22.3.09

Celebrar a chegada da Primavera

A Primavera chegou sexta-feira e hoje resolvemos ir procurar sinais da sua chegada. Tivémos muita sorte porque esteve sol e, apesar de nuvens aqui e ali, o dia estava óptimo para um passeio pelo bosque.

Preparámos um piquenique, mochila às costas e lá nos aventurámos.

A Catarina levou o seu cestinho de verga para apanhar coisas. O Diogo, o seu espírito de aventureiro. Lá descobriram folhas a começar a despontar nos ramos das árvores, algumas flores, cogumelos.

O que mais gostaram, no entanto, foi de construir uma cabana. Mãos ao trabalho a apanhar ramos caídos no chão.


Demorou mas ficou uma bela cabana com o trabalho de todos. Um verdadeiro espírito de equipa com o resultado fantástico. Foi divertido. Ficam as foto para o provar.


Que o bom tempo seja muito benvindo para nos tirar deste período de quasi-hibernação.

Patrícia

20.3.09

Back to basics

Mais importante do que a obsessão pelas capacidades académicas que os meus filhos possam ter e desenvolver, interessa ajudá-los a desenvolver a capacidade de se relacionarem com os outros.

E isto inclui tanto. Por isso é fundamental desenvolver e preparar os filhotes para a sua autonomia (que não, não é sinónimo de desapego): promovendo auto-confiança, a tomar decisões e saber lidar com as suas consequências, a respeitar os outros que são tão diferentes.

Mas para isso é necessário que se sintam confortáveis, em segurança e confiantes, ou seja, são necessárias rotinas, sobretudo emocionais.

Surpresas são bem-vindas – para não se habituarem a um modelo rígido que lhes faça crescer o sentimento de absoluto controlo que, todos sabemos, não temos sobre a nossa vida - e vamos fazer, em breve, uma que vão adorar!

Patrícia

18.3.09

Haja paciência

Sempre assumi que paciência não é um forte meu. Alturas houve em que me esforçei por me tornar mais paciente, noutras aceitei o facto e pronto.

Ter filhos é o teste máximo à paciência. Sobretudo quando não me facilito a vida. Exemplo, rejeitamos o carrinho de bebé desde muito cedo com os nossos filhotes porque entendemos que eles devem explorar o que os rodeia e acompanhar-nos - às vezes vejo putos com 7/8 anos em carrinhos - acho o cumulo já que os meus deixaram, pouco depois de começarem a andar - cerca do ano e meio -, o dito carrinho. Mas às vezes, vezes como esta manhã, tenho vontade de me arrepender, de enfiar a Catarina no carrinho e fazer a minha vida, e acabou!

Quando ela fica para trás, faz birras, depois de uma hora a ficar para trás e recusar o que lhe peço e eu carregada como uma mula com as compras, bolas, o quanto tenho vontade de me retratar!

Patrícoa

Duas cabeças: duas visões

No fim de semana fomos ao jardim zoológico, como já aqui relatei.

Hoje resolvemos fazer um "trabalho" sobre o tema com desenhos, cortes e colagens. E o resultado foi:

Diogo



Catarina



Patrícia

15.3.09

Leitura

Sei que sou parcial e olho para o Diogo com os olhos de uma mãe muito orgulhosa. Hoje ele leu o livro Nadadorzinho de uma ponta a outra, sozinho e com fluidez. O livro que temos em casa está escrito em português, claro.


Achei impressionante, tendo em conta que começou a aprender a ler há 6 meses, em francês.

Patrícia

Dordrecht

Este fim-de-semana foi diferente. Pelo menos parte dele foi. Tivemos o habitual programa das compras e natação do sábado de manhã. Mas o fim da manha de sábado foi diferente já que comemos rissóis acabados de fritar. Pois, isto parece não ser nada, mas para quem anda “a seco” dos gostos gastronómicos da mãe pátria – até dá vontade de chorar quando de repente se tem o gosto.

Fomos jantar com um casal amigo: ele francês, ela holandesa mas de origem indo-chinesa: três filhos que falam francês e holandês, em idades que permitem fácil interacção com os filhotes. O jantar correu muito bem com gastronomia francesa. E dormimos num hotel muito simpático – Villa Augustus. Os pequenotes adoraram o conceito de beliche com cama de casal duplo em baixo e em cima, eu gostei especialmente da fuga da rotina e do céu azul.



De manhã, tomámos um belíssimo pequeno almoço no hotel. Plantam lá os legumes e vegetais que depois usam na confecção dos pratos e o pão era maravilhoso. Demos uma volta pela cidade onde vimos prédios inclinados para a frente, como se estivessem a querer cair.



E lá partimos para um dia no zoo de Roterdão onde pudemos ver um elefante bebé entre tantos outros animais. Cansativo mas muito simpático.





Patrícia

8.3.09

tira-teimas

Sou do Benfica
E isso me envaidece
Tenho a genica
Que a qualquer engrandece
Sou de um clube lutador
Que na luta com fervor
Nunca encontrou rival
Neste nosso Portugal.

(Refrão - Repete uma vez)

Ser Benfiquista
É ter na alma a chama imensa
Que nos conquista
E leva à palma a luz intensa
Do sol que lá no céu
Risonho vem beijar
Com orgulho muito seu
As camisolas berrantes
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.

Nuno

assépticos

Ontem foi dia de natação. Eles saiem sempre esfomeados da piscina e por isso tentamos sempre levar um lanche para os acalmar até chegarmos a casa.

Desta vez levámos maçãs e bolachas. Quando dei uma maçã a cada um, a Catarina virou-se para o Diogo e exclamou em tom choroso: "Não consigo abrir isto!".

Tivemos que explicar que é para comer mesmo assim, à dentada. Só acreditou quando viu o irmão, que adora maçã, devorar a sua. E aí aceitou comer o fruto dessa forma tão arcaica, tão distante das fatias sem casca que as educadoras lhe estendem várias vezes durante o dia.

Nós já crescemos com uma noção muito reduzida das formas originais de obter os alimentos, mas estes miúdos de hoje ainda acabam a pensar que a comida nasce no supermercado ou que é produzida algures dentro de um computador.

Nuno

6.3.09

what a beautiful day!!!

O céu está limpo e o sol brilha!
Não deixa de estar frio mas é um consolo voltar a ver luz natural.

Os primeiros sinais da Primavera. Nunca imaginei vir a sentir tanto a falta da luz e do calor.

Nuno

27.2.09

férias

No fim-de-semana passado a Patrícia perguntou ao Diogo se queria ir passar férias a um sítio diferente, explicando que estamos a planear algo mais aventureiro este ano.

Respondeu que não, que queria para Portugal. Quando a Patrícia insistiu nas vantagens de outros sítios e o questionou sobre as razões da escolha unívoca e repetida, resumiu com um "porque gosto de lá estar".

Não me contive e dei uma gargalhada sonora. Senti que ele me tirou as palavras da boca. E lembrei-me que a mãe do meu tio costumava dizer, quando instigada pelos filhos a visitar Lisboa, que via tudo o que precisava de ver nos seus Açores.

Nuno

O campeão soma e segue

Não temos tido muito tempo nos últimos dias para relatos. Mas há um facto que simplesmente não pode deixar de ficar sob registo.

O Diogo foi passar 2 semanas de férias a Portugal. Vai e volta de avião sozinho. A ida decorreu sem espinhas, assim como a estada até agora. Não se incomoda com praticamente nada, vai no avião com total descontracção, salta de casa em casa sem qualquer incómodo, toma as suas decisões sobre o planeamento das férias e quando fala connosco fá-lo com substância e decisão.

Nuno

19.2.09

já?

Ontem recebi um e-mail de um amigo que não vejo desde o nosso casamento. Há quase 8 anos portanto.

Enquanto dava notícias nossas afastei-me de nós e vi-nos à distância. Espantei-me: somos trintões (portanto cotas), já dizemos com alguma frequência que não vemos alguém há 10 ou 15 nos, estamos longíssimo de casa e sem planos para voltar, temos um filho de 6 anos que já viaja sozinho de avião, 2 empregos hiper-exigentes e contactos ao mais alto nível numa série de empresas conhecidas mundialmente, e eu não faço ideia como chegámos aqui.

Como passámos, em pouco mais de 2 anos, dos tranquilos nós dos fins-de-semana no Magoito para isto? Uma série de decisões trouxe-nos até aqui, mas alguma delas se baseou num plano de vida?

Dizia-me um colega há uns dias que diversos estudos sobre a felicidade comprovam que só os pobres e os hiper-ricos são pessoas felizes. Todos os outros entre esses extremos vivem consumidos com preocupações, supõe-se pela diferenciação de categorias que em torno do dinheiro.

Tenho aprendido com o tempo que a maior prisão é a de ter algo a perder. Um pouco como os Jedis da Guerra das Estrelas, as pessoas perdem-se quando dão demasiada importância àquilo que já conquistaram.

Nuno

200 posts

já cá cantam.

Nuno

14.2.09

Dia de São Valentim

Li, na wikipédia, que a história deste ritual remonta ao período de governo do imperador romano Cláudio II. Este proibiu a realização de casamentos, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército.

Cláudio acreditava que se os jovens não tivessem família, se alistariam com maior facilidade.

Todavia, um bispo romano (Valentim) continuou a celebrar casamentos em segredo. Valentim foi descoberto, preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens atiravam flores e bilhetes referindo a sua crença no amor. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.C.

Os trabalhos que os nossos miminhos prepararam este ano para nós estão muito bonitos. Obrigada.

Pelas mãos da Miminha



Pelas mãos do Campeão



Patrícia

13.2.09

Sexta-feira treze


Este é um blog sobre nós mas havendo um evento que me afecta acho que é legítimo reportar.

As notícias desta manhã andaram todas à roda da queda do avião (vôo 3407) que partiu de Newark para Buffalo. Seria uma notícia triste que nos entra pelo ecrã adentro, não fosse por uma, muito infeliz, coincidência do dito avião levar um dos meus colegas (e sua namorada) lá dentro. Tecnicamente isto ocorreu na quinta, 12 de Fevereiro (horas de lá) mas já sexta-feira treze, no tempo europeu.

Foi um dia muito, muito pesado no escritório. Triste porque era um bom ser humano. Mais triste ainda por me esfregar com força na cara o quão frágil e imprevisível é a vida, ou pior ainda, confrontar-nos com a possibilidade da perda dos que nos são próximos.

Um acontecimento muito improvável. Uma sensação muito peculiar. Uma tragédia com a coincidência do peso deste dia de reputada má sorte.

Patrícia

11.2.09

Versão portuguesa do lema Obama

Hoje em dia todos conhecem o furor que está a fazer a famosa frase de Barack Obama "Yes, We Can". Aliás, NY está cheia de todo o tipo de "souvenirs" com esta frase - eu comprei uns peppermints porque achei graça.



