona, a qualquer hora do dia ou da noite, sem nos preocuparmos com os custos do estacionamento.

Pagamos um valor fixo mensalmente (uma absoluta ninharia a comparar com os preços praticados para os visitantes) e podemos ter o carro por tempo indeterminado em qualquer ponto dentro da nossa área de residência - qualquer ponto pré-definido como lugar de estacionamento, pois aqui a tolerância para o estacionamento proibido é simplesmente nula e as multas são extravagantes.

Isto pode não parecer grande conquista mas para nós a importância deste acontecimento é fenomenal. Desde que temos o carro vivemos preocupados com esta questão. O estacionamento é muito caro em Amesterdão (na nossa zona custa €3 por hora) e as multas por falta de pagamento altíssimas (€50), portanto a escolha não é fácil.

Arriscávamos com frequência, encontrámos zonas mais distantes com regimes mais favoráveis, pagámos uma série de multas, nas férias deixávamos o carro no escritório e toda uma série mais de truques de sobrevivência. Mas a verdade é que o tema nos agastava e a chegada da licença foi uma das melhores notícias dos últimos tempos.

Nuno

1.6.09

estupefacto

Foi como fiquei ao ver o video da entrevista da Manuela Moura Guedes a Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados. Muito sinceramente, não sei o que aquilo reflecte. Recuso-me a aceitar que seja um espelho do país ou sequer de um segmento da população. Agarro-me à convicção que é uma questão individual, no caso provavelmente de duas questões individuais.

Não sou grande adepto da TVI e quero acreditar que não faço parte do seu público-alvo. E o excerto que vi daquele telejornal confirmou essa convicção. Suporto quase incondicionalmente a liberdade de imprensa mas o tom brejeiro da entrevista levou-me a questionar a necessidade de impor algumas barreiras a essa liberdade.

A sensação que tenho neste momento é que a democracia em Portugal não funciona bem. A suspeição tomou conta da sociedade: políticos que controlam e se recusam a ser controlados, jornalistas acossados que usam o quarto poder de forma discricionária, juízes e ministério público calados, e em pano de fundo um sentimento incontornável de mal-estar.

Sempre ouvi dizer que o exemplo vem de cima. Como pode haver confiança na justiça se o primeiro-ministro salta incólume de escândalo em escândalo? Portugal referencia o exemplo dos seus congéneres europeus mas o nosso comportamento aproxima-nos irreversivelmente do continente africano.

Eu percebo que as alternativas políticas são assustadoras mas há princípios que importa não perder de vista. Se o povo português não se fizer ouvir nas próximas eleições é mais uma vez sinal de que merece a sorte que tem.

Nuno

31.5.09

visto de fora

Pinto da Costa, o presidente do FC Porto, veio a público sugerir que a final da Taça de Portugal fosse disputada no Estádio da Luz para permitir aos adeptos do Benfica ver um bom jogo de futebol.

Isto nada tem de novo, o senhor é conhecido pelo sarcasmo e este género de provocação faz parte do seu discurso habitual. A minha primeira reacção foi um pequeno sorriso e uma reflexão rápida sobre a justiça do comentário - nos últimos anos passou de facto a ser raro ver o Benfica fazer um jogo decente.

O que me ocorreu também foi que gostaria que Pinto da Costa pudesse ver o futebol português pelos meus olhos. Estou certo que não mais voltaria a encontrar energia ou disposição para construir piada elaboradas sobre o tema.

Nuno

28.5.09

Barcelona - Man Utd

Ontem assisti pela TV à final da liga do campeões entre o Barcelona e o Manchester United. Sem qualquer dúvida um jogo fantástico pelo ambiente, pela relevância e pela qualidade das duas equipas.

Já sabia à cabeça que tinha uma preferência pelo Man Utd, talvez porque venho acompanhando os jogos da equipa há alguns anos, talvez por causa do Cristiano Ronaldo, talvez porque tenho ido a Manchester em trabalho com muita regularidade. Fosse qual fosse a razão, tinha perfeita consciência que iria torcer pela vitória do ManU.

Mas fiquei espantado comigo próprio quando me apercebi que era bem mais profundo que isso. Eu queria mesmo que o Barcelona perdesse, e à medida que o jogo decorria essa vontade ganhou intensidade, ao ponto de me irritar com os jogadores do ManU por não conseguirem dar a volta ao resultado. Branco no preto, a minha postura era absolutamente negativa: fosse qual fosse o opositor, o Barcelona tinha que perder.

Da última vez que o Barcelona ganhou a Liga aconteceu o mesmo. Tal como agora, na altura fiquei convencido que a equipa tinha sido levada ao colo. Não porque jogasse mal mas porque naqueles momentos críticos em que ser bom não chega os árbitros tinham dado um jeitinho.

Desta vez foi no segundo jogo com o Chelsea, em que uma escolha da equipa de arbitragem com critérios altamente questionáveis levou a um desempenho por parte dessa equipa digno de terceira divisão regional. Suponho que há muito quem se revolte pelo domínio das equipas inglesas.

Nuno