Hoje li, num dos e-mails de cadeia, a versão portuguesa do lema. Achei delicioso, porque (infelizmente) é um retrato do que actualmente é Portugal:

"Yes, Weekend".

É preciso dizer mais alguma coisa?

Patrícia

6.2.09

Rockefeller Center


onde estiveste nas alturas, numa imagem que julgo ilustrar a imponência do edifício.
Nuno

Madison Square Garden



Nuno

New York


Pequenina, ainda a propósito da tua viagem a Nova Iorque, lembrei-me de tentar recriar o que terás visto.

Esta primeira é a entrada para a Sexta Avenida a partir do Central Park.

Nuno

entre-os-anos

Hoje é um dia engraçado. Todos os 6 de Fevereiro o são.

Isto porque o 6 de Fevereiro é um dia entalado entre os aniversários de duas das pessoas mais importantes da minha vida: primeiro o meu pai, que ontem celebrou 60 poderosos anos, e dois dias depois a Patrícia, que completa amanhã uns magníficos 34 anos.

O que mais me agrada nesta quantidade enorme de anos passados é que fiz parte de mais de metade dos do meu pai e de uma porção já significativa dos da Patrícia. Dos 34 que ela tem, posso dizer com orgulho que quase um quarto foi passado comigo. E acrescento com ousadia que ambiciono somar muitos mais.

Não estou a dar os parabéns por antecipação, pois isso daria suposto azar, apenas dou relevo a este dia, tão especial a priori e a posteriori.

Nuno

5.2.09

Nascidos em 2009

O nascimento de uma criança é sempre uma celebração.

Já este ano nasceram dois bebés por quem, apesar de ainda não ter conhecido pessoalmente, sinto um grande afecto.

Aos nossos amigos, que pela primeira vez ou de novo se tornam pais, parafraseio Vergílio Ferreira, "de que me serve tudo quanto me aconteceu, se não me aconteceres tu?".

E que acontecimento é o nascimento dos nossos filhos!

Henrique (primeiro filho) e Francísco (terceiro filho) de pessoas a quem quero muito bem: sejam benvindos à vida e ao mundo!

Aos papás felicito pelo grande acontecimento, com a convicção de que estes bebés são priveligiados e vão crescer fortes no meio de muito amor.

Patrícia

30.1.09

Saudades

Esta madrugada, quando falei com a miminha ao telefone, fiquei com o coração do tamanho de um M&M. Amarelo – para contrastar a alusão a um doce.

O Papá estava a deixar-te no infantário onde não querias ficar – efeitos ainda da experiência no hospital e dos miminhos dos avós - creio. Depressa o Grandalhão passou o telefone ao Diogo dizendo: “diz coisas alegres à mamã”. E ele assim fez. São uns docinhos vocês, estou cheia de saudades de todos.

Estou quase, quase a caminho.

Patrícia

29.1.09

A Manhattan Girl

Cá estou. Pela primeira vez na vida. Não me sinto, todavia, uma estranha. Provavelmente fruto de tantas e tantas imagens sobre NY que já vi em filmes e séries ao longo da minha vida.



Cheguei, em primeira classe – no avião li ”A viagem do elefante” de José Saramago (e sem qualquer problema nas alfândegas onde dizem que são brutos como a pior das portas), e tive logo uma aventura com o táxi: a taxista conduzia como uma louca (bem pior que o meu irmão nos bons velhos tempos do Mini Morris ao som de Joe Satriani – para aqueles que me entendem). Tive medo. Ora, como se não bastasse já ser noite e estar a entrar numa cidade gigantesca, o carro pifou. E onde? Dentro de uma ponte fechada, com a bacana a dizer-me “ I cannot take you to your destination. But your hotel is just a few blocks away”. Disse-lhe que não, que me arranjasse uma solução. Lá acenou para outro táxi que me deixou no hotel. Uff!

Cansada mas com vontade de conhecer a cidade lá fui dar uma volta. Como estou na 6ª Avenida, passeei pela 5ª e 7ª. A 5ª é a das lojas (onde é que aqui não é?) e a 7ª é a da Times Square: só luzes e ecrãs, a broadway e, claro mais lojas.

Aborrecida, por ter de jantar sozinha. Fui a um MacDonalds. Rápido, limpo e já está, quarto. Jet lag. 4 AM e rebolo na cama. Nada a fazer a não ser trabalhar. E depois, a horas decentes lá me fui apresentar ao serviço da nova empresa, no Rockefeller Center. E estou, por esta semana, num cubiculo igualzinho ao do Sr. Incrível quando trabalha na companhia de seguros.

Trabalhei imenso. Almoçei, como boas vindas, num sitio girissimo. E ao fim do dia fui dar mais uma volta a pé. Está frio, não se pense que se aguenta muito sem entrar nas lojas. Das tampas de esgoto na estrada até sai fumo, tal é o frio. Não há remédio há que parar nas lojas para aquecer. Que perdição! Calhou-me entrar na Disney… A Catarina já tem (apesar de ainda não saber) um vestido da pequena sereia, e o Diogo um jogo. Nessa noite, comprei uma sandes e salada de fruta e vim jantar no quarto de hotel. E foi o que fiz melhor: apanhei na TV um daqueles filmes que me fez chorar imenso e que adoro ver enfiada por baixo de um cobertor.

No dia seguinte, o dia de trabalho foi ainda mais pesado. Nem pausa para almoço. É de enfiada. Mas sobre trabalho não há muito que contar porque tudo está bem (a minha diversão é encontrar – e já encontrei - montantes para a empresa recuperar e que pagam várias vezes – sem exagero – o meu salário anual – com estes dias já justifiquei a minha contratação – espero que se lembrem na altura do bónus...) e normal.

Saí novamente a horas de jantar. Ora, já de noite não dá para ir sozinha passear pelo central park, ou a estátua da liberdade, empire state building e etc. Fui a uma livraria espectacular – Barnes and Noble -, na 5ª Avenida. E com fominha, porque não tinha almoçado, lá me deixei de esquisitices e fui jantar a um simpático restaurante italiano.

Esta manhã acordei (novamente cedo demais mas não tão cedo) e as ruas estavam brancas. Já tinha escrito que está frio? Ficam umas fotos… Branco, no passeio e aquele sujo de neve que acho horrível na estrada – isto lembra-me sempre de Viena que por certo teria gostado muito mais se tivesse ido noutra estação do ano. Imensos homens e máquinas nas ruas a limpar a neve e salgar os passeios.





Novo dia de trabalho árduo – sobretudo tendo em conta que as quartas-feiras são o meu dia livre. Das 8 AM as 7.45 PM, non stop. E lá sai, novamente para o meu passeio pós-laboral. Desenganem-se se pensam que por estar sózinha não me divirto. Fui passear para a Times Square. Resolvi ir jantar ao Hard Rock Cafe onde estive a bater o pé e cantarolar as músicas enquanto comi, ao balcão, um belo hamburguer, uma coca-cola e um hag & daz de chocolate. E depois, mais passeio pelas ruas, entrei no Toys R Us onde tirei estas fotos do Empire State Building e Estátua da Liberdade – feito em legos – que é ainda mais giro. O ex-libris da noite foi, no entanto, o M&M’s World. Que loucura de loja! Até cheira a chocolate e tudo. O pudor impediu-me de tirar fotos mas os meus olhos filmaram tudo.





E cá estou, no quarto de hotel, a escrever para mais tarde recordar.

Patricia

21.1.09

Sleep over

O Diogo tem estado activo nesta modalidade de socialização: adora ser convidado para dormir em casa de amigos e de trazê-los para dormir cá em casa.

Já dormiu em casa do Callum, do Max e do Gonçalo e da Sara.

E cá em casa já dormiram o Max, o Gonçalo e a Sara e, a noite passada o Mathieu. Correu bem, sobretudo tendo a mãe dito que era a segunda vez que ele dormia sem os pais e que as duas outras vezes tinha chorado na hora de dormir (note-se que uma das vezes foi com os primos). Mas não chorou e adormeceu tranquilamente no beliche dos pequenotes. E divertiram-se à grande, os companheiros que em breve serão separados pelas contingências da vida dos pais (neste caso do Mathieu).

Patrícia

Sofá(s)



O velho, que comprámos em 2002, “grávidos” do Diogo, sem dinheiro e a pensar que teria de resistir a leite derramado e a miúdo(s). Aguentou-se bem.



O novo, encomendado em Outubro e chegado hoje. E onde esperamos passar bons (e cómodos) momentos em família

Patrícia

Visitas

Chegam amanhã as primeiras visitas do ano: os meus pais que muito pacientemente me vêem apoiar já que vou uma semana em treino para New York e é muito complicado para o Nuno aguentar sozinho os horários das escolas, e o dia-a-dia por mais de 2/3 dias.

Felizmente sempre que tenho viajado tenho conseguido planear as coisas de modo a pedir (e obter) reforço. A primeira vez foi da minha cunhada, quando fui às Maurícias. Quando fui a Hamburgo eles estavam em Lisboa. Também fui a Lisboa mas fui e regressei no mesmo dia para evitar complicações. E finalmente, quando fui ao Cairo, vieram os meus pais. Não sei bem se se deve colocar estas visitas na qualidade de “visitas” mas ficam, para memória futura.

Só nesta casa já tivemos a visita (a dormir) da minha sogrinha, da minha cunhada e da Teresinha.

Se bem me lembro, na outra casa recebemos a visita dos meus sogros (várias vezes); pais (várias vezes); irmão e família (uma vez por ano); cunhada (acho que foi quem mais nos visitou no total); o meu amigo André (quando estava destacado na Alemanha); o amigo do Nuno, Tovar e sua namorada; a Marta que já nos visitou na Holanda duas vezes com o Miguel, uma sozinha e outra com a Esmeralda; e a Nádia e o Ricardo.

O Diogo hoje perguntava quem mais virá este ano. Dois dias depois dos meus pais partirem chega a Luísa com o Ricardo. Depois disso é uma incógnita.

Patrícia

Uma noite com a miminha no VU Medisch Centrum

Depois do nos vomitar em cima umas vezes (ao Nuno só acertou nas mãos e camisa, a mim foi mais sério, na barriga e na cara) decidimos levar a Catarina ao hospital. Tinha caído no princípio da tarde quando se pendurou no armário para tirar uma saia. Chorou imediatamente e queixou-se da mão esquerda e da cabeça. Na altura não nos preocupou muito e passou a tarde inteira a brincar. Mas depois começou a murchar e adormeceu. O episódio dos vómitos deu-se quando acordou. Assustados que pudesse ser um traumatismo craniano, porque nenhum de nós assistiu visualmente à queda, decidimos levámo-la ao hospital.

Era já por volta das oito e meia da noite de domingo e dirigimo-nos às urgências. As urgências dos hospitais aqui não se distinguem pelas salas apinhadas de doentes de todo o tipo. Há a recepção onde se mostra o seguro e conta a história ou queixa do paciente. Imediatamente fomos levados para o “cantinho das crianças”. Vem um enfermeiro saber o que se passou, depois outro fazer testes porque é um caso de neurologista, depois outro tirar a febre e medir a tensão, e regressa novamente o que fez testes para nos dizer que apesar dela estar bem, por prevenção, ficaria as próximas 24 horas no hospital a ser acompanhada.

Quem já passou por isto de ameaça de traumatismo craniano sabe que o mais importante é a criança saber quem é, localizar-se, e ter consciência e memória das coisas.

Fiquei com a Catarina (foi a primeira vez se omitirmos as duas primeiras noites da vida da miminha). O Nuno e o Diogo voltaram para casa. Fomos levadas para um quarto no piso 9 ala B do hospital. Tinham a cama da Catarina e uma daquelas que está na parede para não ocupar espaço para o acompanhante da criança. Era um quarto individual e não uma enfermaria.

De hora a hora vinha uma enfermeira. Passaram três por nós: uma quando chegámos, cujo nome não me recordo, que imediatamente foi revezada pela Pietra que apenas teve o reforço da Luce pela manhã. Todas elas muito simpáticas. Todas elas a cumprir o que o médico mandou: acordar a Catarina de hora a hora, fazer-lhe perguntas para verificar que ela está consciente, verificar a reacção da retina e medir-lhe a tensão.

Apesar da cama para acompanhante, anichei-me com a Catarina na sua. E assim passámos uma noite agitada. A cada hora a acordava e lhe fazia perguntas como: “quem fez hoje anos? qual é o nome das avós? como se chamam os animais das avós? como se chamam as tuas professoras? e ela, sonolenta e maldisposta, chegou a responder-me “não quero responder, já te disse!”.

Ora a meio da noite a miminha começou a ficar quente. Medida a temperatura estava com febre. Deram-lhe um paracetamol e disseram que a febre não teria nada a ver com um eventual traumatismo craniano.

Rigorosamente passadas 24 horas do momento em que dissemos que ela caiu, deram-nos alta. Primeiro fazendo-lhe testes para ver se respondia a tudo bem. Estava óptima e só queria vir para casa mas em casa, continuou a febre.

Terça-feira, estando na terceira semana do meu novo emprego, não quis faltar pelo segundo dia consecutivo. Tentámos deixá-la no infantário onde nos disseram que havia um vírus e imensos miúdos (e mesmo pessoal) estavam em casa doentes com vómitos e febre. Estou agora convencida que a má disposição teve a ver com a “virose” e não com a queda. E como resistiu a ficar o Nuno lá aquiesceu e ficou com ela em casa de manhã.

Prioridades são prioridades. Mais um ponto a favor da minha nova empresa que compreendeu e foi humana. Menos um ponto na do Nuno, que recebeu um SMS do sócio, depois de ter enviado uma mensagem a dizer que tinha a filha de dois anos no hospital que “não era um bom timing porque tinham a visita de não-sei-quem na empresa”. Desculpem lá qualquer coisinha. Para a próxima, programamos melhor!

Patrícia

18.1.09

O meu mano

O cota de 37 anos com quem cresci. É com ele que tenho a relação mais duradoura e mais testada da minha vida. Claro que os meus pais têm o mesmo tempo de relação comigo que fui a última a nascer (a minha mãe mais porque a gravidez é vivida pelas mães como por mais ninguém) mas acho que não os testei tanto quanto o fiz com o meu irmão. Pais são pais e estão acima de qualquer coisa. O meu irmão porém, é a pessoa que tem passado comigo pela vida, no mesmo timing, na mesma geração, nas aventuras, nas zangas, lutas, negociações e pazes, nos medos, nas más e boas escolhas, nas amizades e inimizades, nos amores e desamores, nas competições, nos limites, nas descobertas, conquistas e desilusões.

Hoje foi o seu aniversário e não estive em viva pessoa a celebrá-lo com ele. Não é a primeira vez. Lembro-me de pelo menos 5 anos que seguramente não estive fisicamente com ele no apagar das velas do bolo de aniversário. Mas estive, e estou, sempre presente. De coração.

Parabéns! Que contes muitos e bons. E que este seja (pela positiva) inesquecível!

Patrícia

Mãos de mágico

Casei-me com um homem que tem maõs de mágico. E as mãos são o reflexo externo da alma.

És muito querido!

Patrícia

17.1.09

Habituação

Hoje à tarde, pela primeira vez em bastante tempo, não conseguia perceber em que dia do mês estamos. Mas não no detalhe, era mesmo no geral: só sabia que estamos algures no segundo terço de Janeiro.

O que leio nesta desorientação é muito positivo: estou tão confortável e adaptado que os dias já passam naturalmente.

Nuno

14.1.09

Segundo aniversário

Eu, o Diogo e a Catarina completamos hoje dois anos de residência na Holanda. É, entre tantas outras, mais uma data a assinalar.

Patrícia

13.1.09

Partilha


Mais ou menos de dois em dois meses digo aos meninos para fazerem uma selecção dos brinquedos com que já não brincam mas que estão em condições para outros meninos brincarem. Feita a selecção, entregamos a alguém que lhes dê uso. Actualmente é, regra geral, ao casal que nos limpa a casa que os envia para a Argentina, donde um deles é originário. Juntamente com brinquedos vão também as roupas que deixaram de servir mas que estão em condições de ser usados por outras crianças.

Hoje recebemos fotos dos meninos com os brinquedos nas mãos. Juntamente com as fotos vinha a seguinte mensagem:“Queridos amigos Devan, Linda , Karen , Amanda ,Patricia ,Lucia y Elsbeth gracias por dar una alegria a niños y tambien a sus padres. Yo soy Mariana reprensento a la Iglesia Metodista Pentecostal Argentina Fiorito BS.AS Arg. gracias a Dios y a utds los regalos se pudieron entregar. Disculpen si tal vez he tardado. Sepan enterder que la tecnologia hoy en dia no es mi fuerte les agradescos por sus enormes corazones y se que la bendicon de Dios estara sobre sus vidas.
Megustaria decirles que algunos de los papeles de los regalos ancido cambiandos ya devido que la duana de el correo argetino reviso alguno de ellos...
Amigos: Algo acerca de ciertos niños alguno de ellos tienen enfermedades terminales como cancer, bronqueolitis,neumonia ects.. cuento con sus oraciones por un milagro en la vida de ellos.
Dios les bendiga


Há pouco tempo também demos uma cama que foi enviada para os Camarões. Está agora a ser usada num hospital. E começámos este processo ainda em Portugal onde entregávamos roupa e brinquedos no Hospital Dona Estefânia, onde o Diogo esteve internado, e bem vimos que os brinquedos são muito apreciados pelos meninos que lá estão.

Não sou religiosa. Não é para contribuir com o meu dizimo que o faço. É apenas por uma questão de partilha e redistribuição. Se há coisa que me faz confusão é o apego que as pessoas têm às coisas. Coisas que são muito úteis e que por isso faço questão que continuem a ser usadas ao invés de ficarem a apanhar mofo num caixote totalmente perdido. Bem sei que há coisas com valor afectivo, essas são mantidas, claro.

Enfim, com esta atitude constante esperamos poder abrir alguns sorrisos, ajudar algures alguém e criar nos filhotes uma forte consciência de que são privilegiados mas que têm a responsabilidade de partilhar o que têm.

Patrícia

12.1.09

Catarinês

Ontem a Catarina queixou-se de dores no pesqueixo (referindo-se ao queixo).

Já ninguém me pode ouvir com esta mas achei simplesmente delicioso.

Nuno

11.1.09

A curiosidade insaciável dos porquês


Segundo uma pesquisa que fiz, a fase dos "porquês" surge habitualmente por volta dos 3/4 anos no chamado período pré-operatório, tal como o denominou o psicólogo Jean Piaget no estudo do desenvolvimento infantil. Nesta fase a criança inicia a capacidade para criar imagens mentais na ausência do objecto e da acção (função semiótica) além de atribuir "personalidade" aos objectos (animismo). Estas duas características fazem com que a criança tenha uma grande necessidade de compreender os limites e as particularidades do mundo que a rodeia porque de facto está a ver e sentir mais do que consegue compreender.

Embora esta fase possa surgir mais tardiamente, normalmente a partir dos 4 anos os porquês são habituais e reflectem uma curiosidade por vezes insaciável perante o mundo. Esta é uma fase muito importante para o desenvolvimento cognitivo da criança.

Ora ambos os filhotes andam com o porquê na boca:

Minúscula – (dois anos e nove meses) quer saber tudo e a cada situação com que se se depara remata com um “porquê?”. Acho cedo, e por isso andei a fazer a pesquisa sobre a idade dos porquês. Mas mais uma vez não é de surpreender visto ela ser uma pequenota precoce em tudo.

Minorca – (seis anos) tem porquês algo mais complexos e refinados, claro. No outro dia perguntava “o que é Deus?”. E a pergunta surgiu depois da explicação do episódio da arca de Noé. Mais difícil de explicar se torna quando não é um conceito que ele oiça no dia a dia.

Sempre gostei disto nas crianças. Gosto do quanto nos surpreendem e gosto de responder. Claro que quando idealizo a situação não é bem no meio de várias tarefas e com o tempo apertado para ir fazer logo outra a seguir – mas isso é o nosso quotidiano.

Nunca ignorar a questão (e sim ouvi-la com atenção), responder com a verdade e devida adequação ao que eles estão preparados para receber, deve ser a preocupação. Mas às vezes não é fácil - sem preparação para aquilo que aí vem e tempo para reflexão sobre como abordar a questão - responder da melhor forma.

Às vezes dá vontade de dizer “espera aí que vou fazer uma pesquisa, discutir com o papá a maneira como abordar esse assunto e logo te respondo com uma boa história, enquadramento, etc”. Não dá. Bombardeiam e querem imediatamente resposta pronta e satisfatória.

Não posso dizer que não sou permanentemente desafiada.

Patrícia

Andar sobre água

foi o que fizémos hoje, ao caminhar nos lagos gelados do Vondelpark.

Patrícia

7.1.09

A Catarina hoje esteve em grande

 

























E não, não foi só uma vez....

Patrícia

Manto branco

Uma breve nota para contar que hoje, quando acordámos e olhámos pela janela vimos um leve manto branco sobre a rua, as árvores, as bicicletas, os telhados, os carros... Não é muito comum aqui e tem sempre graça ver. Agora que escrevo, princípio da tarde, sinto que foi como se tivesse visto um arco-iris. É fogaz e deixa-me sempre maravilhada.

A neve, a que a Minúscula chama de brilhante e com a qual se andou a divertir esta manhã a deixar pegadas, já derreteu. - Pena que não tirei fotos para partilhar. - Mas a sensação de encantamento perdura ainda em mim e nos pequenotes.

Patrícia

1.1.09

Ano novo

Entrámos hoje em MMIX do calendário gregoriano (escrevi em numeração romana para ser mais coerente com a origem do calendário porque na numeração decimal é 2009). Vai ser um ano de 365 dias e, portanto, não bissexto. No calendário chinês, este é o ano do búfalo.

Vai ser um ano de múltiplos desafios a nível mundial. Muito é esperado do presidente dos Estados Unidos da América – Barack Obama -, a empossar dia 20 de Janeiro. Muitos estão receosos com a recessão económica e todos falam da crise financeira.

Acho que temos de olhar para o ano que chegou nos olhos, com optimismo e confiança. A maior parte das coisas não serão como esperamos (sobretudo se não formos prudentes e humildes com as expectativas): algumas serão melhores outras piores, claro. Esperemos que as primeiras superem as últimas!

Como disse Woody Allen, “nós somos a soma das nossas decisões”. Em cada escolha abdicamos de outra e assim vamos construindo as “nossas vidas”. Qualquer alternativa é válida e/mas há sempre um preço a pagar. Nada a fazer porque é sempre preciso escolher. Tentemos então ser “bons decisores” e fazer deste ano um ano de bonita vivência e recordações memoráveis.

Feliz 2009!

Patrícia

29.12.08

Escreveu Fernando Pessoa que

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Já deu para perceber pelos posts do Nuno que chegámos anteontem de Portugal, regressados das breves férias de Natal. O Diogo e a Catarina choraram no avião porque as férias não tinham sido boas e porque queriam ficar em Portugal, a viver em casa dos avós. Claro. Quando lá estamos a nossa vida é fácil: carinho e afecto por todo lado, festa e animação, reencontros, mimos, atenção, família e amigos de todos os tempos. Estamos de férias no espaço e tempo (porque não sinto que lá grande coisa tenha mudado) que dominamos.

Cá (na Holanda) tudo é mais difícil. Porque este é um povo calvinista, porque o céu está (regra geral) cinzento, porque a língua (em todos os sentidos) não é a nossa e a toda a hora temos de fazer um esforço por entender e um esforço por expressar, porque não temos a família, porque os amigos são recentes e não passaram por grande coisa connosco.

Mas é aqui que agora temos o nosso lar; é aqui que educamos os filhos esperando que eles cresçam com todas as ferramentas que lhes permitam ter uma vida feliz; é aqui que nos empregam e valorizam as nossas competências. E acima de tudo, é aqui que construímos o nosso futuro porque planeamos ficar no médio prazo. Na minha cabeça regressar a Portugal no curto prazo está fora de discussão.

Adorei o sol com que Lisboa me brindou nesta semana. Não podia ser mais alfacinha. Estiveram 15, 17 graus e um sol e luminosidade fantásticos - mas ainda assim as pessoas queixavam-se. Adoro voltar a Magoito, ver o mar. Gosto de reencontrar os amigos e beber um copo. E de celebrar o Natal com a família.

Gosto também de estar de volta na minha casa. Tenho pena a ida a Portugal não me encha de energia positiva. Regressar deveria ser carregar baterias mas esse nunca foi o estilo luso: sentir saudade e desejar o que não se tem é o mote.

Viémos para a Holanda porque teve de ser. Eu estou cá por opção. Passada, presente e futura. E assumo isso.

Patrícia

pensamentos pós-natalícios III

Não há mesmo como ganhar: se ficamos pouco queixam-se os avós e os netos que foi curto demais; se ficamos muito queixamo-nos nós que já não podemos com a loucura e as obrigações sociais incessantes; quando ficamos o tempo certo surge aquele ambiente depressivo a que se convencionou chamar saudade.

Talvez a Patrícia esteja certa e o mal seja inevitável. Ir a Portugal implica despertar a tal saudade, o prazer esquecido dos cheiros, sons e sabores de sempre, a alegria de ter quem nos receba de braços abertos e exigências de regressos.

Frustra-nos que as pessoas nos exijam mais, que se zanguem porque já vamos, nós que nos esforçamos tanto para não deixar cair ninguém. Mas no fundo é isso mesmo que queremos: não ser esquecidos, continuar a pertencer. É tão quando chegamos e mergulhamos num mar de afectos quando as férias começam, deixando-nos levar pela facilidade do conhecido.

O difícil é gerir as emoções à medida que o momento do fim se aproxima. Aos poucos nota-se uma irritação crescente por sentir o tempo fugir entre os dedos sem que tenhamos feito metade do que tínhamos planeado.
E sobretudo sem que tenhamos gozado um milésimo daquilo que precisávamos.

No dia da partida temos ainda que lidar com as vozes internas e externas que reclamam e com a repulsa que nos causa a todos a vista da realidade que já conhecemos mais ainda não entranhámos.

Procuramos respostas para evitar tudo isto. Mas repito que talvez não seja possível contornar, é possível que tenhamos que aceitar o mal com o bem.

Nuno

pensamentos pós-natalícios II

Dei por mim a pensar que também como filho tenho obrigações. E comparei-as às que tenho enquanto pai: posso escolher não as cumprir mas elas não deixam de existir.

Que pensar então da escolha dos meus pais, justamente para quem acredito ter tais obrigações, que deixaram as suas terras para regressar apenas nas férias do Verão?

Eu cresci com uma consciência muito ténue dos meus avós, que mais não eram para mim do que referências distantes com presenças fugazes durante as férias. Só as avós viveram o suficiente para ter delas memórias consistentes e só uma parecia ter prazer na nossa presença.

Não me lembro de alguma vez lamentar qualquer parte desta realidade. Porque me custa agora que os meus pais não estejam tão perto dos meus filhos quanto no início?

Nuno

pensamentos pós-natalícios I

Estar expatriado é uma explicação sempre à mão para depressões, angústias, tristezas e outros estados negativistas mais ou menos passageiros.

Para um ser humano sempre em busca dos porquês, não poderia haver resposta mais conveniente. Sobretudo se essa expatriação tiver sido forçada - daí o empolamento da saudade emigrante e outros grandes temas do fado.

Nuno

18.12.08

Nossa Lisboa

Tradicional


e/ou moderna


aqui vamos nós!

Patrícia

Antes de ser mãe...

O texto abaixo não é da minha autoria... mas como fala por mim!

Patrícia

"Antes de ser mãe, eu fazia e comia refeições quentes. Eu usava roupas sem manchas. Eu tinha calmas conversas.

Antes de ser mãe, eu dormia tão tarde quanto eu quisesse e nunca me preocupava com que horas iria para a cama. Eu escovava os meus cabelos e tomava banho sem pressa.

Antes de ser mãe, minha casa estava limpa todos os dias. Eu nunca tropeçava em brinquedos ou pensava em canções de embalar.

Antes de ser mãe, eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas. Eu nem sabia que existiam protectores de tomada…

Antes de ser mãe, ninguém nunca tinha vomitado ou cuspido em cima de mim. Eu nunca tinha sido mordida nem beliscada por dedos minúsculos. Ninguém nunca tinha me molhado.

Antes de ser mãe, eu tinha controlo da minha mente, dos meus pensamentos, do meu corpo e do meu tempo. Eu dormia a noite toda!

Antes de ser mãe, eu nunca tinha segurado uma criança chorando para que pudessem fazer exames ou aplicar vacinas. Eu nunca havia experimentado a maravilhosa sensação de amamentar e saciar um bebé faminto. Eu nunca tinha olhado em olhos marejados e chorado. Eu nunca tinha ficado tão gloriosamente feliz por causa de um simples sorriso. Eu nunca tinha me sentado tarde na noite só para admirar um bebé a dormir. Eu nunca tinha segurado um bebé a dormir só porque eu não queria deixá-lo. Eu nunca havia sentido meu coração se quebrar em um milhão de pedaços porque eu não pude parar uma dor. Eu nunca imaginaria que algo tão pequeno pudesse afectar tanto minha vida.

Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora de meu corpo. Eu não conhecia a força do amor entre uma mãe e seu filho.

Antes de ser mãe, eu não conhecia o calor, a alegria, o amor, a preocupação, a plenitude ou a satisfação de ser mãe. Eu não sabia que era capaz de sentir tudo isso com tanta intensidade.

Antes de ser mãe…"

Wishing book


Encontrei, nas páginas da UNICEF, uma ideia que achei brilhante. Diz:

"This is your wishing book.
Inside there are games and things to do.
And also things to think about, to help
You decide what kind of life you want
To live - now, and in the future.

Your wishes are important.
They are to be supported by others.
To be worked for and made into a reality."

Ensina os direitos estabelecidos na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Crianças. Para todas as crianças saúde, educação, igualdade e protecção. www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf

Tem actividades para os seguintes temas:
- Eu e a minha família - o meu direito a viver;
- Eu e a guerra - o meu direito a viver sem guerra;
- Histórias de vidas de meninos - o meu direito a ser bem tratado pela minha família;
- Jogos sobre a saúde - o meu direito a não ser abusado;
- Comida e água saudáveis - o meu direito a ser alimentado;
- Prevenção de doenças - o meu direito à saúde;
- Educação e igualdade - meninos e meninas têm o mesmo direito à educação - este tema é-me especialmente caro;
- Brincar e igualdade - meninos e meninas têm o mesmo direito a descansar e brincar;
- Respeito mútuo - tenho o direito de viver sem abuso;
- O que quero fazer quando crescer;
- Que direitos tenh eu;
- O meu sonho/visão para o futuro;
- Desejar...

Pode ser encontrado em www.unicef.org/teachers - take action - a wishbook, e usado com a família.

Patrícia

17.12.08

Neel

Parece estranho e bizarro o título deste post mas não é.

Há uns dias atrás recebemos, no infantário, um papel com o seguinte:
"Woensdag 17 December
Ben Ik jarig!
Kom je op mijn feestje?"

Neel é o nome do menino - colega de infantário da Catarina - que celebra hoje 4 anos (atenção à idade) e que convidou a Minúscula para a sua festa. Assim foi. Eu e o Diogo fomos deixá-la há pouco em casa do Neel.

A Minúscula ía toda contente pela rua com a prenda na mão. E não é para menos, afinal é a sua primeira festa de aniversário à séria. Quando chegámos fez, primeiro, cara de "não me deixes" mas depois lá se rendeu ao sumo de maçã e ao doce holandês da mãe do Neel, e disse-me "não vou chorar", pelo que vim segura de que se irá divertir.

Estavam lá os seus papás (muito holandeses) mais 4 meninos (também puros holandeses) - todos mais velhos do que a Catarina - e uma menina (holandesa) - também mais velha. Resta dizer que isto é mais uma prova de que a Catarina está absolutamente integrada na Holanda (ou é meio-holandesa, a mais holandesa de todos nós, claro)...

Comentei com a mãe que era engraçado convidarem a Catarina porque ela é do género oposto (nesta fase do campeonato isso faz diferença) e bastante mais nova (dois anos e 9 meses). A mãe do Neel depressa me assegurou que o Neel tinha escolhido os amigos e que a Catarina "faz parte do gang".

Como está a correr não sei. Estou prestes a ir buscá-la!

Patrícia

1.º trimestre 2008/2009 - Avaliação

Refere-se este post ao Diogo, que a Catarina ainda não tem avaliação formal.

A avaliação do liceu segue a estrutura abaixo apresentada, numa escala de A a D, sendo considerada a competência em análise:
A = adquirida
B = a reforçar
C = no início de aquisição
D = não adquirida.

Vou colocar todos os items estudados, apesar de alguns não terem sido avaliados. Em 38 itens avaliados, apenas 3 foram a reforçar. Tudo o resto foi adquirido, o que é absolutamente notável!

Domínio da linguagem verbal
Comunicação
O aluno sabe ou é capaz de:
- Exprimir-se de forma compreensível – A;
- comunicar em diálogo e em grupo - A;
- dizer de memória um texto - não avaliado;

Domínio da linguagem de evocação
- Reportar uma história ou acontecimento - A;
- Resumir, explicar, comentar e descrever - não avaliado;
- Ditar um texto ao professor - não avaliado;

Leitura e escrita
- Localizar a leitura numa frase - A;
- Distinguir fonemas – A-;
- Distinguir palavras, silabas, letras - A;
- Decifrar palavras novas - B;
- Ler em voz alta um texto preparado (respeitando a pontuação e a entoação) - não avaliado;

Interpretação
- Identificar diferentes suportes escritos, diferentes tipos de texto - não avaliado;
- Localizar o índice (título, autor) e localizar-se no livro - A;
- Compreender um texto lido pelo professor - A;
- utilizar a biblioteca – não avaliado;

Vocabulário
- Distinguir, de acordo com o contexto, o sentido particular duma frase ou expressão - não avaliado;
- Reconhecer a família das palavras pela sua forma - não avaliado;

Ortografia
- Copiar uma frase, um texto sem erros - A;
- Escrever o que lhe é ditado respeitando a fono/grafia - A;
- Escrever sem erros as palavras de uso corrente - não avaliado;

Gramática
- Identificar uma frase - não avaliado;
- Distinguir os diferentes tipos de frase - não avaliado;

Escrita
- Reconhecer as diferenças gráficas duma mesma letra e palavra - B;
- Escrever de forma legível e respeitando as regras da escrita – B;

Produção escrita
- reconstituir uma frase com um modelo – A;
- reconstituir uma frase sem modelo - A;
- redigir uma frase - não avaliado;

Matemática
Numeraração
- Enumerar e quantificar - A;
- Contar até – 59 (Em português já o ouvi contar até mil!)
- Organizar objectos, classificá-los e comparar grupos - não avaliado;
- Conhecer dobros e metades - não avaliado;
- Organizar números, compará-los e classificá-los - A;
- Comparar formas diferentes de escrever o mesmo número - não avaliado;
- Associar a escrita numérica e por extenso do mesmo número - não avaliado;

Cálculo
- Cálculo mental - A;
- Utilizar diferentes procedimentos de cálculo e adição, subtracção e multiplicação - não avaliado;

Geometria
- reproduzir um algarismo - A;
- utilizar uma tabela de entrada dupla – não avaliado;
- codificar e descodificar um trajecto – A;
- reconhecer figuras simples - não avaliado;
- se localizar e/ou se deslocar em conjunto - A;
- utilizar algumas técnicas e instrumentos - não avaliado;

Resolução de problemas
- procurar informações úteis - não avaliado;
- justificar escolhas e expôr os resultados - não avaliado;
- saber resolver um problema - não avaliado;

Medidas
- comparar e utilisar medidas de comprimento e peso - não avaliado;
- utilizar a moeda - não avaliado;
- utilizar a régua graduada - não avaliado;

Vida em conjunto
- conhecer as regras simples de vida em grupo – A;
- responsabilizar-se – A-;
- compreender as noções de liberdde, igualidade e tolerância - não avaliado;
- compreender e guardar algumas regras simples de segurança rotineira - não avaliado;
- conhecer os simbolos de França e dos Países Baixos - não avaliado;

Descoberta do mundo
No domínio do tempo
- Distinguir o passado recente do passado mais distante - não avaliado;
- Situar e utilizar a localização no sentido cronológico - não avaliado;
- Comparar os modos e locais de vida de diferentes gerações - não avaliado;

No domínio do espaço
- Localizar-se e situar-se num espaço familiar. Elaborar e/ou tilizar uma planta simples - A;
- Saber situar França, os Países Baixos, a Europa e outros continentes sobre um mapa mundo - A (claro que o Diog sabe loalizar Portugal também);
- Reter alguns aspectos da diversidade da vida animal e vegetal bem como dos habitats - não avaliado;
- Utilizar um vocabulário preciso - não avaliado;

Matéria e tecnologia
- Identificar os estados e propriedades duma matéria - não avaliado;
- Manipular e utilizar técnicas simples - não avaliado;
- Utilisar um computador e conhecer algumas funções de base - não avaliado;

No mundo da vida
- Diferenciar o vivo do não vivo - não avaliado;
- Conhecer manifestações de vida animal e vegetal e referir-se a critérios de classificação (ex. deslocação) – A;
- Reconhecer as grandes funções do corpo humano (movimento, crescimento) - não avaliado;
- Conhecer as diferentes características dos 5 sentidos - não avaliado;
- Compreender e respeitar regras de higiene - não avaliado;

Educação artística
Educação musical
- Cantar canções simples - A;
- Participar em actividades com instrumentos - A;
- Escutar um registo sonoro - A;
- Localizar e memorizar alguns elementos musicais - não avaliado;

Educação visual
- Escolher aplicar uma técnica para fazer uma produção pessoal – A;
- Provar criatividade e imaginação - A;

Educação física e desportiva
- Exprimir-se com o corpo – não avaliado;
- Participar em jogos de oposição e jogos colectivos - A;
- Participar em actividades atléticas e ginastas – A;

Comportamentos e métodos de trabalho
- respeitar as regras da escola e da sala – A-;
- estar atento e concentrar-se na realização de uma tarefa – A;
- trabalhar a um ritmo satisfatório – A;
- ser cuidadoso com o seu trabalho – A-;
- compreender o trabalho – A.

Bom trabalho tanto em inglês quanto em holandês. Diz a professora que foi um bom início de primária e que o Diogo é muito motivado para aprender. Está muito bem e assim deve continuar.

Claro que a avaliação por si é muito boa. Se for lida no contexto em que o Diogo a atingiu:
- numa língua que não é a sua e à qual não é exposto senão na escola (competindo com meninos francófonos);
- para além disso ainda fala (e lê) Português muito consistente e holandês (o suficiente para se safar);
- que mudámos de casa;
- que os pais não andam "em cima dele" para aprender (apesar de o acompanharem);
- que é dos meninos mais populares da escola;
- e que o sistema de ensino francês não é propriamente conhecido por ser facilitista ou benevolente,

é de se tirar o chapéu.

Parabéns filhote - VAMOS COMEMORAR!

Patrícia

O rei da simpatia

Enquanto preparava algumas coisas no quarto dos meninos e vestia a Catarina, decidi colocar um CD de Natal para entrarmos no espírito.

Ao ouvir a letra de uma das músicas, pensei que a tinha de reproduzir para aqui, porque parece escrita, de propósito, para o Diogo. Diz assim:

"reparem como ele é: engraçado e bem disposto,
tem já imensos amigos e é alegre como eu gosto!
Estamos hoje aqui por causa, da tua enorme alegria
viémos para te cantar: és o rei da simpatia!"

Sei que olho com olhos de mãe (apesar de muita gente já me ter dito) mas encho-me de orgulho por ver que o Diogo é um menino muito feliz.

Patrícia

Auxiliares de memória

Nos dias que correm tudo é feito através de "auxiliares de memória" informáticos, vulgarmente conhecidas por agendas electrónicas, seja no PC ou no PDA ou ainda no telemóvel. Têm imensa utilidade: ajudam-nos a recordar os imensos compromissos e afazeres e a planear os dias e semanas vindouros. Poderíamos ainda falar do registo do passado, e aí teríamos o exemplo deste blog, mas agora quero mesmo concentrar-me no futuro.

Eu, como verdadeira (sim assumo) control freak, adoro agendas (tenho, guardadas, as dos últimos 10 anos!) e de todos os tipos: a agenda pessoal, a agenda familiar, a agenda profissional e, claro, o outlook de que também uso e abuso. Não uso o telemóvel e não tenho PDA ou blackberry.

Ontem comprei a minha agenda pessoal para 2009 e claro, comecei já a preenchê-la com aniversários, viagens já planeadas, férias de escola do Diogo e dias que o infantário da Catarina está fechado - e com isto já tenho imensa informação guardada.

Ainda não consegui encontrar a agenda familiar, essa sim fundamental para a gestão diária porque regista: as viagens de trabalho, as férias, os dias livres, as festas de aniversário, os jantares, as visitas, os dias da biblioteca, e outros eventos que tal - de todos - é genial! E com isto vamos conseguindo (ou tendo a ilusão de que conseguimos - bem sei) controlar (mais ou menos) as coisas.

Não faço ideia como se conseguem gerir as pessoas que não se munem deste poderoso e fundamental instrumento. Recomendo.

Patrícia

16.12.08

paz e sossego

Pela primeira vez em muitos anos vou passar o ano sem qualquer perspectiva de mudança para o ano que se avizinha.

Confesso que me está a fazer alguma confusão. Não faltam desafios mas acho que me viciei em mudança. Na verdade começo a perceber que sou muito melhor a manter do que a começar algo de novo mas por alguma razão venho sempre fazendo a escolha contrária.

De qualquer forma esse é o meu grande desafio para 2009: manter e evoluir na continuidade. Pois sem dúvida preciso (precisamos) de algum sossego depois de tudo o que vimos fazendo nos últimos anos.

Nuno

plano de férias

Ontem fizemos, pela primeira vez na vida, um plano de férias. Em estilo de folha de gestão de projectos, com os dias na horizontal, as horas na vertical e as tarefas a preencher os espaços a representar a duração estimada de cada uma.

Dei por mim a pensar o que queria atingir com o plano e a abordá-lo de trás para a frente, como faço com os meus projectos profissionais. Ajustámos tarefas, negociámos trocas e aceitámos o resultado final com cedências para ambas as partes.

E agora ocorreu-me que estas são as únicas férias que vamos ter durante largos meses e que temos mesmo que arranjar uma solução para isto.

Nuno

enfrentar os medos

O Diogo agora acorda-me todas as noites para perguntar se pode ir à casa-de-banho. Sempre pensámos que teria a ver com a escola, onde concerteza tem que pedir para sair da sala, mas ontem ele esclareceu o mistério quando acrescentou ´estou a enfrentar os meus medos`.

Isto é, ele só quer companhia enquanto vai à casa-de-banho, ainda que seja à distância. Uma voz é suficiente para o confortar e ajudá-lo a enfrentar o medo do escuro.

Nuno

15.12.08

em público

Em conversas com diversos colegas a propósito da festa de sexta-feira venho ouvindo repetidamente aquilo que sei há muito e nunca esqueço: tenho muita sorte em estar casado com uma pessoa muito especial.

Talvez porque fui ensinado assim - homem, português, filho de combatente da guerra do ultramar, neto e bisneto de gente com vidas duras -, talvez porque com a idade vamos perdendo a sensibilidade ou ainda talvez porque eu seja mesmo assim, tenho tendência a fechar-me e falar pouco sobre sentimentos e sensações.

Não porque ache pouco importante - bem pelo contrário - mas porque de alguma forma me sinto desconfortável quando o faço. Quando namorávamos talvez não fosse tanto assim mas as contrariedades naturais da vida vêm-me endurecendo. Às vezes para proteger de preocupações aqueles de quem gosto, outras vezes por vergonha de erros ou insuficiências, em geral quero resolver primeiro e partilhar depois.

Mas isto tudo para dizer que não deixo tão óbvio quanto devia a convicção absoluta de que a melhor decisão que alguma vez tomei foi juntar-me a uma pessoa a todos os títulos incrível.

Não perantes terceiros, porque isso pouco me interessa e porque acredito que os actos valem bem mais que palavras (e nesse capítulo estou tranquilo), mas perante a própria.
Depois de tantas aventuras em conjunto e na antecipação de muitas mais deixo aqui com todas as letras: PEQUENINA, ADORO-TE E TENHO MUITO ORGULHO EM TI

Nuno

14.12.08

Por falar em encantos


e ainda sobre sexta-feira e vida profissional: fomos jantar a um dos melhores restaurantes de Amsterdão como celebração da época natalícia, a convite da empresa onde o Nuno trabalha.

Apesar de lá fora a noite estar gelada e de Amsterdão ser conhecida pela sua pragmaticidade, foi muito agradável constatar que a cidade também pode ser elegante.

Patrícia

A beleza e aroma das rosas e a dor dos seus espinhos

Sexta-feira terminei um ciclo que começou há quase dois anos. Trabalhei, neste tempo, provavelmente na atmosfera mais internacional que terei ao longo da minha vida profissional. Só no meu piso, tinha colegas dos seguintes países: Holanda, Marrocos, Itália, Inglaterra, China, Camarões, Tunísia, Japão, Zâmbia, Venezuela, Rússia, França, EUA, França, Chile, Alemanha, Arménia, Espanha, Bulgária, Hungria, Letónia, Polónia e Finlândia. Nos outros pisos, trabalhavam pessoas da Irlanda, África do Sul, Argentina, Escócia, Malásia, Índia...

Já tinha tido uma experiência internacional, quando vivi e estudei na Suíça mas o contexto era completamente diferente.

Na Fundação onde trabalhei, e enquanto lá trabalhei, vi passar uma pessoa do Gana, de Trindade e Tabaco, Dinamarca, Suécia, Bélgica e Brasil. Posso dizer que a exposição à variedade e diversidade de culturas e abordagens (havia gente com experiências muito distintas) é, uma das, provavelmente a maior, grande valia que levo comigo.

Mas há outra mudança acentuada que ocorreu em mim fruto da experiência nesta organização. Neste tempo trabalhei não só com Portugal (onde desenvolvi bastantes contactos na minha área) mas com as regiões de África e Médio Oriente. Quando iniciei o meu trabalho tinha, como a maior parte dos europeus médios, uma ideia muito negativa, negra, quase de causa perdida sobre África. Hoje creio que, apesar de muitas tragédias ocorrerem naquele continente, muito daquilo que pensava era ignorância. Hoje sei um pouco mais sobre aquele fantástico, e no entanto tão misterioso, continente com o qual desenvolvi uma relação bastante forte. Tão forte que, me fará continuar a olhar para, e, voltar a, ele.

Sobretudo com África subsahaariana e com a causa especifica do impacto que a educação feminina pode ter no desenvolvimento destes países. Mas a isto voltarei noutro post.

Ou seja, posso dizer que mais do que um desenvolvimento técnico, tive que ter (necessariamente) uma maior abertura na minha percepção do mundo e nas competências sociais exigidas para desenvolver contactos e relações profissionais. Trabalhei (para além da minha competência técnica na área fiscal) na área do marketing (onde fiz targeting e benchmark) e vendas; no desenvolvimento de produtos; na construção, negociação e formalização de contratos com autores externos e redes de contactos. Tive acesso a pessoas e ocasiões que nunca teria noutras circunstâncias, por exemplo, jantei numa tenda erguida para o efeito a 500 metros das pirâmides de Gisé.

Não se pense que tudo foi um mar de rosas. Acredito que poderia ser muito melhor mas simplesmente não acredito na direcção daquela organização. E isso levou à minha saída. Com alguma pena, verdade, porque acredito no potencial que aquela organização tem mas com os olhos postos para a frente e um novo desafio que começará já no início do próximo ano.

E vão sendo estas experiências que nos fazem continuar a crescer.

Patrícia

12.12.08

atacadores

Comprámos umas botas xpto ao Diogo. Ele escolheu o modelo, garantiu que eram aquelas mesmas que queria e fizemos-he a vontade pois sabíamos que ele precisava mesmo de botas capazes de enfrentar um Inverno duro e muita pancada nos jogos de bola na escola.

O problema é que as botas têm atacadores, ele não sabe fazer os laços e não tem mostrado muita vontade de aprender. Apesar da nossa pressão, ao fim de 2 meses continua a não ser capaz de se desenrascar sozinho.

Ou melhor, ele desenrasca-se pedindo a amigos, professoras e afins, mas não faz sozinho. Para ser honesto, não me desagrada inteiramente que ele se safe dessa maneira: demonstra engenho e capacidades sociais. Mas incomoda-me que não se empenhe em fazer as coisas por si.

Nuno

11.12.08

férias de Natal

Mais uma vez o drama das férias em Portugal.

Vamos ficar uma semana, só para passar o Natal. Mas já temos os dias todos ocupados, de tal forma que se torna impossível planear o mais pequeno momento para nós.

Incrivelmente frustrante, pois são os únicos períodos em que poderíamos descansar. A vida aqui não dá tréguas, entre trabalho e as milhentas obrigações andamos sempre a correr. E depois chegam as férias e somos sovados pelas infinitas exigências.

É o preço a pagar pela possibilidade de tocar terra de novo.

Nuno

um Diogo para cada menina

Para recordação...

A Catarina comentou há dias que uma amiga da escola tinha ido para casa com a sua mamã, o seu papá e o seu Diogo.

Nuno

saudades por antecipação

Por vezes dou por mim a olhar para nós e a pensar como no futuro vou sentir saudades do que somos agora.

Os pequenotes estão em idades fabulosas, cada um à sua maneira e os dois em conjunto. Fazem uma dupla hilariante, vezes sem conta fico num canto a rir enquanto assisto às suas discussões ou brincadeiras.

A sua cumplicidade é estonteante, juntos construíram um mundo completamente à parte, no qual só eles se entendem. Espero que mantenham isso. Bem nos esforçamos por incentivar ambos a olharem um para o outro como melhores amigos para sempre.

Nuno

quero alguém dê-me

é a frase obrigatória da Catarina à hora de jantar. Come duas garfadas e depois quer que um de nós a ponha ao colo e lhe dê à boca.

Se não o fazemos recusa-se a comer. O que com ela é um problema pois está cada vez mais holandesa: leite, pão, queijo, carne e pouco mais.

Nuno

gritos

A Catarina descobriu o poder dos gritos. E usa essa técnica sem qualquer pudor, seja nas suas disputas com o irmão seja para chamar a nossa atenção para algo que quer.

Grande guerra que vai ser. No outro dia teve um mini-castigo por causa disso mas só lá irá com o tempo.

Nuno

leitura

O Diogo entrou na fase espectacular da paixão pela leitura. Tenta ler tudo o que lhe passa pela frente, seja em livros, cartazes na rua ou pacotes de leite ao pequeno-almoço.

Para nós também é uma experiência nova pois ele faz isto em 4 línguas ao mesmo tempo. Muito mais complicado pois em cada uma há variações significativas ao nível da pronunciação das letras e das sílabas.

Mas de alguma forma ele vai conseguindo diferenciar e mantém-se a um nível alto no liceu francês, apesar de estar em clara desvantagem perante miúdos cujos pais são nativos e que falam francês em casa.

Nuno

7.12.08

O Nemo (ou terá sido a Dori?) foi à piscina


Este fim de semana a Catarina começou finalmente uma actividade extracurricular: natação. Para ser mais precisa, deveria chamar-lhe as aulas de adaptação ao meio aquático.

A bela Catarina andou a semana inteira a decidir qual o fato de banho que iria escolher. Optou pelo do Nemo – qualquer escolha seria boa porque ela é sempre linda! Mas eu acho que, tirando a parte da perda de memória, que disso ela tem-na todinha, ela é mais a Dori: azul, tagarela, cheia de energia positiva e, (desculpa filhota mas é verdade) terrível a cantar.

Chegados à piscina, na primeira aula havia três pequenotes entre os 2 anos e meio e os três, os respectivos pais (menos nós que pensávamos que não teríamos de ir com ela para a piscina) e os professor. Duas meninas e um menino. Claramente o menino era o mais destemido. Nas outras pistas, o Diogo e outros meninos faziam os seus exercícios normais.

A Catarina foi excelente nos seus diversos desafios:
- molhou com um regador a cabeça da outra menina e deixou que o menino molhasse a dela (isto é especialmente importante porque até há cerca de um mês atrás chorava no banho cada vez que lhe molhávamos a cabeça) – esta parte ainda sentados à borda da piscina;
- encheu um balde com o regador até que ele fosse ao fundo da piscina – através deste exercício o professor levou-os para dentro da piscina. Os pais não os seguram, eles têm de procurar o seu equilíbrio pelo seu próprio pé. Aliás, a páginas tantas engoliu um pirolito quando perdeu o equilíbrio e se afundou: o professor esperou um tempo e depois puxou-a, porque ela não reagiria... ficou provado!;
- empurrou uma bola de ping pong com o nariz ou a soprar;
- percorreu o colchão e lançou-se nas mãos do professor; e

no fim não queria sair, de tão divertida que estava.

Bom começo para a Minúscula que muito merece as suas actividades. A ver se temos força para as continuar (e se ela se autonomiza depressa da necessidade de um pai com ela na piscina – isto já é wishful thinking) mas com tino, sem cairmos na ditadura da vida em função das actividades extracurriculares dos meninos.

Patrícia

6.12.08

Saudades da minha praia


*Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa"

Sophia de Mello Breyner Andresen

4.12.08

vizinhos

Quem não tem histórias escabrosas de vizinhos maléficos, sobre os quais poderíamos jurar passarem pelo menos metade do seu tempo a magicar patifarias para transformar a nossa vida num inferno?

Pois aqui na Holanda também os há, tão maus ou piores do que em Portugal. Suponho que seja mais um fenómeno global. Aliás, histórias de terror sobre vizinhos circulam livremente entre expatriados e são contadas às crianças como incentivo para comerem os legumes.

Nós tínhamos vizinhos desses na casa alugada em que estávamos. Não era assim tão mau, era só chato. Ele e a mulher reclamavam por tudo e por nada, e sobretudo com as crianças eram absurdamente intolerantes.

Isto apesar de terem passado 8 meses em obras, perturbando com isso toda a vizinhança sem que ninguém no entanto se queixasse, e de gostarem de ouvir música aos berros nas mais variadas horas do dia.

Enquanto nós fazíamos por compreender que tal é o fado de quem vive em apartamentos., eles atiravam-se aos arames cada vez que um dos nossos putos dava um salto ou uma corrida. Como sofremos a pedir aos miúdos para não correrem dentro de casa!

Finalmente mudámos de casa e anunciámos-lhe que íamos sair. Pela primeira vez lhe vimos os dentes tal foi o sorriso. E nós, radiantes também por nos livrarmos deles, pensávamos "bom de mim fará que depois de mim virá". Mas não nos ocorreu que isso vale para os dois lados.

A Patrícia empenhou-se bastante em fazer boa vizinhança neste novo sítio, dando-se inclusive ao trabalho de escrever postais de Natal para os vizinhos mais próximos todos. Tivemos reacções muito afáveis e ficámos com óptima impressão da generalidade das pessoas em volta.

Até que no fim-de-semana passado bate à porta um vizinho, com o qual nunca tínhamos falado, se apresenta nessa qualidade e me pergunta se as agulhas de abeto espalhadas no tapete eram nossas. E, ainda com um tom acusador, continua a apontar em volta e a mostrar-me a sujeira que eu tinha feito com a árvore de Natal.

Olhei-o nos olhos e perguntei-lhe se estava tudo bem com ele. Ficou atrapalhadíssimo e respondeu que sim, estava tudo bem. Continuei: - Sou o seu novo vizinho, é um prazer conhecè-lo. Ele já gaguejava mas não lhe dei espaço. Pedi licença e fechei a porta, assegurando que limparia tudo assim que acabasse o que estava a fazer.

Nuno

30.11.08

Restauração da independência

Amanhã comemora-se no nosso Portugal a restauração da independência. Andámos subjugados à monarquia espanhola durante um tempo. Segundo reza a história, a 1 de Dezembro de 1640, já lá vão portanto 368 anos, eclodiu em Lisboa a revolta, imediatamente apoiada por muitas comunidades (urbanas e rurais) de todo o país, levando à instauração da Casa de Bragança no trono de Portugal.

A comemoração é feita com um feriado. O 12.º feriado nacional (seria 13.º se contássemos com o feriado municipal) do ano, sendo que ainda haverão mais dois até ao final do ano. Contas feitas há 15 feriados em Portugal, por ano. Mais 22 dias de férias (ou 25 caso os trabalhadores cumpram os requisitos de assiduidade e pontualidade exigidos pelo novo Código do Trabalho Português), que efectivamente são 25 para todos...

Independência (política) de Espanha celebrada com um feriado. Faz sentido mas é irónico tendo em conta a circunstâncias económicas em que vive o nosso Portugal e a sua (inter)dependência com Espanha. Mas celebre-se, que a data é, de facto, histórica!

Isto é na realidade dor de cotovelo, porque o que queria era ter 15 dias acumulados às minhas férias, em vez da metade que tenho na Holanda.

Patrícia

Cinema

Eu e o Nuno fomos ao cinema, pela primeira vez na Holanda, terça-feira (ou terá sido segunda-feira?) à noite ver o Blindeness, baseado no Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago.

Hoje fui com os pequenotes ver o Madagascar 2. Era em inglês, com subtítulos em Holandês. Foi a primeira vez que a Catarina visitou uma sala de cinema - relembro que tem dois anos e quase oito meses - e portou-se lindamente, apesar de não entender inglês e não saber ler. É verdade que fui, baixinho, contando o que se passava. Não fez barulho e apenas pediu para ir à casa de banho já perto do fim.

O Diogo portou-se também muito bem - como seria de esperar, aliás. No fim, enquanto ainda dançava(m) e cantarolava(m) "I like to move it, move it" arrumou o seu ajuste da cadeira para ficar mais alto, como um menino responsável, sem que lhe fosse dada qualquer orientação.

Muito bem os dois. São um absoluto luxo de filhos!

Patrícia

29.11.08

Comprimento e peso - 6 anos e três meses

"Just for the record": recebemos uma nota da enfermaria da escola a dizer que o Diogo está com 124 cm e 24 kilos.

Após uma pesquisa na net (na qual não encontrei nenhum conteúdo de jeito em Português), lá achámos o seguinte:

Boy
Age: 6 year
Optimal Height: 116 cms (range 102 - 128 cms)
Optimal Weight: 21 kgs (range 15 - 30 kgs)

O que quer dizer algo que já sabíamos: o Diogo é mais alto que a média (tem a quem sair) e, consequentemente, mais pesado também.

Patrícia

Tcha ram!


O nosso, lindíssimo, pinheiro de Natal.

Estamos todos muito contentes com ele: por o termos achado; enfeitado em conjunto, ao som de músicas de Natal, e; por se impôr majestoso no centro da nossa sala. Claro que ainda terá de ser cercado por presentes, mas uma coisa de cada vez.

Acho que, um pouco fruto dos contos de Natal (especialmente O cavaleiro da Dinamarca, este ano sentimos a necessidade de ter uma árvore de Natal a sério. E temos. A mais bonita de sempre.

Feliz Natal!

Patrícia

28.11.08

O primeiro Natal na casa nova

Começámos os preparativos de Natal. Devagar, muito de mansinho, sem fazer alarido para melhor poder apreciar, vamos viver o primeiro período de Natal nesta nossa casa nova.

Embora vamos celebrar de alguma forma o Sinterklaas, a verdade é que temos ignorado por completo a sua existência. Não dá, é pedir demais - se um Pai Natal incomoda muita gente, 2 Pais Natal incomodam muito mais...

Ainda não temos árvore pois ainda não encontrámos uma à venda. Disseram hoje à Patrícia que na Alemanha a árvore só é posta na véspera. O que faz todo o sentido se me lembrar de alguns contos de Natal passados aqui para estas bandas e leva a crer que o mesmo se passará neste cantinho à beira-mar (do Norte) plantado.

Mas de resto estamos activos. Já estamos a escrever os postais, temos lista de compras (muito básica para já, mas não se pode pedir mais a quem acabou de mudar de casa) e já distribuímos alguns penduricalhos vermelhos pela casa.

Não vamos passar os dias aqui mas vamos concerteza celebrar à nossa maneira: fora de tempo.

Nuno

Escrita

O nosso puto charila já escreve. Estou neste momento a olhar para ele enquanto escreve os postais de Natal para enviarmos para o pessoal todo.

Nunca deixa de me impressionar a rapidez com que os miúdos aprendem as coiasas novas. Autênticas esponjas, como é costume dizer. Desde as línguas à matemática, passando pela natação e culminando agora na escrita, a quantidade e variedade das competências que ele adquiriu nos últimos 2 anos são impressionantes.

Não queria fazer a sua apologia, apenas pretendia anotar este momento único: pela primeira vez um dos nossos filhotes escreve os postais de Natal.

Nuno

20.11.08

Ronha

Andava à procura desta palavra há dias. Creio que desde a passada manhã de domingo, quando os pequenotes resolveram acordar (como é hábito) mais cedo do que num dia útil (inclua-se o sábado neste conceito porque é dia de compras e rituais afins).

Nunca fui grande dorminhoca – tinha amigos e colegas que aos fins de semana acordavam lá para as 3 da tarde – mas sempre gostei de dormir: de preferência deitar-me cedo e acordar naturalmente, também para o cedo. E claro, fazia ronha. Lembro-me de verdadeiras ronhas já em idade adulta:
- no Magoito – nas manhãs de fim de semana ou de férias, sobretudo as de Verão, enquanto esperava que aquecesse o suficiente para ir para a praia;
- na Suíça - onde me levantava para tomar o pequeno almoço no foyer, e voltava para a cama para sonhar acordada e dormitar mais um pouco por baixo do magnifico colchão de penas enquanto lá fora nevava;
- nos primeiros 10 meses de casada, antes do Minorca nascer.

Depois desta data, faz agora 6 anos e três meses, acabou-se a ronha tal como a conhecia. E acabou-se de tal forma que já nem me conseguia lembrar da palavra, o que é triste.

No domingo perguntava ao Nuno qual era a palavra que descrevia este comportamento. Ele dizia, "bezerrar? pastar?", mas eu sabia que não, que havia outra palavra, a certa. Disse-me hoje a minha cunhada:
"- ronha?"
"- sim, é isso mesmo. Ronha".

Patrícia

Sinterklaas

No Domingo passado participámos pela primeira vez numa das tradições mais representativas dos holandeses: a chegada do Sinterklaas.

Para quem ler isto e não souber quem é tal personagem, o Sinterklaas é tão simplesmente o conhecido São Nicolau, cujos méritos são celebrados em variadíssimos países através de reproduções coloridas das suas acções beneméritas em favor dos mais desfavorecidos.

Aqui na Holanda o senhor teve tal impacto que continua a ofuscar o Pai Natal - que na verdade é também São Nicolau numa versão desfocada pela Igreja Católica e pelo passar do tempo. É no dia 5 de Dezembro que os holandeses celebram em força com trocas de prendas, leitura de poemas escritos para a ocasião, surpresas e outras actividades.

Até essa data os miúdos são constantemente surpreendidos pelas prendinhas dos Zwarte Pieten (os pequenos ajudantes de cara negra - consta que na origem estes representavam o Diabo escravizado pelo Sinterklaas), que descem pelas chaminés ou batem à porta e fogem antes que alguém possa lá chegar, deixando doces ou pequenas ofertas em nome do Sinterklaas.

Ora tudo começa com a vinda do Sinterklaas de Espanha. A escolha de Espanha como país de origem parece ser inexplicável, até para os próprios holandeses, e é ainda mais estranha tendo em conta que São Nicolau era turco. Para mais, os Zwarte Pieten estão vestidos com roupas típicas da Espanha do século XVI (vi isto na wikipedia...).

O Sinterklaas chega em Novembro de barco e é depois passeado de combóio, autocarro, cavalo ou o que for pelas ruas e canais das cidades, perante hordas de criancinhas à espera de doces e breves contactos com o próprio ou os seus ajudantes.

Ora nós evitámos tudo isto no ano passado, com o pretexto de não querermos estragar o Natal. Mas desta vez os nossos amigos Pedro e Cristina desafiaram-nos e fomos com eles para a Dam assistir a tudo isto ao vivo.

Nada de especialmente excitante, se assim posso dizer. Muita confusão, muita gente, bem ao estilo holandês. O senhor lá chegou de cavalo, o Diogo aproveitou para meter pepernoten (pequenos bolinhos de canela que aqui comem aos montes nesta altura) ao bolso e a Catarina gritava ´eu não quero ir ao Sinterklaas´.

No dia 5 iremos celebrar o verdadeiro dia. Na verdade nada de muito novo para nós que já em Portugal estávamos habituados a celebrar o Natal várias vezes por ano.
O desafio está em criar uma história coerente para os minorcas não se baralharem com tantas personagens e festas diferentes.

Nuno

19.11.08

finalmente em casa

A Patrícia já escreveu sobre a nova casa. Mas eu ainda não.
Talvez porque ela o tenha feito ou talvez porque precisasse de tempo para saber o que queria escrever.

Agora quaisquer dúvidas que pudesse ter dissiparam-se, seja quanto ao conteúdo seja quanto à própria vontade de escrever sobre o tema.

Foi paixão à primeira vista, desde que a encontrei no sítio de busca dos agentes imobiliários. Recordávamos no outro dia que escrevi à Patrícia quando a encontrei e na mensagem dizia algo como ´esta não podemos deixar escapar!´.

Para contextualizar, passámos (sobretudo eu, que sempre estive mais obcecado com este tema) mais de um ano à procura de algo que nos agradasse. Arrendávamos um apartamento num sítio muito bom, com muito espaço e luz, mas o dono queria vender e cada período de arrendamento era arrancado a ferros e renegociado com aumentos de renda substanciais.

Precisávamos por isso de encontrar uma solução que nos permitisse assegurar poiso para os próximos tempos de forma satisfatória. Discutimos longamente se devíamos comprar esse mesmo apartamento que arrendávamos mas acabámos por concluir que precisava de muitas obras e não conseguiríamos suportar o custo.

O problema é que os apartamentos aqui não são como aqueles a que estávamos habituados: a estrutura é em madeira e as paredes parecem feitas de areia; as divisões são absurdas - há casas de 90 m2 com salas de 40 m2 e quartos onde mal cabe uma cama de bebé, outras em que tem que se passar pela casa-de-banho para chegar ao quarto e ainda outras em que um espaço aberto com 2 m2 é uma divisão no prospecto -; e o estado geral da casa é tal que as obras necessárias implicariam um investimento financeiro enorme e meses de trabalho.

Por tudo isto e porque não nos víamos a tentar comunicar com pedreiros e carpinteiros holandeses por gestos, resolvemos que teríamos que encontrar uma casa que precisasse do mínimo possível de obras ou arranjos. E cuja divisão do espaço encaixasse no nosso gosto.

O problema é que casas assim, sobretudo na zona onde morávamos e onde queríamos ficar, são raras e caras. Razão pela qual procurámos noutros sítios - sem sucesso à excepção de 2 casos em que gostámos mas nem tivemos hipóteses de fazer oferta -, em várias modalidades (mudámos de arrendar para comprar e vice-versa inúmeras vezes), feitios (casa, apartamento, R/C com jardim e tudo o mais) e condição (sim, cheguei a insistir para avançarmos para obras...).

Quando me deparei com esta nossa nova casinha soube que tinha que ser para nós. Tive que convencer tudo e todos (desde a Patrícia ao banco) mas soube desde o primeiro momento que ficaríamos bem ali.

A Patrícia começou por não se entusiasmar muito e até ao dia da assinatura do contrato final esteve algo resistente. Até que, depois de concretizado o negócio, ela se entusiasmou e agora está tão apaixonada pela casa quanto eu.

Não sei se é perfeita e nem consigo assegurar que parte da paixão não se deva ao esforço que requereu para concretizar, mas senti-me imediatamente em casa. Algo estranho em mim - como exemplo, em quase 2 anos na anterior nunca me senti confortável.

O que interessa é que agora estamos lá e vamos, como diz a Patrícia abaixo, vamos equipá-la para o Natal (e antes disso o Sinter Klaas...).

Nuno

14.11.08

As cores da nossa rua


Da janela da nossa sala avista-se uma imensa rua debruada de arvores em tons magnificos.

Estamos no Outono e as folhas caem criando longos tapetes de folhas amarelas, laranjas e vermelhas. Sao tons lindos os que agora podemos ver. E quando temos vagar para olhar para as arvores, e esperar por um sopro de vento, podemos encantar-nos com as coreografias que as folhas fazem ao cair. Brincamos, entre nos, dancando e tentando imitar o movimento das folhas que caem. E que de novo se erguem no ar porque passou uma bicicleta ou um carro mais veloz.

Ao fim do dia quando regressamos a casa ja e de noite. O Outono esta a passar a correr. Ja se avista a iluminacao de natal em algumas ruas da cidade.

E tempo de comecar a preparar a epoca natalicia. O Nuno ja iniciou o estimulo auditivo com os CDs de Natal. Agora e tempo de pensar na nossa arvore e de comecar a preparar a chegada do pai natal.

Patricia

11.11.08

A primeira noite na nova casa


Passámos o dia inteiro, eu e o Nuno nas mudanças. Claro que a empresa que contratámos fez o trabalho pesado mas havia as escadas (45 na casa anterior) e nesta ainda não contei mas é capaz de ser o mesmo número. Não há elevador, no bom estilo calvinista holandês. Mas lá está, se em "Roma sê romano", em Amesterdão sê Amsterdamer" (porque ser holandês já não escreveria, não neste contexto pelo menos, mas isso é conversa para outras núpcias). Ao menos estamos em forma!

Ao fim do dia o Nuno teve de estar disponivel para uma conference call, e por isso deixamos o PC ligado a internet na casa antiga para não arricarmos problemas de ligação na nova casa. Fez a conference call sentado no chão de uma sala imensa e vazia, enquanto nos esperávamos por ele na nossa casa.

Muito ficou pronto no primeiro dia: cozinhei sopa e a refeição já em casa, o nosso quarto e o dos pequenotes estão bastante avançados, a sala também. Falta ainda um bocado - sobretudo no escritório/quarto das visitas - e vai ser necessário já amanhã que nos visitam os meus sogros.

A sra. que nos limpa a casa foi buscar os meninos e trouxe-os à casa nova onde eu esperava por eles. De manhã o Diogo não estava contente porque era o quarto dia seguido que não ía ao trabalho, e "isso não é justo". Mal ele sabe que ir ao trabalho seria bem mais repousante: ao fim do dia até os dedos dos pés me doiam!

Claro que o quarto deles foi aquele no qual mais tempo investimos. Estava pronto a ser usado (apesar de termos trazido as duas camas enquanto esperamos pelo beliche), com os brinquedos e roupa nos respectivos armários. As crianças têm estas coisas: de imediato se apoderaram do espaço como se sempre tivessem sido senhores dele. Como se não fosse nada, ou antes, como se fosse tudo tão natural.

Não parou de chover a noite inteira, e isso dá um charme ainda maior ao nosso quarto. Quem o visitar entenderá o que digo.

Patrícia

9.11.08

Novo ninho

Pois é. Chegou o dia. Amanhã, por esta hora, estaremos (espero) a jantar na casa nova.

Foi o Nuno que a descobriu. Eu estive um pouco alheada do processo de selecção e papelada inerente à compra de uma casa. Ficámos 1 ano e 10 meses na casa arrendada na jekerstraat. Foram bons momentos, alguns mais duros, claro.

Agora vamos para uma casa que é mais a nossa cara e será, certamente, mais o nosso canto. Esperamos que nos dê mais estabilidade e liberdade para a tornarmos mais nossa.

Estou mesmo contente. Estes útimos tempos, desde as férias até agora, foram difícieis e muito exigentes. A nossa casa (já) é muito acolhedora: esperemos que família e amigos nos visitem e se sintam também bem nela.

Patrícia

5.11.08

8º aniversário de namoro

Sim, nem mais, é hoje. Faz 8 anos que começámos a namorar, com oficialização no ÀS PÁGINAS TANTAS no Bairro Alto. Engraçado, depois disso voltámos lá 1 ou 2 vezes e nunca mais.

Com tantas datas que agora temos para celebrar (o casamento, os aniversários dos 4, emancipações diversas dos putos e tudo o mais) esta vai perdendo preponderância. Mas continua a ter imensa importância, não só por tudo o que gerou mas também pelo que representa em termos de memória de tempos perdidos.

Nessa altura éramos tão livres, impulsivos, decididos. Formávamos uma dupla terrível, se um dizia mata o outro gritava esfola, sempre radicais e intransigentes com tudo e todos.

Antes de termos putos o Fred disse-me que criar filhos era uma arte de compromisso; assim é - dou-lhe inteira razão a posteriori pois na altura não concordei -, nunca mais tivémos hipótese de avançar sem pensar nas 1001 consequências. Também por isso crescemos, amadurecemos, somos agora mais ponderados, diplomáticos, interesseiros.

Por vezes é tentador ter pena do que deixámos de ser, do que ficou para trás. Visto daqui, era mais fácil e mais bonito. Apetece pensar que devia ter durado para sempre.

Mas eu discordo profundamente; não trocava o que fomos por aquilo em que nos tornámos. Nem em sonhos. E não tento sequer explicar porquê, limito-me a aceitar o que sinto.

Nuno

31.10.08

Acabou a ditadura das fraldas


Ainda outro facto a assinalar deste dia de feitiços é que a Catarina deixou a fralda. Deixou mesmo. Deste as 7.00h da manhã até às 19.00 esteve sempre com a mesma roupa, sem que houvesse nenhum acidente.

É magia, e deve ser das fadas. Cada vez que faz um xixi ou cocó na sanita, recebe um autocolante da fada sininho!

Patrícia